Tratamento de Polineuropatia Sensorial em Paciente Idoso Após Internação Prolongada
O tratamento deve focar na identificação e correção de causas reversíveis (deficiências nutricionais, medicamentos neurotóxicos, distúrbios metabólicos) combinado com manejo sintomático da dor neuropática usando pregabalina, duloxetina ou gabapentina como primeira linha. 1, 2, 3, 4
Investigação Diagnóstica Inicial
A avaliação deve incluir testes laboratoriais específicos para identificar causas tratáveis:
- Rastreio metabólico e nutricional: glicemia/HbA1c, vitamina B12, folato, TSH, função renal, eletroforese de proteínas séricas 2, 5
- Avaliação de exposições: revisar todos os medicamentos usados durante a internação que possam causar neurotoxicidade (quimioterápicos, antibióticos, sedativos) 1, 5
- Exame neurológico focado: testar sensibilidade à temperatura e picada de agulha (fibras pequenas), sensibilidade vibratória com diapasão 128-Hz (fibras grandes), e teste com monofilamento 10-g 1, 2
Armadilha comum: Em pacientes idosos após internação prolongada, não assumir que a neuropatia é "apenas diabética" ou "idiopática" sem investigar deficiências nutricionais (especialmente B12), uremia, hipotireoidismo, ou medicamentos neurotóxicos administrados durante a hospitalização 2, 5, 6
Quando Solicitar Eletroneuromiografia
A eletroneuromiografia NÃO é necessária quando o paciente apresenta perda sensorial distal simétrica clássica em distribuição de "meia e luva", reflexos aquileus reduzidos, e fatores de risco conhecidos 2
Indicações para eletroneuromiografia 1, 2:
- Apresentação atípica ou assimétrica
- Suspeita de mononeuropatia múltipla
- Fraqueza motora proeminente
- Progressão rápida ou incerta do diagnóstico
Não repetir eletroneuromiografia para monitoramento de rotina de neuropatia estável; o exame neurológico seriado é suficiente 1, 2
Tratamento Farmacológico da Dor Neuropática
Medicamentos de Primeira Linha
- Dose inicial: 75 mg duas vezes ao dia
- Titulação: aumentar para 150 mg duas vezes ao dia após 1 semana
- Dose máxima: 300 mg duas vezes ao dia (se necessário e tolerado)
- Evidência Classe A para dor neuropática diabética 1
- Dose inicial: 30 mg uma vez ao dia por 1 semana
- Dose alvo: 60 mg uma vez ao dia
- Dose máxima: 60 mg duas vezes ao dia (se necessário)
- Comprovadamente eficaz em neuropatia periférica diabética 4
- Dose inicial: 300 mg à noite
- Titulação gradual até 900-3600 mg/dia divididos em três doses
- Alternativa quando pregabalina não está disponível ou não tolerada
Considerações Especiais para Idosos
- Iniciar com doses mais baixas e titular mais lentamente devido ao risco aumentado de sedação, tontura e quedas 2
- Ajustar para função renal: pregabalina e gabapentina requerem redução de dose em insuficiência renal 3
- Monitorar efeitos colaterais: sedação, edema periférico, ganho de peso (pregabalina/gabapentina); náusea, boca seca (duloxetina) 3, 4
Tratamento de Causas Específicas
Deficiências Nutricionais
- Deficiência de B12: reposição com cianocobalamina 1000 mcg IM semanalmente por 4-8 semanas, depois mensalmente 2, 5
- Deficiência de folato: ácido fólico 1-5 mg/dia oral 2
Neuropatia Urêmica
- Otimização da diálise se o paciente estiver em terapia renal substitutiva 2
- Considerar transplante renal em casos elegíveis 2
Medicamentos Neurotóxicos
- Suspender ou substituir agentes causadores quando possível 1, 5
- Exemplos comuns: talidomida, bortezomibe, alguns antibióticos (metronidazol, linezolida), amiodarona 1
Manejo de Sintomas Autonômicos
Se houver hipotensão ortostática (comum em neuropatia de fibras pequenas) 1, 2:
- Aumentar ingesta de sal e líquidos
- Meias de compressão
- Fludrocortisona 0,1-0,2 mg/dia
- Midodrina 2,5-10 mg três vezes ao dia
- Droxidopa (se disponível)
Terapias Não-Farmacológicas
- Fisioterapia: exercícios de equilíbrio e fortalecimento para prevenir quedas, especialmente quando há perda proprioceptiva 2, 7
- Terapia ocupacional: adaptações para atividades de vida diária 2
- Cuidados com os pés: inspeção diária, calçados adequados, especialmente se houver perda de sensibilidade protetora 1
Prognóstico e Acompanhamento
A maioria dos casos de polineuropatia sensorial criptogênica em idosos tem curso benigno e lentamente progressivo, com preservação da deambulação 8. O foco deve ser:
- Controle da dor neuropática com titulação adequada de medicamentos 1, 2
- Prevenção de quedas através de fisioterapia e avaliação do ambiente domiciliar 2, 7
- Reavaliação periódica para identificar causas que possam emergir posteriormente (aproximadamente 30% dos casos inicialmente "idiopáticos" eventualmente recebem diagnóstico específico) 6
- Monitoramento clínico a cada 3-6 meses com exame neurológico, sem necessidade de eletroneuromiografia repetida 1, 2
Caveat importante: Mesmo sem sintomas motores na apresentação inicial, 60% dos pacientes com neuropatia sensorial criptogênica têm estudos de condução motora anormais e 70% têm evidência eletromiográfica de desnervação, indicando que o envolvimento isolado de fibras pequenas é incomum 8