Elevação de CK na Polimiosite
Na polimiosite, os níveis de creatina quinase (CK) estão tipicamente elevados de forma moderada a acentuada, com valores frequentemente variando entre 5 a 50 vezes o limite superior da normalidade, embora possam ser ainda mais altos em casos graves.
Magnitude Típica da Elevação
A elevação de CK na polimiosite apresenta um padrão característico que auxilia no diagnóstico e monitoramento:
A elevação de enzimas musculares é um dos critérios diagnósticos centrais de Bohan e Peter para polimiosite, juntamente com fraqueza muscular proximal, alterações eletromiográficas e infiltrado inflamatório na biópsia muscular 1.
Estudos clínicos demonstram que 64% dos pacientes com polimiosite apresentam CK elevada, com valores que podem variar significativamente entre os casos 2.
Para fins de avaliação de resposta terapêutica, considera-se que a CK pode estar elevada até 15 vezes o limite superior da normalidade em casos de polimiosite ativa 1.
Distinção de Outras Miopatias
É fundamental diferenciar a polimiosite de outras condições com base nos níveis de CK:
A miopatia necrosante imunomediada (IMNM) apresenta elevações muito mais dramáticas, frequentemente superiores a 10 vezes o limite superior da normalidade, com início agudo ou subagudo de fraqueza proximal grave 1, 3.
A síndrome tipo polimialgia reumática apresenta mialgia severa mas mantém níveis de CK normais, distinguindo-se claramente da polimiosite verdadeira 4.
A miosite por corpo de inclusão tipicamente mostra elevações mínimas de CK, contrastando com o padrão da polimiosite clássica 1.
Armadilhas Diagnósticas Importantes
Existem situações que podem confundir a interpretação dos níveis de CK:
CK normal não exclui completamente polimiosite, especialmente em casos associados a doenças do tecido conjuntivo, onde 36% dos pacientes podem ter CK normal ou apenas moderadamente elevada 2, 5, 6.
A dermatomiosite amiopática ou hipomiopática pode apresentar CK normal ou apenas levemente elevada apesar de inflamação muscular ativa, exigindo abordagem diagnóstica abrangente 4.
A fração CK-MB pode aumentar durante o tratamento devido à regeneração de fibras musculares, não indicando necessariamente envolvimento cardíaco 5.
Monitoramento da Atividade da Doença
A CK serve como biomarcador para acompanhamento terapêutico:
As subisoenzimas MM da CK (MM1, MM2, MM3) podem correlacionar-se melhor com a evolução clínica do que a CK total, com proporções de MM1 >30% ou razão MM3/MM1 <1 associadas a melhora ou estabilidade da doença 7.
Melhora de >40% nos níveis de CK corresponde a 7,5 pontos no escore de resposta terapêutica segundo critérios ACR/EULAR 2016 1.
Pacientes com CK marcadamente elevada (>3x o normal) e fraqueza devem iniciar corticosteroides em altas doses imediatamente e ser avaliados para complicações potencialmente fatais como miocardite 4.
Avaliação Complementar
Quando há suspeita clínica mas CK normal ou levemente elevada:
Medir enzimas musculares adicionais (aldolase, AST, ALT, LDH), pois uma pode estar elevada quando a CK está normal 4, 3.
A biópsia muscular permanece ferramenta diagnóstica crucial quando o diagnóstico é incerto, mesmo com CK elevada 4.
Ressonância magnética e ultrassonografia auxiliam na identificação da distribuição das lesões e na escolha do local ideal para biópsia, já que as alterações histológicas podem ser distribuídas de forma irregular 5.