Extrato de Amora e Gestação
Recomendação Principal
Não há evidências científicas suficientes para recomendar o uso de extrato de amora durante a gestação, e produtos à base de plantas devem ser evitados devido aos riscos potenciais de toxicidade fetal, efeitos teratogênicos e abortivos.
Fundamento da Recomendação
Ausência de Dados de Segurança
- Não existem estudos rigorosos de segurança para suplementos dietéticos e produtos à base de plantas durante a gravidez 1
- A Sociedade de Teratologia declarou explicitamente que não se deve presumir que suplementos dietéticos sejam seguros para o embrião ou feto 1
- Produtos herbais contêm substâncias ativas quimicamente similares a medicamentos purificados, com o mesmo potencial para causar efeitos adversos graves 1
Riscos Documentados de Produtos Herbais na Gestação
- Fitoquímicos podem atravessar a placenta e atingir o feto, causando potencialmente embriotoxi cidade, efeitos teratogênicos e abortivos 2
- Plantas medicinais podem induzir estimulação de contrações uterinas e desequilíbrio hormonal que pode resultar em aborto 2
- Alterações no perfil hormonal podem afetar a concepção, induzir atividade teratogênica e interromper a gravidez ou produzir malformações congênitas 2
- Algumas plantas podem ser seguras em certos trimestres e prejudiciais em outros, devido à ampla gama de mecanismos de ação dos fitoquímicos 2
Controle de Qualidade Inadequado
- Produtos herbais apresentam controle de qualidade deficiente e toxicidade documentada 1
- O acesso fácil a estes produtos e a falta de regulamentação na maioria dos países para sua comercialização aumenta os riscos 2
- Produtos herbais são frequentemente considerados "naturais" e, portanto, inofensivos, mas esta crença não tem base científica 1, 2
Evidências Específicas sobre Produtos de Amora (Raspberry Leaf)
Efeitos Biofísicos
- Folha de framboesa (raspberry leaf) demonstrou ter efeitos biofísicos no músculo liso animal e humano, incluindo o útero 3
- Toxicidade foi demonstrada quando altas doses foram administradas por via intravenosa ou intraperitoneal em estudos com animais 3
Estudos em Humanos
- Um estudo duplo-cego, randomizado e controlado por placebo com 192 mulheres nulíparas não encontrou efeitos adversos para mãe ou bebê com o uso de comprimidos de folha de framboesa (2 x 1,2 g por dia) a partir de 32 semanas de gestação 4
- Contrariamente à crença popular, não encurtou o primeiro estágio do trabalho de parto 4
- Os únicos achados clinicamente significativos foram encurtamento do segundo estágio do trabalho de parto (diferença média = 9,59 minutos) e menor taxa de partos com fórceps (19,3% vs. 30,4%) 4
- A base de evidências que apoia o uso de folha de framboesa na gravidez é fraca e mais pesquisas são necessárias 3
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não presumir que produtos "naturais" são automaticamente seguros - esta é uma falácia perigosa que pode expor o feto a riscos desnecessários 1, 2
- Muitas gestantes não consultam médicos sobre o uso de produtos herbais - é essencial questionar ativamente sobre o uso destes produtos em todas as consultas pré-natais 5
- Evitar o uso de qualquer produto herbal no primeiro trimestre, quando o risco de malformações congênitas é maior 2
Orientação Prática
- Aconselhar as mulheres a não expor seus fetos aos riscos de medicamentos herbais 1
- Se uma gestante já está usando extrato de amora, descontinuar imediatamente e monitorar o desenvolvimento fetal com ultrassonografias adicionais 2
- Oferecer alternativas baseadas em evidências para sintomas específicos que a paciente está tentando tratar com produtos herbais 5
- Documentar cuidadosamente o histórico de uso de produtos prescritos, de venda livre e herbais em qualquer caso de elevação inexplicada de testes hepáticos ou outras anormalidades 6