Risperidona e Puberdade Precoce
A risperidona não causa puberdade precoce; pelo contrário, pode potencialmente atrasar a maturação sexual em crianças e adolescentes devido à hiperprolactinemia induzida pelo medicamento. 1
Mecanismo e Efeitos Endócrinos
A risperidona eleva significativamente os níveis de prolactina em crianças e adolescentes através do bloqueio dos receptores dopaminérgicos D2:
- Em estudos controlados pediátricos, 49-87% dos pacientes tratados com risperidona apresentaram níveis elevados de prolactina, comparado a apenas 2-7% no grupo placebo 1
- Os aumentos foram dose-dependentes e geralmente maiores em meninas do que em meninos 1
- Níveis de prolactina podem atingir valores muito elevados (mediana de 59 ng/mL, variando de 30-123 ng/mL) em adolescentes tratados com doses terapêuticas 2
Impacto na Maturação Sexual
Os efeitos da risperidona sobre o desenvolvimento sexual são de atraso, não de aceleração:
- Estudos em animais jovens demonstraram atraso na maturação sexual em todas as doses testadas, tanto em machos quanto em fêmeas 1
- A bula da FDA adverte explicitamente que "os efeitos a longo prazo da risperidona sobre o crescimento e maturação sexual não foram completamente avaliados em crianças e adolescentes" 1
- A hiperprolactinemia crônica em crianças está associada a desenvolvimento puberal atrasado, não precoce 2, 3
Manifestações Clínicas da Hiperprolactinemia
As consequências clínicas da elevação de prolactina incluem:
- Ginecomastia: relatada em 2,3% dos pacientes pediátricos tratados com risperidona em estudos clínicos 1
- Galactorreia: relatada em 0,8% dos pacientes pediátricos 1
- Em séries de casos, até 30% dos adolescentes psicóticos tratados desenvolveram ginecomastia ou galactorreia sintomática 2
Preocupações sobre Desenvolvimento
As preocupações documentadas relacionam-se ao atraso do desenvolvimento, não à aceleração:
- Possível atraso puberal devido à hiperprolactinemia sustentada 2
- Potencial impacto negativo sobre densidade óssea (osteopenia) 2
- Efeitos sobre fertilidade futura 2
- Redução do comprimento e densidade óssea observada em estudos com cães jovens 1
Monitoramento Recomendado
Quando a risperidona é prescrita para crianças e adolescentes:
- Avaliar história familiar de distúrbios metabólicos e endócrinos antes do início 4
- Monitorar peso, IMC ajustado por idade/sexo, e circunferência abdominal regularmente 1, 4
- Estar atento a sinais de hiperprolactinemia: ginecomastia, galactorreia, amenorreia 1, 2
- Considerar dosagem de prolactina sérica se surgirem sintomas relacionados 2, 3
- Avaliar desenvolvimento puberal periodicamente durante tratamento prolongado 1
Armadilhas Comuns
- Não confundir ganho de peso (efeito muito comum) com desenvolvimento puberal precoce 1, 4
- A risperidona deve ser usada com cautela em crianças e adolescentes, dados os efeitos endócrinos pouco compreendidos a longo prazo 2
- Se hiperprolactinemia sintomática ocorrer, considerar tratamento com agonista dopaminérgico (cabergolina) ou troca para antipsicótico alternativo 3