A Febre é um Sinal Positivo da Resposta do Corpo à Infecção
Sim, a febre deve ser considerada um sinal benéfico que indica uma resposta imunológica ativa do corpo contra infecções, representando um mecanismo de defesa evolutivo que aumenta a eficácia da resposta imune. 1
Fundamento Fisiológico da Febre como Defesa
A febre representa uma resposta fisiológica normal e adaptativa que evoluiu ao longo de centenas de milhões de anos no reino animal como mecanismo de defesa contra infecções. 1, 2
A elevação da temperatura corporal desempenha múltiplas funções protetoras:
- Aumenta a performance das células imunológicas, permitindo uma resposta mais eficaz contra patógenos 3
- Causa estresse direto nos patógenos e células infectadas, criando um ambiente hostil para sua replicação 3
- Potencializa componentes específicos e não-específicos da resposta imune quando há elevações moderadas de temperatura 2
- Reduz morbidade e aumenta taxa de sobrevivência em animais infectados por bactérias e vírus, conforme demonstrado em estudos experimentais 2
Evidência Clínica em Humanos
Estudos observacionais em humanos sugerem benefício de sobrevivência associado à febre, e ensaios clínicos randomizados publicados antes da pandemia de COVID-19 não apoiam a redução rotineira da febre em pacientes com infecção. 3
A ausência de febre em pacientes com infecção está associada a piores desfechos clínicos, reforçando seu papel protetor. 1
Contexto Clínico Importante
Embora a febre seja benéfica, ela serve primariamente como sinal de alerta que requer avaliação clínica:
- Em crianças menores de 3 anos, a febre é um dos sintomas mais comuns no departamento de emergência e indica necessidade de diferenciação entre infecções benignas autolimitadas e infecções bacterianas graves 1
- O desafio clínico não é suprimir a febre, mas sim identificar os poucos pacientes com infecções graves que apresentam risco de morbidade e mortalidade a longo prazo 1
- Em idosos institucionalizados, a febre pode apresentar-se de forma atípica ou estar ausente, mas quando presente (≥37.8°C oral), tem 70% de sensibilidade e 90% de especificidade para predizer infecção 1
Implicações para o Manejo Clínico
O princípio da precaução se aplica: a menos que evidências sugiram o contrário, a febre deve seguir seu curso natural. 3
- Bloqueio da febre pode ser prejudicial porque interfere com uma defesa evolutiva contra infecção 3
- Os benefícios de permitir a febre provavelmente superam seus malefícios tanto para indivíduos quanto para a saúde pública 3
- A febre causa mais danos aos patógenos e células infectadas do que às células saudáveis do corpo, representando um mecanismo de defesa não-específico eficaz 3
Ressalvas Importantes
A febre não deve ser interpretada isoladamente:
- Nem todos os pacientes com infecção manifestam febre, especialmente idosos e imunocomprometidos 1, 4
- A febre pode ter causas não-infecciosas que devem ser consideradas sistematicamente 1
- Em pacientes críticos na UTI, a avaliação da febre requer abordagem diagnóstica estruturada para identificar a fonte 1
A decisão de tratar a febre deve considerar o contexto clínico completo, incluindo idade do paciente, estado imunológico, gravidade da doença subjacente e presença de comorbidades que possam ser agravadas pela febre (como insuficiência cardíaca ou neurológica grave).