Manejo Conservador vs. Intervenção Invasiva na Estenose Aórtica Grave com Múltiplas Comorbidades
Opte por manejo conservador quando a expectativa de vida for inferior a 1 ano devido a qualquer causa, ou quando os sintomas forem predominantemente causados pelas comorbidades e não pela estenose aórtica. 1
Critérios Específicos para Manejo Conservador
O American College of Cardiology estabelece indicações claras para tratamento conservador em pacientes com estenose aórtica grave e múltiplas comorbidades 1:
Indicações Absolutas para Manejo Conservador
- Expectativa de vida < 1 ano por qualquer causa 1
- Doença hepática ou pulmonar avançada onde os riscos da intervenção superam os benefícios 1
- Câncer terminal 1
- Demência moderada a grave 1, 2
Indicações Relativas para Manejo Conservador
- Sintomas predominantemente causados por comorbidades e não pela estenose aórtica 1
- Risco cirúrgico proibitivo com expectativa de vida limitada 2
Algoritmo de Decisão Estruturado
Passo 1: Avaliar Expectativa de Vida
Passo 2: Identificar a Causa Dominante dos Sintomas
- Sintomas claramente atribuíveis à estenose aórtica (dispneia aos esforços, síncope, angina relacionada à valva) → Considerar intervenção 1
- Sintomas predominantemente das comorbidades (dispneia por DPOC, insuficiência renal avançada) → Manejo conservador 1
Passo 3: Avaliar Comorbidades Específicas
A presença de DAC, DRC e hipertensão pulmonar piora o prognóstico, mas NÃO contraindica automaticamente a intervenção se a estenose aórtica for o determinante primário dos sintomas 1:
- Fragilidade significativa, aorta em porcelana ou doença pulmonar grave → TAVR preferível a SAVR 1
- Choque cardiogênico ou incerteza sobre adequação da intervenção → BAV como ponte para decisão 1
Evidência Prognóstica Crítica
O manejo conservador em estenose aórtica grave tem prognóstico sombrio 3:
- Sobrevida em 1 ano: 62%
- Sobrevida em 5 anos: 32%
- Sobrevida em 10 anos: 18%
Preditores independentes de mortalidade no manejo conservador incluem idade avançada, baixa fração de ejeção do VE, insuficiência cardíaca, creatinina sérica elevada e hipertensão sistêmica 3.
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não retardar a intervenção em pacientes sintomáticos com estenose aórtica grave, pois isso aumenta significativamente o risco de mortalidade 2
- Não usar apenas a idade como critério para selecionar manejo conservador - a idade isoladamente não deve ser o único fator decisório 1
- Não confiar apenas nos gradientes transvalvares para diagnóstico em estados de baixo débito; o cálculo da área valvar é essencial 2
- Reconhecer que mesmo regurgitação modesta que se desenvolve agudamente pode causar congestão pulmonar grave e hipotensão sistêmica em pacientes críticos 2
Considerações sobre Comorbidades Específicas
Doença Arterial Coronariana (DAC)
A presença de DAC não contraindica intervenção se a estenose aórtica for sintomática 1. A revascularização pode ser realizada concomitantemente.
Doença Renal Crônica (DRC)
- Creatinina sérica > 2 mg/dL é preditor independente de mortalidade no manejo conservador 3
- DRC avançada aumenta risco, mas não é contraindicação absoluta se sintomas forem da valva 1
Hipertensão Pulmonar (HP)
A HP piora o prognóstico, mas não contraindica automaticamente a intervenção se a estenose aórtica for o determinante primário dos sintomas 1, 3.
Quando a Intervenção é Mandatória
Intervenção (TAVR ou SAVR) é recomendada quando 1: