Tratamento do Estado Mioclônico Pós-Anóxico
O tratamento do estado mioclônico pós-anóxico deve incluir propofol como primeira linha, seguido por valproato de sódio ou levetiracetam como agentes antimoclônicos eficazes, com monitorização por EEG contínuo para avaliar a resposta ao tratamento. 1
Abordagem Diagnóstica
- O estado mioclônico é comum após parada cardíaca, ocorrendo em aproximadamente 18-25% dos pacientes que permanecem em coma após retorno da circulação espontânea (RCE) 1
- É essencial diferenciar entre mioclonia de origem epiléptica e não-epiléptica, pois a maioria dos casos são não-epilépticos 1
- Recomenda-se o uso de eletroencefalograma (EEG) intermitente para detectar atividade epiléptica em pacientes com manifestações clínicas de convulsões 1
- Considere EEG contínuo para monitorar pacientes com estado epiléptico diagnosticado e avaliar os efeitos do tratamento 1
Tratamento Farmacológico
Primeira Linha:
- Propofol é eficaz para suprimir mioclonia pós-anóxica e deve ser considerado como agente de primeira linha 1
- O propofol é eficaz tanto para convulsões clínicas quanto para atividade epileptiforme no EEG nesses pacientes 1
Segunda Linha (Agentes Antimoclônicos):
- Valproato de sódio é recomendado como agente antimoclônico eficaz 1
- Levetiracetam é particularmente eficaz para mioclonia e está aprovado para tratamento de crises mioclônicas 1, 2, 3
- Clonazepam também pode ser eficaz no controle da mioclonia pós-anóxica 1, 4, 5
Terapia Combinada:
- Em casos refratários, considere a combinação de medicamentos antimoclônicos (valproato, levetiracetam e clonazepam) 4, 5
- Para estado epiléptico refratário, considere infusão de pentobarbital, midazolam ou propofol 1
Monitorização e Ajuste de Tratamento
- Inicie o tratamento de manutenção após excluir causas precipitantes (por exemplo, hemorragia intracraniana, desequilíbrio eletrolítico) 1
- Considere EEG contínuo para monitorar a eficácia do tratamento, especialmente em pacientes sedados onde as manifestações clínicas podem estar mascaradas 1
- A observação prolongada pode ser necessária após o tratamento das crises 1
Considerações Prognósticas
- O estado mioclônico pós-anóxico está associado a um prognóstico ruim, mas pacientes individuais podem sobreviver com bom resultado 1
- A mioclonia generalizada em combinação com descargas epileptiformes pode ser manifestação da síndrome de Lance-Adams, que é compatível com um bom prognóstico 1
- Nos casos de síndrome de Lance-Adams, o tratamento excessivamente agressivo pode não ser justificado 1
- A categoria de mioclonia não prediz de forma confiável o resultado dos potenciais evocados somatossensoriais (PESS), que são importantes para o prognóstico 6
Armadilhas e Cuidados Especiais
- A fenitoína é frequentemente ineficaz para mioclonia pós-anóxica e não deve ser considerada como agente de primeira linha 1
- O uso profilático de anticonvulsivantes após parada cardíaca não é recomendado devido ao risco de efeitos adversos e à resposta insatisfatória 1
- A sedação e o tratamento com altas doses de anticonvulsivantes podem confundir o exame clínico e levar a um prognóstico excessivamente pessimista 1
- Algumas manifestações motoras podem ser confundidas com convulsões, portanto a confirmação eletroencefalográfica é importante 1