Plasmaferese e Pulsoterapia: Efeitos no Tamanho das Lesões Cerebrais
A plasmaferese pode reduzir o tamanho de lesões cerebrais em condições inflamatórias/autoimunes específicas, enquanto a pulsoterapia com corticosteroides isoladamente demonstra benefício limitado neste aspecto.
Evidência para Plasmaferese na Redução de Lesões
Esclerose Concêntrica de Baló
- Um estudo de ressonância magnética seriada documentou que a plasmaferese por imunoadsorção levou à remissão completa dentro de 1 mês em uma paciente com esclerose concêntrica de Baló, após falha da corticoterapia 1
- As imagens de RM mostraram que inicialmente apareceu um núcleo central com área desmielinizada arredondada e edema periférico, seguido pela formação de bandas desmielinizadas concêntricas com diminuição do edema após o tratamento 1
- A corticoterapia isolada resultou em pouco benefício, enquanto a plasmaferese produziu melhora radiológica documentada 1
Encefalomielite Disseminada Aguda (ADEM)
- Em caso de ADEM fulminante com falha respiratória e coma refratários a corticosteroides e imunoglobulina intravenosa, a plasmaferese (4 sessões) levou à normalização completa das imagens de RM cerebral e medular 2
- A melhora clínica foi acompanhada de resolução radiológica das lesões, demonstrando efeito direto no tamanho das lesões 2
Vasculite Cerebral
- Em vasculite cerebral associada à púrpura de Henoch-Schönlein com anormalidades multifocais bilaterais na RM, a plasmaferese terapêutica produziu melhora clínica rápida 3
- A plasmaferese foi proposta como tratamento de primeira linha nesta condição para prevenir complicações hemorrágicas intracerebrais massivas 3
Encefalite de Rasmussen
- Três de quatro pacientes com encefalite de Rasmussen confirmada patologicamente exibiram respostas dramáticas e transitórias à plasmaferese repetida, manifestadas por redução da frequência de crises e melhora da função neurológica 4
- Embora as respostas fossem transitórias, indicaram que fatores circulantes (provavelmente autoanticorpos) são patogênicos e removíveis pela plasmaferese 4
Limitações da Pulsoterapia Isolada
- No caso de esclerose concêntrica de Baló, a administração de regime corticosteroide resultou em pouco benefício, sendo necessária a plasmaferese para obter remissão 1
- Em ADEM fulminante, tanto corticosteroides quanto imunoglobulina intravenosa falharam em prevenir progressão para insuficiência respiratória e coma, requerendo plasmaferese 2
Mecanismo de Ação
- A plasmaferese remove mecanicamente anticorpos circulantes, complexos imunes e proteínas patogênicas do plasma através de filtração por membrana ou centrifugação 5
- O procedimento é não-seletivo na remoção de proteínas, enquanto a plasmaferese por imunoadsorção visa seletivamente imunoglobulinas 5
- A troca plasmática padrão envolve trocar duas vezes o volume sanguíneo 5
Protocolo Recomendado
- Para condições neurológicas, cursos típicos variam de 2-6 sessões 5
- Em vasculite com hemorragia pulmonar difusa, iniciar plasmaferese diariamente até cessação do sangramento, depois em dias alternados para total de 7-10 tratamentos 5
- Sempre combinar plasmaferese com imunossupressão - nunca usar como monoterapia em condições mediadas por anticorpos 5
Perfil de Segurança
- Mortalidade geral estimada em 0.05% baseada em revisões sistemáticas de >15.500 pacientes 5, 6
- Meta-análise Cochrane de 556 pacientes com Guillain-Barré mostrou que plasmaferese não aumentou risco de infecção, instabilidade pressórica, arritmias cardíacas ou embolia pulmonar 5
- Complicações em 17% dos procedimentos (n=381), sendo 91% classificadas como leves (55.4%) ou moderadamente graves (35.4%) que não impediram conclusão do procedimento 7
- Complicações graves (6.15%) relacionaram-se principalmente ao uso de cateteres venosos centrais 7
Armadilhas Comuns
- Não aguardar resultados de avaliação viscoelástica para iniciar tratamento em condições agudas 5
- Evitar em pacientes dependentes de diálise por vasculite sem manifestações extrarrenais após 3 meses de tratamento 5
- Administrar rituximabe após plasmaferese, pois o procedimento remove o medicamento da circulação 5
- Monitorar alterações hemodinâmicas, anormalidades de coagulação e desequilíbrios eletrolíticos 5