Sim, pacientes com melanoma podem desenvolver miopatia
Pacientes com melanoma podem desenvolver miopatia através de mecanismos paraneoplásicos, sendo a dermatomiosite a manifestação mais frequentemente relatada, embora seja rara. 1, 2, 3
Mecanismos de Miopatia Associada ao Melanoma
Síndromes Paraneoplásicas Neurológicas e Musculares
A dermatomiosite paraneoplásica é a miopatia mais comumente associada ao melanoma, caracterizada por fraqueza muscular proximal simétrica, lesões cutâneas distintivas e manifestações sistêmicas 1, 2
A fisiopatologia envolve produção de autoanticorpos contra antígenos neuronais ou tumorais, reações imuno-mediadas, ou liberação de citocinas e fatores de crescimento pelo tumor 1
Expressões antigênicas compartilhadas entre músculo em regeneração e cânceres sugerem que a miosite pode representar uma resposta imune antitumoral com dano colateral ao músculo 2
Apresentações Clínicas Específicas
Pacientes podem apresentar dermatomiosite com anticorpos anti-SUMO1 e anti-MDA5 (melanoma differentiation-associated gene 5), mesmo com níveis normais de creatina quinase 4
A miopatia inflamatória grave pode estar presente na biópsia muscular apesar de níveis normais de CK, enfatizando a importância do exame físico sobre resultados laboratoriais contraditórios 4
Prognóstico e Implicações Clínicas
Valor Prognóstico da Dermatomiosite
A dermatomiosite associada ao melanoma em estágio IV tem prognóstico extremamente ruim, com taxa de sobrevida atuarial de 1 ano de 0% e tempo médio de sobrevida de 6 meses 3
Para melanoma em estágio III com dermatomiosite, a taxa de sobrevida de 1 ano é de 60% com tempo médio de sobrevida de 57 meses, similar a pacientes sem dermatomiosite 3
O estágio AJCC do melanoma é o fator prognóstico mais significativo quando há dermatomiosite concomitante 3
Momento de Aparecimento
A dermatomiosite pode ocorrer antes, concomitantemente ou após o diagnóstico de melanoma 3
O intervalo de tempo entre o início da dermatomiosite e a progressão do melanoma não está relacionado ao prognóstico 3
Caquexia Tumoral e Atrofia Muscular
Mecanismos Moleculares
Pacientes com melanoma podem desenvolver atrofia muscular progressiva e fraqueza através da síndrome de caquexia cancerosa, que inclui perda de peso corporal e tecido adiposo 5
A atrofia muscular envolve disfunção mitocondrial, estresse oxidativo metabólico aumentado e ativação catabólica do sistema ubiquitina-proteassoma (UPS), incluindo upregulation de MuRF1 5
A inibição de MuRF1 pode representar uma estratégia adequada para atenuar a atrofia e disfunção muscular esquelética durante a caquexia tumoral 5
Abordagem Diagnóstica
Investigação de Malignidade em Miopatias Inflamatórias
Pacientes com miopatias inflamatórias idiopáticas (MII) têm risco aumentado de desenvolver malignidade comparado à população normal 2
A descoberta do autoanticorpo anti-155/140 pode auxiliar no melhor diagnóstico de pacientes adultos com MII e maior risco de malignidade 2
Exames específicos para detecção de câncer subjacente são importantes no manejo de pacientes com miosite, pois o prognóstico e expectativa de vida são determinados pela malignidade subjacente 2
Diferenciação da Miosite Primária
A miosite associada ao câncer difere da miosite primária em muitos aspectos clínicos e laboratoriais 2
História e exame físico detalhados são essenciais mesmo quando os resultados laboratoriais são contraditórios, incluindo avaliação de fraqueza muscular proximal progressiva, disfagia, rash hiperpigmentado e pápulas de Gottron 4
Considerações de Tratamento
O manejo das síndromes paraneoplásicas associadas ao melanoma foca primariamente no tratamento da malignidade subjacente, o que pode levar à resolução ou melhora das manifestações paraneoplásicas 1
Terapias imunomoduladoras, incluindo corticosteroides, imunoglobulinas intravenosas e plasmaférese, podem ser consideradas em casos selecionados para ameliorar sintomas e suprimir a resposta autoimune 1