Leite de Magnésia para Constipação: Indicação Confirmada
Sim, o leite de magnésia (hidróxido de magnésio) está indicado para o tratamento da constipação, funcionando como um laxativo osmótico eficaz que geralmente produz evacuação em 30 minutos a 6 horas. 1
Mecanismo de Ação e Posicionamento Terapêutico
O leite de magnésia é um laxativo osmótico que atrai água para o intestino, amolecendo as fezes e facilitando a passagem 2. Os laxativos osmóticos, incluindo sais de magnésio e sulfato, são fortemente endossados em revisões sistemáticas para constipação crônica e são considerados laxativos preferidos em doenças avançadas 3.
Algoritmo de Uso Clínico
A abordagem gradual recomendada é:
- Primeira linha: Modificações dietéticas e aumento da ingestão de fibras 2
- Segunda linha: Adicionar leite de magnésia 30 mL (2.400 mg) ao deitar se resposta insuficiente 2
- Terceira linha: Considerar adicionar laxativo estimulante ou mudar para PEG ou outros agentes se a constipação persistir 2
Dosagem e Administração
- Dose típica: Aproximadamente 30 mL (1 onça) duas vezes ao dia 2
- Alternativa comum: Dose única ao deitar, frequentemente suficiente 2
- A Associação Americana de Gastroenterologia sugere o leite de magnésia como parte de uma abordagem gradual após aumento da ingestão de fibras 2
Precauções Críticas e Contraindicações
Evitar absolutamente em pacientes com insuficiência renal significativa (clearance de creatinina <20 mL/min) devido ao risco de hipermagnesemia 2. As diretrizes ESMO também alertam que doses excessivas de sais de magnésio oral podem levar à hipermagnesemia, devendo ser usados com cautela na insuficiência renal 3.
Outras Precauções Importantes:
- Consultar médico antes do uso se: doença renal, dieta com restrição de magnésio, dor abdominal, ou mudança súbita nos hábitos intestinais por mais de 14 dias 1
- Interromper e consultar médico se: sangramento retal ou ausência de evacuação após uso (podem ser sinais de condição grave) 1
- Populações especiais: Idosos devem usar com cautela devido ao risco aumentado de distúrbios eletrolíticos; gestantes devem usar sob supervisão médica 2
Eficácia Comparativa
Estudos pediátricos randomizados demonstram que o leite de magnésia é eficaz, embora o PEG possa ter vantagens:
- Meta-análise de 3 estudos (211 participantes) mostrou que PEG produziu significativamente mais evacuações por semana que leite de magnésia (diferença média 0,69, IC 95% 0,48-0,89), embora a magnitude dessa diferença seja pequena e possa não ser clinicamente significativa 4
- Estudo randomizado de 12 meses mostrou que ambos foram igualmente eficazes no tratamento de longo prazo, mas PEG teve melhor aceitação (95% vs 65% de adesão) 5
- Após 12 meses, 62% dos pacientes tratados com PEG e 43% dos tratados com leite de magnésia apresentaram melhora 5
Segurança e Efeitos Adversos
O leite de magnésia não causou efeitos adversos clinicamente significativos ou anormalidades sanguíneas em estudos de longo prazo 5. Efeitos adversos comuns incluem flatulência, dor abdominal, náusea, diarreia e cefaleia 3, 4.
Custo-Efetividade
O leite de magnésia é um agente osmótico extremamente econômico, com custo diário aproximado de $1 ou menos 2, tornando-o uma opção acessível para tratamento de longo prazo.
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não ignorar a função renal: Sempre verificar clearance de creatinina antes de prescrever em pacientes com suspeita de insuficiência renal 2
- Não usar por mais de 1 semana sem reavaliação médica 1
- Não assumir que constipação com diarreia é paradoxal: Pode indicar impactação fecal com overflow, requerendo abordagem diferente 3
- Considerar interações medicamentosas: O produto pode interagir com certos medicamentos prescritos 1