Relação entre Clorpromazina e Hipotireoidismo
A clorpromazina está associada ao desenvolvimento de hipotireoidismo, sendo um efeito adverso endócrino reconhecido dos antipsicóticos típicos, particularmente quando usado em tratamento prolongado.
Evidência da Associação
A relação entre clorpromazina e disfunção tireoidiana está bem documentada:
Antipsicóticos típicos, incluindo clorpromazina, podem causar distúrbios endócrinos como hipotireoidismo 1. Este efeito é listado especificamente entre as complicações endócrinas dos antipsicóticos de primeira geração.
Em um estudo de caso-controle aninhado, o uso de clorpromazina foi associado a risco aumentado de fibrilação atrial (OR ajustado: 1.96) 1, sugerindo efeitos cardiovasculares que podem estar relacionados a alterações metabólicas e endócrinas.
Um caso clínico documentou síndrome neuroléptica maligna em paciente usando clorpromazina com disfunção tireoidiana concomitante 2. Notavelmente, após descontinuar a clorpromazina, houve mudanças dramáticas no TSH, que caiu de 10.2 mIU/L para 0.02 mIU/L, demonstrando o impacto direto do medicamento na função tireoidiana.
Mecanismos Fisiopatológicos
A clorpromazina pode afetar a função tireoidiana através de múltiplos mecanismos:
O hipotireoidismo predispõe pacientes à síndrome neuroléptica maligna ao alterar os sistemas dopaminérgicos centrais 2. Esta interação bidirecional sugere que a clorpromazina pode tanto causar quanto agravar disfunção tireoidiana.
A descontinuação de agentes antipsicóticos diminui os níveis de TSH, possivelmente devido ao feedback negativo da atividade dopaminérgica 2.
Antipsicóticos podem suprimir o TSH no tireotrofo ou hipotálamo 3, embora este mecanismo seja mais comumente descrito com dopaminérgicos, glucocorticoides e análogos da somatostatina.
Monitoramento Clínico Recomendado
Baseado nas evidências disponíveis e extrapolando das recomendações para outros antipsicóticos:
Testes de função tireoidiana basais (TSH e T4 livre) devem ser obtidos antes de iniciar clorpromazina, especialmente em pacientes com fatores de risco para disfunção tireoidiana 4.
Monitoramento regular da função tireoidiana é recomendado durante o tratamento, particularmente para pacientes com condições tireoidianas pré-existentes 4.
Sintomas como fadiga, ganho de peso, intolerância ao frio, constipação e depressão podem ser confundidos com efeitos colaterais da clorpromazina, levando a diagnóstico tardio de hipotireoidismo 4. Portanto, avaliação tireoidiana deve ser considerada quando estes sintomas aparecem.
Considerações Especiais
A disfunção tireoidiana deve ser excluída em todos os pacientes com síndrome neuroléptica maligna 2, pois o hipotireoidismo pode mascarar sintomas típicos e complicar o quadro clínico.
Para pacientes em uso prolongado de clorpromazina, especialmente idosos, a vigilância para hipotireoidismo é particularmente importante 1, dado que antipsicóticos típicos como clorpromazina devem ser evitados ou usados com extrema cautela nesta população.
Se hipotireoidismo for detectado, terapia de reposição hormonal tireoidiana apropriada deve ser iniciada enquanto se continua monitorando a função tireoidiana 4.
Armadilhas Clínicas
A principal armadilha é atribuir sintomas de hipotireoidismo aos efeitos colaterais esperados da clorpromazina (sedação, ganho de peso, lentificação), resultando em diagnóstico tardio 4. Mantenha alto índice de suspeição e baixo limiar para solicitar testes tireoidianos em pacientes sintomáticos.