Causas do Encurtamento dos Músculos Respiratórios
O encurtamento dos músculos respiratórios é causado principalmente pela fraqueza muscular respiratória, que leva a alterações na mecânica pulmonar, redução da complacência pulmonar e microatelectasias generalizadas.
Músculos Respiratórios Envolvidos
- O diafragma (segmentos costal e crural) é o principal músculo respiratório afetado pelo encurtamento, sendo responsável por aproximadamente 70% da ventilação em repouso 1
- Os músculos intercostais externos e internos, que auxiliam na expansão e retração da caixa torácica durante a respiração 1
- Músculos acessórios da respiração, incluindo os músculos escalenos, esternocleidomastóideos e outros músculos do pescoço que são recrutados durante o aumento da demanda ventilatória 1
- Músculos da via aérea superior, que podem apresentar fraqueza concomitante em algumas condições neuromusculares 1
Mecanismos do Encurtamento Muscular Respiratório
Alterações Fisiológicas
- Os músculos respiratórios têm duas funções principais: desenvolver força e encurtar. No sistema respiratório, a força é geralmente estimada como pressão e o encurtamento como mudança no volume pulmonar ou deslocamento das estruturas da parede torácica 1
- A relação entre comprimento-tensão muscular é fundamental: os músculos inspiratórios geram menos força quando encurtados, criando um ciclo vicioso de fraqueza e encurtamento progressivos 1
- A fraqueza muscular respiratória reduz a capacidade vital (CV) e pode aumentar o volume residual (RV), especialmente quando há fraqueza dos músculos expiratórios 1
Causas Patológicas
- Doenças neuromusculares como esclerose lateral amiotrófica, síndrome pós-pólio, miastenia gravis e distrofias musculares causam fraqueza direta dos músculos respiratórios 2, 3
- Condições que aumentam o trabalho respiratório (DPOC, obesidade, cifoescoliose) levam ao encurtamento muscular por desvantagem mecânica do diafragma 2, 4
- Doenças críticas agudas (desequilíbrio eletrolítico, acidemia, choque, sepse) e doenças crônicas (desnutrição, caquexia) causam fraqueza muscular respiratória 2, 5
Consequências do Encurtamento Muscular Respiratório
- A restrição do volume pulmonar excede significativamente o que seria esperado pelo grau de fraqueza muscular: teoricamente, a diminuição da força muscular respiratória deveria reduzir a capacidade vital para 78% do valor normal, mas na prática observa-se redução para cerca de 50% 4
- Redução da complacência pulmonar devido a microatelectasias generalizadas 4, 5
- Diminuição da força de tração para fora da parede torácica, contribuindo para a restrição pulmonar 4
- Alteração na relação entre fluxo inspiratório médio e velocidade média de encurtamento do diafragma, que normalmente é linear 6
Manifestações Clínicas e Diagnóstico
- A fraqueza muscular respiratória leve causa hipoxemia leve e hipocapnia; fraqueza grave causa hipercapnia, mas apenas quando a força está abaixo de 40% do previsto 1
- Uma queda na capacidade vital na posição supina, em comparação com a posição ereta, sugere fraqueza ou paralisia grave do diafragma 1
- Com fraqueza muscular respiratória, as curvas máximas de fluxo-volume expiratório e inspiratório mostram redução nos fluxos dependentes de esforço (fluxos de pico) e queda acentuada no fluxo expiratório final 1
- A fraqueza muscular respiratória pode causar dessaturação e hipercapnia durante o sono REM 1
Considerações Importantes
- A capacidade vital permanece a medição mais útil para acompanhar a evolução do processo da doença ou resposta ao tratamento em pacientes com fraqueza muscular respiratória, pois reflete tanto os efeitos diretos (perda de pressão de distensão) quanto secundários (alterações nas propriedades elásticas dos pulmões e parede torácica) 4
- O drive ventilatório é alto, não baixo, na insuficiência ventilatória causada por fraqueza muscular respiratória 2, 5
- O encurtamento concomitante da inspiração e da duração da respiração causa pequeno volume corrente e aumento da frequência respiratória 2