Manejo da Diarreia como Efeito Colateral da Lamotrigina em Idosos
A diarreia como efeito colateral da lamotrigina em idosos deve ser tratada inicialmente com hidratação oral adequada, modificações dietéticas e loperamida, com monitoramento cuidadoso para sinais de complicações devido ao maior risco em pacientes idosos. 1
Avaliação Inicial
- Avaliar o estado de hidratação verificando hipotensão ortostática, turgor da pele, mucosas secas e alterações do estado mental 1
- Caracterizar a diarreia: frequência, consistência, presença de sangue e ocorrência noturna 1
- Identificar fatores de risco que classificariam a diarreia como "complicada": cólicas moderadas a graves, vômitos, diminuição do estado geral 2
- Verificar se há impactação fecal com diarreia por transbordamento, que pode se apresentar como alternância entre constipação e diarreia, comum em idosos 2
Manejo da Diarreia Não Complicada
- Manter ingestão adequada de líquidos com bebidas contendo glicose (como limonadas, refrigerantes ou sucos de frutas) ou sopas ricas em eletrólitos 2
- Implementar modificações dietéticas: eliminar produtos lácteos e suplementos dietéticos de alta osmolaridade 2
- Administrar loperamida na dose inicial de 4 mg seguida de 2 mg a cada 4 horas ou após cada evacuação não formada (não exceder 16 mg/dia) 2
- Considerar dieta branda (pão, arroz, maçã cozida, torrada) 2
- Instruir o paciente a registrar o número de evacuações e relatar sintomas de sequelas potencialmente fatais (febre ou tontura ao ficar em pé) 2
Considerações Especiais para Idosos
- Os idosos são mais suscetíveis à desidratação e desequilíbrios eletrolíticos devido à diarreia 3
- Monitorar cuidadosamente os idosos que tomam lamotrigina em doses baixas (geralmente 50-75 mg/dia em idosos, comparado a doses mais altas em adultos jovens) 4, 5
- Estar atento a possíveis interações medicamentosas, já que idosos frequentemente usam múltiplos medicamentos 3
- Utilizar barreiras cutâneas para prevenir irritação da pele causada por material fecal, especialmente importante em idosos com incontinência 2
Manejo da Diarreia Persistente ou Complicada
- Se a diarreia persistir por mais de 24 horas, aumentar a dose de loperamida para 2 mg a cada 2 horas e considerar antibióticos orais como profilaxia para infecção 2
- Se a diarreia persistir por mais de 48 horas com loperamida em alta dose, interromper a loperamida e iniciar um agente antidiarreico de segunda linha como octreotide (dose inicial de 100-150 μg) 2
- Para diarreia complicada (desidratação, vômitos, febre), considerar hospitalização para administração de fluidos intravenosos e monitoramento mais rigoroso 2, 1
- Realizar avaliação laboratorial incluindo hemograma completo, perfil de eletrólitos e análise de fezes 2
Quando Buscar Atendimento Médico Imediato
- Se não houver melhora em 48 horas 2
- Se os sintomas piorarem ou a condição geral se deteriorar 2
- Se surgirem sinais de alerta como vômitos graves, desidratação, febre persistente, distensão abdominal ou sangue nas fezes 2
- Em caso de suspeita de reação cutânea grave associada à lamotrigina (como Síndrome DRESS), que pode raramente se manifestar com sintomas gastrointestinais 6
Considerações sobre a Medicação
- Considerar ajuste ou suspensão temporária da lamotrigina se a diarreia for grave ou persistente, sempre em consulta com o médico prescritor 1
- Estar ciente de que a lamotrigina geralmente é usada em doses mais baixas em idosos (média de 72 mg/dia) 5
- Monitorar a função renal, pois alterações na relação ureia/creatinina podem afetar a depuração aparente da lamotrigina 4