Estruturas dos Fungos e Respostas Imunológicas a Fungos e Parasitas, e Tipos de Hipersensibilidade
1. Estruturas dos Fungos: Mecanismos de Invasão, Evasão e Relação com a Microbiota da Pele
Composição da Parede Celular Fúngica
- A parede celular fúngica é composta principalmente por quitina, glucanos e glicoproteínas, que conferem proteção contra estresses ambientais e determinam sua interação com o hospedeiro 1
- Esta estrutura é essencial para a sobrevivência do fungo e representa o primeiro ponto de contato com o sistema imunológico do hospedeiro 2
- A parede celular não é uma estrutura inerte, mas um organelo vivo cuja composição e localização celular dos diferentes componentes variam quando o fungo detecta mudanças no ambiente externo 3
Mecanismos de Invasão
- Fungos patogênicos secretam enzimas extracelulares como serino-hidrolases que podem degradar tecidos do hospedeiro, facilitando a invasão 1
- Alguns fungos, como o Aspergillus, podem causar angioinvasão, produzindo trombose e infarto da mucosa, levando à necrose tecidual 1
- A capacidade de adesão às superfícies celulares do hospedeiro é mediada por adesinas e outros fatores de virulência presentes na parede celular fúngica 3
Mecanismos de Evasão
- Alguns fungos patogênicos podem modular a composição de sua parede celular para evitar o reconhecimento pelo sistema imunológico do hospedeiro 3
- Fatores de virulência na superfície celular fúngica podem reorganizar os microdomínios lipídicos das células hospedeiras, comprometendo a sinalização downstream e favorecendo o desenvolvimento da doença 4
- Certos fungos, como Cryptococcus neoformans, possuem cápsula polissacarídica que protege contra fagocitose e outros mecanismos de defesa do hospedeiro 5
Relação com a Microbiota da Pele
- Os fungos são ubíquos no ambiente e podem ser encontrados no muco nasal de quase todos os seios paranasais saudáveis e doentes 1
- Em pacientes com dermatite atópica, a disbiose microbiana envolvendo bactérias, vírus e fungos pode exacerbar a inflamação cutânea 1
- O estado imunológico do hospedeiro é geralmente o fator determinante para o tipo e gravidade da infecção fúngica, com a microbiota cutânea normal servindo como barreira contra patógenos fúngicos invasivos 1
2. Respostas Imunológicas a Fungos e Parasitas
Imunidade Inata contra Fungos
- O reconhecimento inicial de fungos ocorre através de receptores de reconhecimento de padrões (PRRs) que identificam padrões moleculares associados a patógenos (PAMPs) na parede celular fúngica 3
- As barreiras físicas como pele e membranas mucosas constituem a primeira linha de defesa inata, complementada por membranas celulares, receptores celulares e fatores humorais 5
- Os microdomínios lipídicos da membrana plasmática das células imunes podem concentrar ou recrutar PRRs durante a associação célula hospedeira-fungo, aumentando significativamente suas capacidades de sinalização 4
Imunidade Adaptativa contra Fungos
- A imunidade mediada por células (CMI) do tipo Th1 é geralmente necessária para a eliminação de uma infecção fúngica, enquanto a imunidade Th2 geralmente resulta em suscetibilidade à infecção 5
- A defesa contra Aspergillus, por exemplo, baseia-se no reconhecimento do patógeno, uma fase efetora inata rapidamente implantada e altamente eficaz, e uma fase efetora adaptativa tardia mas robusta 5
- Certos tipos de resposta de anticorpos são protetores, contrariando a visão anterior de que a imunidade humoral tinha pouco ou nenhum papel na defesa contra infecções fúngicas 5
Respostas Imunológicas a Parasitas
- As infecções parasitárias geralmente induzem respostas imunes do tipo Th2, caracterizadas pela produção de IL-4, IL-5 e IL-13, que promovem a produção de IgE e a ativação de eosinófilos 5
