Paroxetina NÃO é recomendada para Dor Temporomandibular (DTM)
A paroxetina e outros ISRSs (inibidores seletivos da recaptação de serotonina) devem ser evitados em pacientes com DTM porque podem induzir ou piorar o bruxismo, exacerbando a dor temporomandibular. 1
Por Que Evitar Paroxetina na DTM
- Os ISRSs, incluindo paroxetina, podem causar bruxismo (ranger de dentes) como efeito colateral, o que agrava diretamente a DTM 1
- O bruxismo induzido por ISRSs aumenta a tensão muscular mastigatória e a sobrecarga articular, piorando a dor e a disfunção temporomandibular 1
- Não há evidência de que a paroxetina seja eficaz especificamente para dor de DTM, ao contrário de outras condições de dor neuropática 2
Opções Farmacológicas Recomendadas para DTM
Primeira Linha
- AINEs (anti-inflamatórios não esteroides) são a primeira escolha farmacológica para dor e inflamação na DTM 3, 4
- Use na menor dose eficaz e pelo menor tempo necessário devido aos riscos cardiovasculares e gastrointestinais com uso prolongado 3
Antidepressivos Apropriados (Se Necessário)
- Amitriptilina em doses baixas (25 mg/dia) demonstrou melhor redução da dor em DTM crônica comparada a outros antidepressivos, com VAS de 3.3±1.5 em 3 semanas, 1.5±1.4 em 6 semanas, e 0.9±1.3 em 9 semanas 5
- Antidepressivos tricíclicos (como amitriptilina) ou duloxetina (IRSN) são preferíveis aos ISRSs quando há necessidade de tratamento antidepressivo concomitante 3, 1
- Doses para dor crônica são significativamente menores que as doses antidepressivas habituais 6
Medicamentos Neuromoduladores
- Gabapentina pode ser considerada para dor crônica refratária de DTM 3
- Doses devem ser tituladas gradualmente para minimizar efeitos colaterais 3
Armadilhas Críticas a Evitar
- NUNCA combine AINEs com opioides - há recomendação forte contra esta combinação devido a riscos graves (sangramento GI, dependência, overdose) sem benefício adicional claro 3, 4
- Evite benzodiazepínicos e betabloqueadores - há recomendação condicional contra seu uso em DTM 3, 4
- Não use relaxantes musculares (incluindo ciclobenzaprina) rotineiramente - têm benefício incerto para dor crônica de DTM 4, 7
- Evite terapia farmacológica prolongada sem reavaliação - a farmacoterapia não deve ser excessivamente prolongada, especialmente benzodiazepínicos e antidepressivos tricíclicos 6
Abordagem Terapêutica Prioritária (Não-Farmacológica)
As diretrizes recomendam fortemente iniciar com tratamentos conservadores antes de farmacoterapia:
- Exercícios supervisionados de mandíbula e alongamento fornecem alívio de dor aproximadamente 1.5 vezes a diferença minimamente importante 4, 8
- Terapia manual de pontos-gatilho oferece uma das maiores reduções de dor, aproximando-se de duas vezes a diferença minimamente importante 3, 4, 8
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC) com ou sem biofeedback proporciona redução substancial da dor 3, 4, 8
- Mobilização mandibular assistida por terapeuta melhora mobilidade articular e reduz dor 3, 4, 8
- Exercícios posturais supervisionados corrigem alinhamento de cabeça e pescoço 3, 4
Algoritmo de Tratamento
Semanas 0-4 (Manejo Inicial):
- Educação do paciente sobre evitar atividades agravantes, dieta macia, aplicação de calor/frio 3, 4, 8
- AINEs para dor e inflamação (se não houver contraindicações) 3, 4
- Iniciar exercícios de mandíbula e alongamento 4, 8
Semanas 4-12 (Tratamento Ativo de Primeira Linha):
- Continuar e intensificar exercícios com fisioterapeuta 4, 8
- Adicionar terapia manual de pontos-gatilho 3, 4, 8
- Incorporar TCC se fatores psicológicos estiverem presentes 3, 4, 8
- Adicionar exercícios posturais supervisionados 3, 4
Após 12 semanas (Se Resposta Inadequada):
- Considerar acupuntura 3, 4
- Avaliar técnicas de manipulação 3, 4
- Placa oclusal SOMENTE se bruxismo documentado 3, 4, 7
- Considerar amitriptilina em dose baixa (25 mg/dia) para dor crônica refratária 5
Após 6 meses (Casos Refratários):
- Encaminhar para equipe multidisciplinar 4
- Considerar artrocentese (lavagem articular sem esteroides) apenas em pacientes esqueleticamente maduros 4, 7
Contexto Clínico Importante
- A terapia farmacológica deve ser sempre combinada com fisioterapia e educação do paciente - medicamentos isolados raramente resolvem DTM 6, 9
- Até 30% dos casos agudos de DTM podem progredir para dor crônica, destacando a importância de intervenção precoce com tratamentos conservadores 8
- Depressão e catastrofização reduzem o sucesso do tratamento, tornando a TCC particularmente importante 8
- A maioria dos pacientes com DTM (90-95%) tem componente muscular predominante, não articular 6