Para Que Serve a Amiodarona
A amiodarona é um antiarrítmico potente usado principalmente para tratar arritmias ventriculares com risco de morte e fibrilação atrial, sendo particularmente eficaz em pacientes com disfunção ventricular esquerda. 1, 2
Indicações Principais
Arritmias Ventriculares
- A FDA aprovou a amiodarona especificamente para prevenção secundária de arritmias ventriculares com risco de morte, incluindo fibrilação ventricular e taquicardia ventricular hemodinamicamente instável refratária a outras terapias 1, 3
- A North American Society for Pacing and Electrophysiology (NASPE) recomenda amiodarona como agente antiarrítmico de escolha em pacientes que sobreviveram a taquiarritmias ventriculares sustentadas, especialmente aqueles com disfunção ventricular esquerda 1, 2
- É indicada para tratamento de emergência de taquiarritmias ventriculares com início rápido do efeito antiarrítmico 2
Fibrilação Atrial
- Embora não seja a indicação aprovada pela FDA, a amiodarona é amplamente utilizada para tratamento de fibrilação atrial, sendo mais eficaz que sotalol ou propafenona na prevenção de recorrências 1
- Diretrizes recomendam amiodarona como medicamento de segunda linha para tratamento de longo prazo de fibrilação atrial em pacientes com doença cardíaca estrutural e em pacientes altamente sintomáticos sem doença cardíaca 2
Benefícios em Mortalidade
Insuficiência Cardíaca
- Em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, a amiodarona reduz a mortalidade anual de 24,3% para 19,9% (redução de risco absoluto de 4%; número necessário para tratar = 23) 1, 2
- Uma meta-análise de 13 estudos mostrou redução modesta na mortalidade total anual de 12,3% para 10,9% em pacientes com insuficiência cardíaca ou infarto do miocárdio recente 1
Limitações Importantes
- Cardioversores-desfibriladores implantáveis (CDIs) são mais eficazes que amiodarona na redução de mortalidade em pacientes de alto risco com infarto prévio, devendo ser o tratamento primário 1
- Nestes pacientes, amiodarona pode ser usada como adjuvante para reduzir a frequência de choques do CDI ou controlar fibrilação atrial em pacientes altamente sintomáticos 1, 2
Mecanismo de Ação
Efeitos Eletrofisiológicos Múltiplos
- A amiodarona é classificada como droga classe III (classificação de Vaughan Williams), mas possui propriedades de todas as quatro classes de antiarrítmicos 1, 4
- Prolonga o intervalo QT e a refratariedade (bloqueio de canais de potássio e sódio) 1
- Reduz a frequência cardíaca e a condução atrioventricular (bloqueio de canais de cálcio e receptores beta) 1, 5
- Retarda a condução intracardíaca (bloqueio de canais de sódio) 1
Considerações Críticas de Segurança
Toxicidade e Monitoramento Obrigatório
- Estudos de função tireoidiana e hepática devem ser realizados pelo menos a cada seis meses durante terapia de longo prazo 1, 2
- Avaliação da função pulmonar deve ser incluída no monitoramento regular 2
- A amiodarona tem meia-vida extremamente longa (média de 58 dias), resultando em início tardio de efeitos terapêuticos e adversos 1, 2
Efeitos Adversos Comuns
- Praticamente todos os pacientes desenvolvem microdepositos corneanos (>90%), embora geralmente não afetem a visão significativamente 6
- Toxicidade pulmonar ocorre em 1-17% dos pacientes, incluindo fibrose pulmonar e síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) 3, 6
- Disfunção tireoidiana (hipotireoidismo 6%, hipertireoidismo 0,9-2%) 6
- Hepatotoxicidade com elevação de enzimas (15-30%) 6
- Neuropatia óptica/neurite pode resultar em perda permanente da visão, exigindo avaliação oftalmológica imediata se houver alterações visuais 3
Interações Medicamentosas Importantes
- A amiodarona duplica os níveis séricos de digoxina, exigindo monitoramento cuidadoso 2, 5
- Aumenta o efeito da varfarina, com efeitos de interação atingindo pico apenas sete semanas após início da terapia concomitante 1, 2
- Inibe metabolismo através de várias vias do citocromo P450, incluindo CYP 2D6 que metaboliza vários betabloqueadores 5
- Pode causar prolongamento do QTc quando coadministrada com fluoroquinolonas, antibióticos macrolídeos ou azóis 3
Dosagem
Via Oral para Arritmias Ventriculares
- Dose de ataque: 800-1600 mg/dia em doses divididas até total de 10g, seguido de manutenção de 200-400 mg/dia 2
Via Intravenosa para Arritmias com Risco de Morte
- Bolus de 150 mg IV durante 10 minutos (pode ser repetido em 10-30 minutos se necessário), seguido de 1 mg/minuto por 6 horas, depois 0,5 mg/minuto por 18 horas 2, 3
Via Oral para Fibrilação Atrial
- Dose de ataque: 600-800 mg/dia em doses divididas até total de 10g, seguido de manutenção de 200 mg/dia 2