Passiflora (Maracujá) para Insónia
A Passiflora não é recomendada para o tratamento da insónia crónica devido à falta relativa de dados de eficácia e segurança, conforme estabelecido pelas diretrizes da American Academy of Sleep Medicine. 1
Recomendações das Diretrizes Clínicas
As diretrizes de consenso da American Academy of Sleep Medicine são explícitas quanto aos produtos à base de plantas:
Anti-histamínicos de venda livre e substâncias herbais (incluindo valeriana e melatonina) não são recomendados no tratamento da insónia crónica devido à falta relativa de dados de eficácia e segurança. 1
Esta recomendação aplica-se igualmente à Passiflora incarnata, que se enquadra na categoria de substâncias herbais e nutricionais sem evidência robusta. 1
A American College of Physicians reforça que os tratamentos farmacológicos devem basear-se em evidências de eficácia e perfil de segurança bem estabelecidos, critérios que a Passiflora não cumpre. 1
Evidência Disponível sobre Passiflora
Embora existam alguns estudos sobre Passiflora, a qualidade e quantidade da evidência são insuficientes:
Um estudo recente de 2024 mostrou redução estatisticamente significativa no stress e melhoria no tempo total de sono em 65 participantes durante 30 dias, mas este é um estudo único de curta duração. 2
Estudos em animais (2020) demonstraram efeitos indutores de sono através de receptores GABA e aumento dos níveis de melatonina, mas dados pré-clínicos não substituem evidência clínica robusta. 3
Relatos de 1997 documentaram cinco casos de intoxicação com alteração da consciência após uso de produto contendo Passiflora, levantando preocupações sobre segurança e potencial de interação medicamentosa. 4
Estudos farmacológicos confirmam efeitos sedativos e ansiolíticos, mas faltam ensaios clínicos controlados de longa duração com desfechos padronizados. 5, 6
Tratamentos Recomendados para Insónia
A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insónia (TCC-I) deve ser o tratamento inicial para todos os adultos com insónia crónica, antes de qualquer intervenção farmacológica. 7, 8
Primeira Linha - TCC-I:
- A TCC-I demonstra eficácia superior a longo prazo comparada com medicamentos, com benefícios sustentados após descontinuação e risco mínimo de efeitos adversos. 8
- Componentes incluem controlo de estímulos, restrição de sono, reestruturação cognitiva, higiene do sono e técnicas de relaxamento. 8
Segunda Linha - Farmacoterapia (quando TCC-I insuficiente):
- Agonistas dos receptores benzodiazepínicos de ação curta/intermédia: zolpidem (10 mg, 5 mg em idosos), eszopiclone (2-3 mg), zaleplon (10 mg), temazepam (15 mg). 7
- Ramelteon (8 mg) para insónia de início do sono. 7
- Doxepina em baixa dose (3-6 mg) especificamente para manutenção do sono. 7
Algoritmo de Tratamento:
- Iniciar TCC-I como primeira linha, implementando todos os componentes durante 4-8 semanas. 8
- Se TCC-I insuficiente após tentativa adequada, adicionar farmacoterapia baseada no padrão de sintomas (início vs. manutenção do sono). 7, 8
- Usar a dose eficaz mais baixa pelo período mais curto possível (4-5 semanas quando possível). 8
- Continuar técnicas comportamentais mesmo durante farmacoterapia. 1, 8
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não iniciar com produtos herbais ou de venda livre quando existem tratamentos com eficácia comprovada disponíveis. 1
- Não prescrever medicação sem implementar TCC-I, que proporciona benefícios mais duradouros. 7, 8
- Não ignorar potenciais interações medicamentosas da Passiflora com outros sedativos, que podem potenciar efeitos. 4
- Não usar farmacoterapia a longo prazo sem reavaliação periódica da eficácia e efeitos adversos. 1, 8