Efeitos da L-cisteína no Corpo
A L-cisteína é um aminoácido semi-essencial com importantes funções metabólicas, atuando principalmente como substrato para a síntese de glutationa, um potente antioxidante endógeno, além de participar na síntese de taurina e sulfeto de hidrogênio (H₂S).
Funções Metabólicas Principais
- A L-cisteína é um precursor da glutationa (GSH), um tripeptídeo com importantes propriedades antioxidantes, fundamental para manter o potencial redox e a homeostase do cálcio 1
- Participa como substrato na síntese de taurina, um aminoácido importante para a função da retina e prevenção de colestase 1
- Contribui para a produção de sulfeto de hidrogênio (H₂S), um mediador gasoso com funções na sinalização celular 2
- Desempenha papel importante na homeostase celular como precursor para síntese proteica 2
Efeitos Clínicos e Terapêuticos
Efeitos Antioxidantes e Anti-inflamatórios
- A L-cisteína pode ajudar a combater a inflamação crônica através do aumento do status antioxidante 3
- Em estados de estresse e inflamação, o metabolismo dos aminoácidos sulfurados se adapta para atender às maiores necessidades de cisteína como substrato limitante para a síntese de glutationa 3
Aplicações em Nutrição Parenteral
- A suplementação de cisteína biodisponível (50-75 mg/kg/dia) é recomendada para recém-nascidos prematuros para garantir níveis plasmáticos adequados 1
- Doses mais altas não demonstraram benefícios adicionais em recém-nascidos prematuros 1
- Em crianças que necessitam de nutrição parenteral domiciliar, a adição de N-acetil-cisteína (NAC) em doses de 20-50 mg/kg/dia pode diminuir elevações de enzimas hepáticas e aumentar os níveis sanguíneos de glutationa 1
Efeitos em Condições Específicas
- A suplementação com L-cisteína, mas não com N-acetilcisteína, demonstrou resgatar parcialmente defeitos de tradução mitocondrial in vitro em fibroblastos de pacientes com mutações m.3243A>G e m.8344A>G 4
- Em contraste, a N-acetilcisteína mostrou efeito benéfico na tradução mitocondrial em fibroblastos com deficiência de TRMU e MTO1 4
- Suplementos contendo L-cisteína podem prevenir ou aliviar sintomas relacionados à ressaca alcoólica, como náusea, dor de cabeça, estresse e ansiedade 5
Limitações e Considerações Clínicas
- A N-acetil-L-cisteína (NAC) não é útil para prevenção de lesão renal aguda induzida por contraste, conforme demonstrado no maior estudo randomizado sobre o tema (ACT trial) 1, 6
- A acetilação da cisteína (N-acetilcisteína) previne a instabilidade, mas sua biodisponibilidade é baixa, aproximadamente 50% 1
- A suplementação com N-acetilcisteína não afeta significativamente os riscos de morte até 36 semanas pós-menstruais, displasia broncopulmonar, retinopatia da prematuridade ou outras complicações em recém-nascidos prematuros 1
Considerações sobre Dosagem
- Para recém-nascidos prematuros, uma ingestão de 345 μmol/kg por dia (54 mg de Cisteína-HCl/kg por dia) é suficiente para atingir níveis plasmáticos adequados 1
- Para sintomas de ressaca alcoólica, doses de 600 mg mostraram-se eficazes para reduzir estresse e ansiedade, enquanto 1200 mg foram necessários para efeitos sobre ressaca, náusea e dor de cabeça 5
- Em pacientes com DPOC moderada a grave e histórico de duas ou mais exacerbações nos 2 anos anteriores, o tratamento com N-acetilcisteína oral pode prevenir exacerbações agudas 1
Potenciais Aplicações Futuras
- Proteínas naturalmente ricas em cisteína, como o soro de leite ou queratina, têm potencial para serem fabricadas como alimentos funcionais de alta qualidade e alto teor de cisteína para investigação clínica 3
- A L-cisteína ou N-acetilcisteína podem ser consideradas como tratamento potencial para subgrupos selecionados de pacientes com deficiências de tradução mitocondrial 4