Investigação Reumatológica em Trombose Venosa Central em Jovens
Em jovens com trombose venosa central, deve-se solicitar um painel completo de trombofilias incluindo antitrombina, proteína C, proteína S, fator V de Leiden, e fator VIII, além de investigação para síndrome antifosfolípide e marcadores inflamatórios. 1, 2
Painel de Trombofilias Hereditárias
Testes essenciais a serem solicitados:
- Antitrombina, Proteína C e Proteína S: Deficiências destes anticoagulantes naturais são os marcadores mais comuns em crianças e jovens com trombose venosa central, especialmente quando associada a nutrição parenteral prolongada 2
- Fator V de Leiden: Deve ser testado em todos os jovens com trombose venosa, particularmente em localizações incomuns como veias hepáticas, mesentéricas e cerebrais 3
- Fator VIII elevado: Níveis aumentados estão frequentemente associados a trombose venosa central em jovens, provavelmente refletindo inflamação crônica ou insuficiência hepática 2
A deficiência combinada de proteína C e S tem correlação estatisticamente significativa com múltiplas tromboses venosas centrais 2. Em jovens com menos de 50 anos, a investigação de trombofilias é particularmente importante, pois múltiplos fatores de risco geralmente precisam estar presentes para precipitar a trombose 4.
Investigação de Síndrome Antifosfolípide
Marcadores autoimunes a solicitar:
- Anticorpos antifosfolípides: Anticoagulante lúpico, anticardiolipina IgG e IgM, e anti-beta-2-glicoproteína I 3
- Fator reumatoide e FAN: Para rastreio de doenças autoimunes sistêmicas que podem predispor a trombose 3
A síndrome antifosfolípide é uma causa importante de trombose venosa recorrente e perda fetal recorrente em jovens, e seu diagnóstico pode influenciar significativamente o manejo terapêutico 3.
Marcadores de Função Hepática e Inflamação
- Albumina sérica: Níveis baixos (< 2,8 g/dL) estão significativamente associados a trombose venosa central, refletindo insuficiência hepática que reduz a síntese de anticoagulantes naturais 2
- Provas de função hepática completas: Transaminases, bilirrubinas, tempo de protrombina e INR para avaliar a capacidade de síntese hepática 2
Contexto Clínico Específico
Em jovens com cateter venoso central:
- A investigação deve ser ainda mais abrangente, pois 50-80% de todas as tromboses venosas profundas em crianças estão relacionadas a cateteres 5
- Considerar que a deficiência de anticoagulantes naturais pode ser secundária à insuficiência hepática relacionada à nutrição parenteral prolongada 2
Em trombose de seio venoso cerebral:
- A investigação deve incluir todos os marcadores acima, pois esta localização está frequentemente associada a estados de hipercoagulabilidade, infecção, trauma e desidratação 3, 6
- Ressonância magnética com venografia é o método diagnóstico de escolha para confirmar a trombose antes de iniciar a investigação laboratorial 3, 6
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não realizar testes durante anticoagulação aguda: Proteína C, proteína S e antitrombina podem estar falsamente reduzidas durante o uso de heparina ou varfarina 3
- Não limitar a investigação pela idade: Embora a idade avançada seja fator de risco, estudos mostram que o primeiro episódio de tromboembolismo venoso em portadores de fator V de Leiden geralmente ocorre após os 50 anos, portanto a investigação não deve ser limitada apenas a pacientes muito jovens 3
- Considerar múltiplos fatores de risco: Em jovens, raramente um único fator é suficiente para causar trombose; geralmente dois ou mais fatores de risco precisam estar presentes 4
Timing da Investigação
A investigação completa deve ser realizada idealmente após a fase aguda e após descontinuação da anticoagulação (quando seguro), para evitar resultados falsamente alterados 3. No entanto, o fator V de Leiden e outros testes genéticos podem ser realizados a qualquer momento 3.