Amadurecimento do Sistema Imune e Amigdalite Recorrente
Período Crítico de Atividade Imunológica
A maior atividade imunológica das amígdalas ocorre entre 3 e 10 anos de idade, período em que as amígdalas são mais proeminentes e posteriormente sofrem involução relacionada à idade. 1
- As amígdalas palatinas funcionam como órgãos linfoides secundários estrategicamente posicionados na junção da cavidade oral e orofaringe 1
- Elas iniciam respostas imunes contra antígenos que entram pelo nariz ou boca 1
- Após os 10 anos, ocorre involução progressiva do tecido tonsilar 1
Mecanismo Imunológico Normal das Amígdalas
O epitélio tonsilar contém canais especializados revestidos por células "M" que capturam antígenos e os transportam para regiões extrafoliculares ou folículos linfoides 1:
- Células dendríticas e macrófagos processam os antígenos e os apresentam aos linfócitos T auxiliares 1
- Linfócitos B foliculares proliferam e se desenvolvem em células B de memória ou plasmócitos produtores de anticorpos 1
- IgA secretória é o produto mais importante do sistema imune tonsilar, sendo componente crítico da imunidade mucosa das vias aéreas superiores 1
- Os linfócitos B produzem a cadeia J (joining), necessária para ligar monômeros de IgA ao componente secretor 1
Disfunção Imunológica na Amigdalite Recorrente
Com amigdalite recorrente, o processo controlado de transporte e apresentação de antígenos é alterado devido à perda das células M do epitélio tonsilar. 1
Alterações Patológicas Específicas:
- Influxo direto de antígenos expande desproporcionalmente a população de clones de células B maduras 1
- Redução de células B de memória precoces que se tornariam imunócitos IgA positivos para cadeia J 1
- Sobrecarga dos linfócitos tonsilares com estimulação antigênica persistente, tornando-os incapazes de responder a outros antígenos 1
- Comprometimento imunológico resulta em incapacidade da amígdala de funcionar adequadamente na proteção local e de reforçar o sistema imune secretor do trato respiratório superior 1
Evidências de Imunodeficiência na Amigdalite Recorrente
Estudos demonstram que crianças com amigdalite recorrente por Streptococcus do grupo A apresentam 2:
- Centros germinais menores nas amígdalas
- Sub-representação de células T foliculares auxiliares específicas para Streptococcus
- Respostas de anticorpos reduzidas à toxina A estreptocócica pirogênica (SpeA)
- Células T foliculares aberrantes que produzem granzima B com capacidade de destruir células B, prejudicando a resposta do centro germinal
Alterações imunológicas mais significativas foram encontradas em crianças com amigdalite crônica e lesões cardíacas tonsilógenas, manifestando aumento de células T supressoras, IgM elevada e diminuição de linfócitos T 3.
Implicações Clínicas
Existe vantagem terapêutica em remover amígdalas recorrentemente doentes, pois elas não conseguem mais funcionar adequadamente na proteção local. 1
- Alguns estudos sugerem que não há impactos clínicos significativos da tonsilectomia no sistema imune 1
- A Academia Americana de Otorrinolaringologia recomenda tonsilectomia para crianças com infecção recorrente que atendam aos critérios de Paradise: ≥7 episódios no ano anterior, ≥5 episódios/ano por 2 anos, ou ≥3 episódios/ano por 3 anos 4
- Observação vigilante é fortemente recomendada para pacientes que não atendem aos critérios de Paradise, pois muitos casos melhoram espontaneamente 4
- Crianças não tratadas apresentaram apenas 1,17 episódios no primeiro ano, 1,03 no segundo ano e 0,45 no terceiro ano após observação 4