Papel do Vorasidenibe no Tratamento de Oligodendroglioma com Mutação IDH
O vorasidenibe é recomendado para pacientes com oligodendroglioma de grau 2 com mutação IDH1 ou IDH2 após cirurgia, quando o tratamento com radioterapia e quimioterapia foi ou pode ser adiado. 1
Indicações Aprovadas e Evidências
- O vorasidenibe recebeu aprovação da FDA em agosto de 2024 para pacientes com 12 anos ou mais com astrocitoma ou oligodendroglioma de grau 2 com mutação IDH1 ou IDH2 suscetível após cirurgia (biópsia, ressecção subtotal ou ressecção total) 1, 2
- A aprovação foi baseada no estudo INDIGO, um ensaio clínico de fase 3 que demonstrou melhora significativa na sobrevida livre de progressão (SLP) em comparação com placebo (27,7 meses vs 11,1 meses; HR 0,39; IC 95%, 0,27-0,56) 1, 3
- O tempo até a próxima intervenção anticâncer também foi significativamente prolongado com vorasidenibe em comparação ao placebo (HR 0,26; IC 95%, 0,15-0,43) 1, 3
Recomendações Específicas para Oligodendroglioma IDH-mutante
- Para oligodendroglioma IDH-mutante, 1p19q codeletado, grau 2 da OMS, o vorasidenibe pode ser oferecido quando, após uma ou mais cirurgias, o tratamento adicional com radioterapia e quimioterapia foi ou pode ser adiado (Qualidade da evidência: Alta; Força da recomendação: Condicional) 1
- Tradicionalmente, as opções para oligodendroglioma grau 2 incluíam observação ("wait-and-see") ou radioterapia (50-54 Gy) seguida por PCV, com o vorasidenibe agora representando uma nova opção terapêutica 1
- O vorasidenibe atua como um inibidor oral de IDH1/2 mutante com alta penetração cerebral, sendo o primeiro medicamento desta classe aprovado para gliomas 2
Considerações de Segurança e Monitoramento
- Eventos adversos de grau 3 ou superior ocorreram em 22,8% dos pacientes que receberam vorasidenibe versus 13,5% no grupo placebo 1, 3
- O aumento dos níveis de alanina aminotransferase de grau 3 ou superior ocorreu em 9,6% dos pacientes com vorasidenibe e em nenhum paciente com placebo 3
- É necessário monitoramento regular da função hepática a cada 2 semanas nos primeiros 2 meses de tratamento e mensalmente depois disso 1
- O medicamento não deve ser oferecido a pessoas que buscam gravidez (tanto homens quanto mulheres), pessoas grávidas ou amamentando 1
Critérios de Seleção de Pacientes
- No estudo INDIGO, os pacientes tinham doença mensurável não-realçante (≥1 lesão alvo medindo ≥1 cm²) e qualquer realce de contraste tinha que ser mínimo, não-nodular e não mensurável 1
- Os pacientes deviam ter pelo menos uma cirurgia prévia, com a mais recente ocorrendo entre 1 e 5 anos antes da randomização 1
- Embora a aprovação da FDA não inclua a restrição de tempo após a cirurgia, os especialistas acreditam que esta janela de tempo é arbitrária, sendo razoável discutir o uso de vorasidenibe em qualquer momento após a recuperação pós-operatória 1
Limitações e Considerações Especiais
- Para pacientes sem tumor mensurável, deve-se pesar cuidadosamente os benefícios potenciais de iniciar vorasidenibe imediatamente versus observação contínua até que haja tumor mensurável documentado 1
- O vorasidenibe geralmente não é apropriado para oligodendroglioma de grau 2 completamente ressecado ou para qualquer oligodendroglioma de grau 3 4
- Há evidências limitadas sobre o uso de vorasidenibe em oligodendrogliomas de grau 3, com apenas relatos de caso sugerindo possíveis benefícios 5
- O vorasidenibe não é recomendado em combinação com radioterapia e/ou quimioterapia para gliomas de grau 2-3 4
Posicionamento na Sequência Terapêutica
- O vorasidenibe representa uma nova opção para adiar a necessidade de radioterapia e quimioterapia em pacientes selecionados 1, 6
- Para pacientes com oligodendroglioma de grau 2 com mutação IDH que necessitam de tratamento após cirurgia, as opções agora incluem:
- Na progressão após vorasidenibe, as opções incluem temozolomida ou retorno às abordagens padrão com radioterapia seguida por PCV 1