Como Tratar a Exaustão Causada por Lisdexanfetamina
A melhor estratégia é trocar para metilfenidato de liberação prolongada (como OROS-metilfenidato/Concerta), começando com 36 mg uma vez ao dia pela manhã, pois o metilfenidato causa significativamente menos fadiga e distúrbios do sono comparado às anfetaminas. 1
Fundamento Farmacológico da Troca
A lisdexanfetamina é uma pró-droga de anfetamina com duração de ação de 13-14 horas, o que pode causar fadiga de rebote quando os níveis plasmáticos caem rapidamente. 2, 3 O metilfenidato, por outro lado, tem perfil farmacológico diferente:
- A dexanfetamina (metabólito ativo da lisdexanfetamina) é um psicoestimulante mais potente que o metilfenidato, o que pode explicar sua maior associação com fadiga de rebote. 1
- O metilfenidato causa significativamente menos distúrbios do sono e fadiga comparado às anfetaminas, tornando-o a escolha lógica para pacientes com queixas de exaustão. 1
Protocolo de Troca Recomendado
Implementação Imediata
- Não é necessário fazer desmame cruzado entre classes de estimulantes - pode-se iniciar o metilfenidato no dia seguinte à suspensão da lisdexanfetamina. 4
- Iniciar com OROS-metilfenidato 36 mg uma vez ao dia pela manhã, que fornece cobertura de 12 horas com níveis plasmáticos mais consistentes. 4, 1
Titulação
- Avaliar a resposta após 1 semana com a dose de 36 mg. 4
- Se a resposta for inadequada, aumentar para 54 mg uma vez ao dia (dose máxima para OROS-metilfenidato). 4
Vantagens das Formulações de Liberação Prolongada
- As formulações de liberação prolongada fornecem níveis plasmáticos mais consistentes ao longo do dia, reduzindo potencialmente a fadiga associada às flutuações dos níveis da droga. 1
- O OROS-metilfenidato fornece a maior duração de cobertura (12 horas) entre as formulações de metilfenidato, prevenindo quedas nos níveis plasmáticos que causam fadiga de rebote. 4, 1
- Formulações de ação prolongada estão associadas a melhor adesão medicamentosa e provavelmente menor risco de efeitos de rebote comparadas às formulações de curta ação. 4
Monitoramento na Primeira Semana
Durante os primeiros 7 dias após a troca, monitorar:
- Controle dos sintomas de TDAH usando escalas padronizadas. 4
- Qualidade do sono e níveis de fadiga. 4
- Pressão arterial e frequência cardíaca. 5, 4
- Agitação e insônia (efeitos colaterais mais comuns do metilfenidato). 5
Estratégias Adicionais de Manejo
Timing das Doses
- Administrar o metilfenidato pela manhã para prevenir insônia. 5
- Evitar qualquer dose de metilfenidato após 14h para minimizar distúrbios do sono. 4
Se a Fadiga Persistir
- Reduzir a dose se os efeitos colaterais ocorrerem, pois a maioria é reversível com a descontinuação. 5
- Considerar que a fadiga inicial pode melhorar espontaneamente com o tratamento continuado. 1
- Se a insônia persistir apesar da dosagem apenas matinal, considerar tratamento separado com terapia cognitivo-comportamental para insônia. 4
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não assumir que toda irritabilidade no final do dia é rebote - doses muito altas podem causar irritabilidade nos picos (1-3 horas após a dose). 4
- Não usar formulações antigas de liberação sustentada - elas fornecem apenas 4-6 horas de ação, não cobertura completa do dia. 4, 1
- Não ignorar padrões temporais - documentar quando os sintomas ocorrem em relação à dosagem para distinguir efeitos de pico versus rebote. 4
- Monitorar parâmetros cardiovasculares - hipertensão, palpitações e taquiarritmias podem ocorrer, particularmente em pacientes com doença cardíaca subjacente. 5
Contraindicações do Metilfenidato
Evitar metilfenidato em pacientes com: