Medicação para Jogo Patológico
A naltrexona é o medicamento com a evidência mais forte para reduzir os impulsos e comportamentos de jogo, devendo ser sempre administrada como adjuvante ao tratamento comportamental, nunca como monoterapia. 1
Abordagem Farmacológica Baseada em Evidências
Naltrexona como Primeira Linha Farmacológica
- A naltrexona tem a evidência mais robusta para tratamento do transtorno de jogo patológico, atuando nas vias de recompensa dopaminérgicas que sustentam o comportamento aditivo 1
- O mecanismo de ação envolve o bloqueio dos receptores opioides, reduzindo a liberação de dopamina no núcleo accumbens associada ao comportamento de jogo 2
Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS)
- Estudos preliminares indicam que a disfunção serotoninérgica está implicada no jogo patológico 3
- Clomipramina e fluvoxamina podem ser eficazes no tratamento deste transtorno, embora a evidência seja menos robusta que para naltrexona 3
Princípio Fundamental: Farmacoterapia Sempre como Adjuvante
A farmacoterapia deve SEMPRE ser administrada como adjuvante ao tratamento comportamental, nunca como monoterapia. 1 Esta é uma recomendação crítica baseada em evidências de que:
- A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) estruturada melhora respostas que atingiram platô com medicação isolada 1
- A TCC tem a base de evidências mais forte e deve ser a abordagem inicial de tratamento, visando distorções cognitivas específicas do jogo 1
- A combinação de Entrevista Motivacional com TCC é particularmente eficaz para pacientes ambivalentes sobre mudança 1
Algoritmo de Tratamento Recomendado
- Iniciar com TCC individual ou em grupo como tratamento primário 1, 4
- Adicionar naltrexona se a resposta à TCC for inadequada ou para sintomas graves de impulso 1
- Considerar ISRS (clomipramina ou fluvoxamina) se houver comorbidade com sintomas obsessivo-compulsivos ou depressivos 3
- Integrar Entrevista Motivacional para pacientes com baixa motivação para mudança 1
Considerações Clínicas Essenciais
Comorbidades Frequentes
- Abordar sistematicamente as comorbidades, pois o transtorno de jogo frequentemente coexiste com TDAH, problemas de controle de impulsos, sintomas compulsivos e transtornos por uso de substâncias 1
- A presença de comorbidades não modera os resultados do tratamento, mas requer manejo integrado 5
Armadilha Clínica Importante
- Estar vigilante para o desenvolvimento de jogo patológico em pacientes com doença de Parkinson em uso de medicações dopaminérgicas, pois há evidência clara de sobreposição comórbida e risco aumentado de transtornos de controle de impulsos 1, 2
- Medicações dopaminérgicas aumentam o risco de jogo patológico ao amplificar as vias de recompensa já disfuncionais 2
Evidências sobre Eficácia do Tratamento
- Intervenções para transtorno de jogo reduzem significativamente os sintomas (tamanho de efeito g = 1,38) e tempo de jogo (g = 0,90), com efeitos sustentados em seguimento de 90 dias 5
- A TCC individual reduz o jogo em comparação com encaminhamento isolado para Jogadores Anônimos, com melhorias clinicamente significativas mantidas ao longo do seguimento 4
- Adolescentes demonstram efeitos de tratamento maiores que adultos, sugerindo intervenção precoce 5
Lacunas na Evidência
- Ensaios clínicos randomizados de farmacoterapia para transtorno de jogo são necessários 6
- Intervenções farmacológicas requerem estudo adicional, isoladamente ou combinadas com terapias psicológicas 5
- A literatura atual tem limitações metodológicas incluindo abordagens diagnósticas inconsistentes e seguimentos relativamente curtos 5