Manejo Conservador em Estenose Aórtica Grave com Múltiplas Comorbidades
O manejo conservador é apropriado quando a expectativa de vida é inferior a 1 ano ou quando as comorbidades (não a estenose aórtica) dominam o estado de saúde geral do paciente, incluindo demência moderada a grave, insuficiência hepática ou pulmonar avançada, ou câncer terminal. 1
Critérios Específicos para Manejo Conservador
Situações em que o Manejo Conservador é Apropriado
Comorbidades Extensas que Superam os Benefícios da Revascularização:
- Insuficiência hepática ou pulmonar avançada onde os riscos da intervenção excedem claramente os benefícios 1
- Câncer ativo com prognóstico limitado 1
- Demência moderada a grave, onde a qualidade de vida não seria significativamente melhorada pela intervenção 1
- Expectativa de vida inferior a 1 ano por qualquer causa 1
Características Clínicas Específicas:
- Quando os sintomas são predominantemente causados pelas comorbidades e não pela estenose aórtica 1
- Estenose aórtica pseudograve (não verdadeiramente grave) identificada por ecocardiografia com dobutamina em baixa dose 1
- Disfunção sistólica do VE profundamente comprometida (FEVE 20-49%) sem reserva contrátil ao teste de estresse com dobutamina 1
Armadilha Crítica: Distinguir Sintomas
É essencial determinar clinicamente se os sintomas são causados principalmente pela estenose aórtica ou pelas comorbidades. Esta distinção fundamenta a decisão entre intervenção e manejo conservador. 1
Prognóstico do Manejo Conservador
Os pacientes com estenose aórtica grave tratados conservadoramente têm prognóstico grave:
- Sobrevida de 62% em 1 ano, 32% em 5 anos e 18% em 10 anos 2
- Preditores independentes de mortalidade incluem idade avançada, baixa FEVE, insuficiência cardíaca, creatinina sérica elevada e hipertensão sistêmica 2
A presença de doença arterial coronariana, doença renal crônica e hipertensão pulmonar agrava ainda mais o prognóstico, mas não contraindica automaticamente a intervenção se a estenose aórtica for o principal determinante dos sintomas. 2
Quando a Intervenção Permanece Apropriada Apesar das Comorbidades
A intervenção (TAVR ou SAVR) continua apropriada mesmo com múltiplas comorbidades quando:
- Os sintomas são claramente atribuíveis à estenose aórtica e não às comorbidades 1
- FEVE reduzida (20-49%) com reserva de fluxo demonstrada no eco com dobutamina e estenose verdadeiramente grave 1
- Estenose aórtica muito grave (Vmax ≥5 m/s ou gradiente médio ≥60 mmHg), particularmente com baixo risco cirúrgico 1
- Angina refratária ou instabilidade hemodinâmica/elétrica sem comorbidades graves 1
Escolha entre TAVR e SAVR com Comorbidades
TAVR é preferível à SAVR quando existem:
- Fragilidade significativa 1
- Aorta em porcelana ou tórax hostil 1
- Doença pulmonar dependente de oxigênio 3
- Comorbidades que aumentam o risco cirúrgico não capturadas pelo escore STS-PROM 1
Valvuloplastia Aórtica por Balão como Ponte
A valvuloplastia aórtica por balão (BAV) pode ser apropriada como ponte para decisão em pacientes com:
- Choque cardiogênico necessitando estabilização antes da avaliação definitiva 3
- Incerteza sobre a adequação da intervenção definitiva 1
Importante: A BAV é raramente apropriada como tratamento definitivo, exceto em contexto paliativo para pacientes com expectativa de vida <1 ano. 1
Algoritmo de Decisão Prático
Avaliar expectativa de vida: Se <1 ano → manejo conservador apropriado 1
Identificar a causa dominante dos sintomas:
Em caso de FEVE reduzida com baixo fluxo/baixo gradiente:
Avaliar comorbidades específicas:
Se manejo conservador escolhido: Considerar BAV paliativa para alívio sintomático em casos selecionados 1