- A resistência a parasitas intestinais frequentemente envolve respostas Th2 que promovem a expulsão dos parasitas através do aumento da produção de muco e da contratilidade intestinal 5
- Para parasitas intracelulares, como Leishmania, a resistência está associada a respostas Th1 que ativam macrófagos para eliminar os parasitas 5
Imunopatologia nas Infecções Fúngicas
- Os fungos podem induzir uma forte resposta imune Th2 quando em contato prolongado com a mucosa, levando a fenótipos inflamatórios polipoides, como na Rinossinusite Fúngica Alérgica (AFRS) 1
- O diagnóstico precoce de infecções fúngicas invasivas é crucial, pois o atraso está associado ao aumento da mortalidade 1
- A rinossinusite fúngica invasiva é definida pela presença de hifas fúngicas "dentro" do tecido mucoso, demonstrando angioinvasão clássica ou outros padrões infiltrativos 1
3. Tipos de Hipersensibilidade
Hipersensibilidade Tipo I (Imediata ou Mediada por IgE)
- Caracterizada pela produção de anticorpos IgE específicos contra alérgenos, que se ligam a receptores de alta afinidade (FcεRI) em mastócitos e basófilos 6
- A reexposição ao alérgeno leva à ligação cruzada de IgE na superfície celular, resultando na liberação de mediadores inflamatórios como histamina, leucotrienos e prostaglandinas 6
- Exemplos clínicos incluem rinite alérgica, asma alérgica, alergia alimentar, anafilaxia e reações a venenos de insetos como Hymenoptera 6
Hipersensibilidade Tipo II (Citotóxica)
- Mediada por anticorpos IgG ou IgM que se ligam a antígenos na superfície celular ou tecidual, levando à destruição celular via complemento ou células efetoras 6
- Os mecanismos de dano incluem ativação do complemento, citotoxicidade celular dependente de anticorpo (ADCC) e disfunção celular 6
- Exemplos clínicos incluem reações transfusionais, doença hemolítica do recém-nascido e algumas formas de vasculite 6
Hipersensibilidade Tipo III (Mediada por Imunocomplexos)
- Envolve a formação de complexos antígeno-anticorpo que se depositam em tecidos, ativando o complemento e recrutando células inflamatórias 6
- A deposição de imunocomplexos pode ocorrer na circulação ou localmente nos tecidos 6
- Exemplos clínicos incluem doença do soro, algumas formas de vasculite, e reações locais como a reação de Arthus 6
Hipersensibilidade Tipo IV (Tardia ou Mediada por Células T)
- Mediada por linfócitos T sensibilizados que liberam citocinas e recrutam macrófagos e outros leucócitos 6
- Desenvolve-se mais lentamente (24-72 horas) do que os outros tipos de hipersensibilidade 6
- Pode ser subdividida em quatro subtipos baseados nos mecanismos efetores e manifestações clínicas 6:
- Tipo IVa (Th1): Ativação de macrófagos (ex: teste de tuberculina)
- Tipo IVb (Th2): Inflamação eosinofílica (ex: dermatite atópica)
- Tipo IVc (CTL): Citotoxicidade mediada por células T CD8+ (ex: dermatite de contato)
- Tipo IVd: Inflamação neutrofílica (ex: pustulose exantemática generalizada aguda)
Manifestações Clínicas de Hipersensibilidade em Infecções Fúngicas
- A rinossinusite alérgica fúngica (AFS) é caracterizada pela presença de mucina alérgica contendo hifas fúngicas, eosinófilos e cristais de Charcot-Leyden, conforme descrito pelo American College of Chest Physicians 7
- O eritema multiforme (EM) pode aparecer como diferentes tipos de lesões, incluindo máculas, pápulas, urticária e lesões típicas em alvo (iris), geralmente dentro de 10 dias após infecção viral 6
- A síndrome de Stevens-Johnson (SJS) pode surgir do EM e tipicamente inclui sintomas sistêmicos com envolvimento de >2 superfícies mucosas ou 10% da área de superfície corporal, requerendo hospitalização e cuidados de suporte 6