Critérios Ecocardiográficos Desfavoráveis para Reparo Mitral Edge-to-Edge (MitraClip)
O procedimento edge-to-edge mitral é desfavorável quando há patologia comissural, calcificação valvar grave, área valvar mitral <4 cm², gradiente transmitral >4-5 mmHg, comprimento de coaptação <2 mm, profundidade de coaptação >11 mm, largura de flail >15 mm, altura de flail >10 mm, ou dilatação ventricular esquerda excessiva (DSVE >70 mm). 1
Critérios Anatômicos Desfavoráveis
Localização da Patologia Valvar
- Patologia comissural (segmentos medial ou lateral) é desfavorável, pois o MitraClip funciona melhor quando a regurgitação origina-se dos folhetos centrais A2 e P2 1
- Perfurações ou fendas valvares são contraindicações relativas 1
Calcificação
- Calcificação grave dos folhetos, especialmente na zona de preensão do dispositivo, impede a captura adequada dos folhetos 1
- Calcificação anular grave também é desfavorável 1
- Espessamento difuso e grave dos folhetos (≥5 mm em diástole) com redundância excessiva (válvula tipo Barlow) é desfavorável 1
Estenose Mitral Pré-existente
- Área valvar mitral <4,0 cm² é critério de exclusão 1
- Gradiente transmitral médio >4-5 mmHg contraindica o procedimento 1
- Doença reumática com restrição de folhetos em sístole e diástole (Carpentier Tipo IIIa) causará estenose mitral após o clipe 1, 2
Critérios Específicos para Regurgitação Mitral Primária
Parâmetros de Flail
- Largura de flail >15 mm é desfavorável 1
- Altura de flail >10 mm é desfavorável 1
- Folheto flail altamente móvel com múltiplas cordas rotas é desfavorável 1
- Patologia de múltiplos segmentos é desfavorável 1
Comprimento da Zona de Preensão
- **Comprimento da zona de preensão <7 mm** é desfavorável (idealmente >10 mm) 1
Dilatação Ventricular
- DSVE >55 mm em regurgitação mitral primária é desfavorável 1
Critérios Específicos para Regurgitação Mitral Secundária
Geometria de Coaptação
- Comprimento de coaptação <2 mm é critério de exclusão 1
- Profundidade de coaptação >11 mm é critério de exclusão 1
- Estes parâmetros indicam tecido valvar insuficiente para coaptação mecânica adequada 1
Dilatação Ventricular Excessiva
- DSVE >70 mm em regurgitação mitral secundária é desfavorável 1, 2, 3
- Esta dilatação excessiva está associada a resultados ruins 2, 3
Armadilhas Comuns e Considerações Práticas
Risco de Estenose Mitral Iatrogênica
- O maior risco é criar estenose mitral ao tentar reduzir a regurgitação 4
- Em pacientes com regurgitação funcional, 45% não puderam receber clipes adicionais devido a gradientes limítrofes (gradiente médio 4,9±1,6 mmHg) 4
- Pacientes com regurgitação degenerativa tiveram menos problemas (29% com gradientes limítrofes, média 3,1±1,4 mmHg) 4
Avaliação Ecocardiográfica Obrigatória
- Ecocardiografia transtorácica é adequada para triagem inicial 1, 3
- Ecocardiografia transesofágica (idealmente 3D) é obrigatória para confirmar elegibilidade anatômica 1, 3
- O comprimento de coaptação, em particular, requer ecocardiografia transesofágica para medição precisa 1
Jatos Largos e Necessidade de Múltiplos Clipes
- Vena contracta ≥7,5 mm prediz necessidade de segundo clipe (sensibilidade 83%, especificidade 90%) 5
- Presença de dois jatos largos correlaciona-se com necessidade de múltiplos clipes 5
- Folheto posterior mitral restrito correlaciona-se inversamente com necessidade de múltiplos clipes 5