Manejo da Diarreia em Pacientes Idosos em Uso de Lamotrigina
O tratamento inicial para diarreia em idosos usando lamotrigina deve incluir loperamida (dose inicial de 4 mg, seguida de 2 mg a cada 4 horas ou após cada evacuação não formada, não excedendo 16 mg/dia), hidratação oral adequada e modificações dietéticas, com monitoramento cuidadoso para evitar complicações. 1
Avaliação Inicial
- Classificar a diarreia como não complicada (leve a moderada sem outros sintomas) ou complicada (com desidratação, vômitos, febre) para determinar a abordagem adequada 2, 1
- Avaliar sinais de desidratação, desequilíbrio eletrolítico, declínio da função renal ou desnutrição, que são mais frequentes na população idosa frágil 1
- Verificar se há impactação fecal ou obstrução intestinal parcial, que podem se manifestar como alternância entre constipação e diarreia em idosos 2
- Investigar se a diarreia está relacionada diretamente à lamotrigina ou a outras causas, como infecções ou efeitos de outros medicamentos 3
Tratamento da Diarreia Não Complicada
Medidas Não Farmacológicas
- Implementar hidratação oral adequada com soluções que contenham água, sal e açúcar para prevenir desidratação 2, 1
- Para idosos com diarreia leve, sucos de frutas diluídos, refrigerantes e caldos podem atender às necessidades de fluidos e sais 2
- Realizar modificações dietéticas, eliminando produtos que contenham lactose e suplementos dietéticos de alta osmolaridade 2, 1
- Monitorar o número de evacuações e orientar o paciente a relatar sintomas de sequelas potencialmente graves (febre ou tontura ao ficar em pé) 2
Tratamento Farmacológico
- Iniciar loperamida na dose de 4 mg, seguida de 2 mg a cada 4 horas ou após cada evacuação não formada (não exceder 16 mg/dia) 2, 1
- Utilizar barreiras cutâneas para prevenir irritação da pele causada por material fecal, especialmente em pacientes com incontinência 2
Tratamento da Diarreia Complicada
- Hospitalizar pacientes com diarreia complicada por cãibras moderadas a graves, náuseas, vômitos, diminuição do estado funcional, febre, sepse, neutropenia, sangramento ou desidratação 2, 1
- Administrar fluidos intravenosos e reposição de eletrólitos para pacientes com desidratação grave ou incapazes de manter hidratação oral adequada 2, 1
- Considerar o uso de octreotida em casos graves que não respondem à loperamida, começando com 100-150 μg subcutâneo três vezes ao dia 2
- Avaliar com hemograma completo, perfil de eletrólitos e análise de fezes para sangue e patógenos infecciosos 2
Considerações Específicas sobre a Lamotrigina
- A diarreia pode ser um efeito adverso da lamotrigina, embora seja menos comum que outros efeitos colaterais 4
- Em casos raros, a lamotrigina pode causar reações de hipersensibilidade como DRESS (Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms) que pode se manifestar como colite 5
- A administração de lamotrigina com alimentos pode reduzir sua biodisponibilidade, o que deve ser considerado ao ajustar doses ou horários de administração 6
Cuidados Especiais em Idosos
- Idosos são mais suscetíveis à desidratação devido à diminuição da sensação de sede e alterações no equilíbrio hídrico e de sódio que ocorrem naturalmente com o envelhecimento 3, 7
- Monitorar cuidadosamente sinais de desidratação, que pode levar a complicações graves como prolongamento do intervalo QT e arritmias 1, 7
- Não incentivar os idosos a consumir grandes quantidades de líquidos de uma vez, mas sim pequenas quantidades ao longo do dia 7
- O volume total de líquidos a ser prescrito varia entre 2200 e 4000 mL/dia, com atenção para evitar sobrehidratação em pacientes com insuficiência cardíaca ou renal 2
Ajustes Terapêuticos a Considerar
- Se a diarreia persistir apesar das medidas iniciais, considerar a redução da dose de lamotrigina ou a troca para outro antiepiléptico, após avaliação cuidadosa do risco-benefício 1, 4
- Avaliar interações medicamentosas, pois a lamotrigina pode interagir com outros medicamentos comumente usados em idosos 4