Uso do Esquema AC-T na Adjuvância do Câncer de Mama Luminal
O esquema AC-T (Adriamicina/Ciclofosfamida seguido de Taxano) deve ser utilizado na adjuvância do câncer de mama luminal em pacientes com tumores maiores que 1 cm e/ou com comprometimento linfonodal, especialmente em casos de alto risco como tumores luminais B ou com características de alto risco. 1
Indicações para AC-T em Câncer de Mama Luminal
Indicações Principais:
- Tumores maiores que 1 cm (categoria 1 de evidência) 1
- Presença de metástases linfonodais (≥1 linfonodo ipsilateral com metástase >2 mm) (categoria 1 de evidência) 1
- Tumores com características de alto risco (grau histológico elevado, Ki-67 alto) 1
- Subtipo luminal B (com maior proliferação celular e pior prognóstico) 1
Considerações por Tamanho Tumoral e Status Linfonodal:
- Tumores ≤0,5 cm, N0: geralmente não necessitam quimioterapia adjuvante 1
- Tumores 0,6-1,0 cm, N0: considerar quimioterapia adjuvante (avaliação individual) 1
- Tumores >1 cm, N0: quimioterapia adjuvante recomendada (categoria 1) 1
- Qualquer tamanho com N+ (≥1 linfonodo positivo): quimioterapia adjuvante recomendada (categoria 1) 1
Esquemas Preferenciais de AC-T
Regimes Preferenciais (Categoria 1):
- AC dose-densa (doxorrubicina/ciclofosfamida) seguido ou precedido por paclitaxel a cada 2 semanas 1
- AC dose-densa (doxorrubicina/ciclofosfamida) seguido ou precedido por paclitaxel semanal 1
Regimes Alternativos:
Dosagens e Administração
Esquema Padrão:
- Doxorrubicina 60 mg/m² + Ciclofosfamida 600 mg/m² a cada 3 semanas por 4 ciclos, seguido por 2, 3
- Paclitaxel 175 mg/m² a cada 3 semanas por 4 ciclos ou paclitaxel 80 mg/m² semanal por 12 semanas 2
Considerações sobre Sequência:
- É aceitável alterar a sequência para taxano seguido por AC 1
- O uso sequencial de antraciclinas e taxanos é superior ao uso concomitante e menos tóxico 1
Fatores de Decisão para Escolha do Esquema
Fatores a Considerar:
- Idade da paciente (menor benefício em idosas) 1, 4
- Comorbidades (especialmente cardíacas) 5, 6
- Características biológicas do tumor (grau, Ki-67, expressão de receptores) 1
- Risco de recorrência baseado em assinaturas genômicas (quando disponíveis) 1
Situações Específicas:
- Em pacientes pós-menopáusicas com tumores luminais A e baixo risco de recorrência, a hormonioterapia isolada pode ser considerada mesmo com linfonodos positivos 4
- Em pacientes com contraindicação a antraciclinas, o esquema TC (docetaxel/ciclofosfamida) pode ser uma alternativa 5, 3
Monitoramento e Manejo de Toxicidades
Toxicidades Principais:
- Mielossupressão (especialmente neutropenia febril) 2, 6
- Cardiotoxicidade (relacionada às antraciclinas) 5, 6
- Neuropatia periférica (relacionada aos taxanos) 2
- Náuseas e vômitos (mais comuns com AC) 3
Recomendações para Monitoramento:
- Avaliação da função cardíaca antes do início e durante o tratamento com antraciclinas 5
- Monitoramento hematológico antes de cada ciclo (não repetir até neutrófilos ≥1.500/mm³ e plaquetas ≥100.000/mm³) 2
- Considerar fatores de crescimento (G-CSF) para regimes dose-densos ou pacientes com alto risco de neutropenia febril 5, 2
Considerações Importantes
Cuidados Especiais:
- Em pacientes com risco cardíaco, considerar esquemas sem antraciclinas (como TC) 5, 3
- Ajuste de dose em caso de toxicidade significativa (redução de 20% para neutropenia grave ou neuropatia periférica grave) 2
- Considerar o uso de formulações lipossomais de doxorrubicina em pacientes com contraindicação a antraciclinas convencionais 6
Armadilhas a Evitar:
- Não utilizar AC-T em tumores luminais A de baixo risco, onde o benefício é mínimo e os riscos superam os benefícios 1, 4
- Não subestimar o risco de cardiotoxicidade em pacientes idosas ou com fatores de risco cardíaco 5, 6
- Não negligenciar a importância da hormonioterapia adjuvante após a quimioterapia em tumores luminais 1