Configurações de Potência do Bisturi Elétrico em Cirurgia Plástica
As diretrizes recomendam usar as configurações de potência mais baixas possíveis para hemostasia efetiva, com rajadas curtas e intermitentes, independentemente de usar um ou dois eletrodos, priorizando sistemas bipolares quando viável para minimizar dano térmico aos tecidos circundantes. 1, 2
Princípios Fundamentais de Configuração de Potência
A Organização Mundial da Saúde e a Sociedade Americana de Anestesiologistas estabelecem que minimizar lesão térmica requer usar as configurações de potência mais baixas possíveis, empregando rajadas curtas, intermitentes e irregulares, evitando dissecção prolongada no mesmo local. 2, 1
Configurações Específicas por Modo
Modo de Corte (Monopolar):
- Potência: 6-10W para incisões cutâneas com eletrodo de agulha fina 3
- Forma de onda: Sinusoidal de 330 kHz 3
- Estudos em neurocirurgia demonstram segurança com 6W para incisão cutânea 3, 4
Modo de Coagulação:
- Dissecção subcutânea: 10W com forma de onda modulada por pulso de 1 MHz 3
- Incisão da gálea: 20W com forma de onda modulada por pulso de 1 MHz 3
- Estudos veterinários mostram que 10W, 20W e 30W melhoram hemostasia, mas potências maiores aumentam complicações 5
Diferenças Entre Sistemas Monopolar e Bipolar
Sistema Bipolar (Preferencial):
- A Sociedade Americana de Anestesiologistas recomenda fortemente sistemas bipolares sobre monopolares, pois confinam o fluxo de corrente entre as duas pontas da pinça e produzem interferência eletromagnética mínima 6, 1
- Produz menos dano térmico colateral aos tecidos adjacentes 2
- Não requer placa de aterramento, eliminando risco de queimaduras por mau posicionamento 1
Sistema Monopolar:
- Requer posicionamento cuidadoso da placa de aterramento para evitar que o trajeto da corrente passe por estruturas críticas 1, 6
- A placa deve ser posicionada de modo que o trajeto da corrente não passe através ou próximo ao gerador de pulso ou cabos de dispositivos implantados 1
- Maior risco de dano térmico lateral comparado ao bipolar 2
Técnica de Aplicação Recomendada
Independentemente do número de eletrodos utilizados, as diretrizes da Sociedade Americana de Anestesiologistas especificam:
- Usar rajadas curtas, intermitentes e irregulares ao invés de ativação contínua 1, 7, 6
- Evitar tempos prolongados de dissecção no mesmo local para reduzir fumaça cirúrgica 1
- Manter visualização direta da área alvo para prevenir lesão tecidual excessiva 7
- Usar sistemas de evacuação de fumaça com todos os dispositivos de energia para reduzir risco de exposição a aerossóis 2
Considerações Específicas para Cirurgia Plástica
O Colégio Americano de Cirurgiões recomenda eletrocoagulação monopolar ou energia bipolar convencional como dispositivos de primeira linha para cirurgia ginecológica de rotina devido aos perfis de custo-efetividade e segurança comprovados. 2
Dispositivos Avançados (Ultrassônico/Harmônico):
- Reservados para casos complexos que requerem hemostasia aprimorada ou redução de dispersão térmica 2
- Produzem substancialmente menos lesão térmica colateral que eletrocirurgia monopolar ou bipolar, com temperaturas teciduais permanecendo abaixo de 100°C durante ativação 2
- Custos significativamente maiores de equipamento e manutenção comparados a eletrocirurgia monopolar/bipolar 2
Armadilhas Comuns a Evitar
- Nunca usar configurações de potência excessivas, pois aumentam dano térmico lateral sem melhorar eficácia 2
- Nunca posicionar placas de aterramento em locais padrão sem considerar o trajeto da corrente, especialmente em pacientes com dispositivos implantados 6
- Nunca usar cauterização contínua ou de alta potência quando trabalhar próximo a estruturas sensíveis 7, 6
- Evitar carbonização da ferida, que ocorre com potências excessivas 3
Evidências de Segurança e Cicatrização
Estudos demonstram que incisões com eletrocautério em potências apropriadas (6-10W modo corte) não causam carbonização da ferida, apresentam sangramento mínimo e não requerem clipes cutâneos. 3, 4 Entretanto, estudos veterinários mostram que todas as configurações de eletrocirurgia (10W, 20W, 30W) atrasaram cicatrização e aumentaram complicações nos primeiros 7 dias comparado a incisões com bisturi frio. 5
A Sociedade Mundial de Cirurgia de Emergência recomenda manter as configurações de potência de eletrocautério tão baixas quanto possível durante laparotomia para reduzir fumaça cirúrgica. 1