A Paroxetina é Segura em Hipertensos?
Sim, a paroxetina é segura em pacientes hipertensos, sendo explicitamente recomendada como alternativa preferencial aos antidepressivos que elevam a pressão arterial. As diretrizes internacionais de hipertensão classificam os ISRSs (incluindo paroxetina) como não causadores de aumentos na pressão arterial, diferentemente dos ISRSNs e antidepressivos tricíclicos 1.
Evidência das Diretrizes Principais
A International Society of Hypertension (2020) estabelece claramente que os ISRSs não causam aumentos na pressão arterial, ao contrário dos ISRSNs que causam aumentos de 2/1 mmHg e dos tricíclicos que aumentam o odds ratio de hipertensão em 3,19 1. Esta distinção é fundamental na escolha do antidepressivo para hipertensos.
As diretrizes ACC/AHA (2017) recomendam considerar agentes alternativos como ISRSs quando antidepressivos que elevam a pressão (IMAOs, ISRSNs, tricíclicos) são problemáticos, dependendo da indicação clínica 1.
Dados de Segurança Cardiovascular
Efeitos na Pressão Arterial
- A bula da FDA para paroxetina afirma explicitamente que o medicamento "não causa alterações clinicamente importantes na frequência cardíaca ou pressão arterial" 2
- Avaliações de ECG em 682 pacientes em estudos controlados não indicaram que a paroxetina está associada ao desenvolvimento de anormalidades significativas no ECG 2
- Um estudo em pacientes com doença arterial coronariana demonstrou que a paroxetina reduziu a pressão arterial sistólica e diastólica em 10-15% durante estresse psicológico, sugerindo propriedades anti-hipertensivas 3
Comparação com Outros Antidepressivos
A evidência de farmacovigilância mostra que, embora exista um sinal de segurança entre ISRSs e hipertensão, este é significativamente menor do que com ISRSNs 4. Um estudo de 2019 identificou 14.824 notificações de hipertensão induzida por ISRSs (2,5% dos casos), com paroxetina representando 18,4% destes 4. No entanto, este risco deve ser contextualizado:
- Os ISRSNs (como duloxetina) causam aumentos documentados de pressão arterial e requerem cautela em hipertensos 5
- A fluoxetina demonstrou taxa de hipertensão sustentada de apenas 1,7%, significativamente menor que venlafaxina (4,8%) e similar ao placebo (2,1%) 6
Algoritmo de Manejo Clínico
Antes de Iniciar Paroxetina
- Confirmar que a hipertensão está controlada (meta <130/80 mmHg) com terapia anti-hipertensiva adequada 1
- Obter pressão arterial basal antes de iniciar qualquer antidepressivo 1
- Revisar medicações concomitantes que possam afetar a pressão arterial 1
Durante o Tratamento
- Monitorar a pressão arterial regularmente, especialmente nas primeiras semanas 1
- Se a pressão arterial aumentar acima da meta (<130/80 mmHg): intensificar a terapia anti-hipertensiva ao invés de descontinuar a paroxetina 1
- Manter o tratamento anti-hipertensivo otimizado independentemente do uso de paroxetina 1
Armadilhas Comuns a Evitar
Não confundir paroxetina (ISRS) com ISRSNs como venlafaxina ou duloxetina, que têm perfis cardiovasculares diferentes e requerem maior cautela em hipertensos 7, 5. Os ISRSNs devem ser evitados em hipertensão não controlada ou doença cardiovascular grave 7.
Não descontinuar a paroxetina automaticamente se houver pequenos aumentos na pressão arterial - as diretrizes recomendam ajustar a terapia anti-hipertensiva primeiro 1. A evidência sugere que a paroxetina pode até ter efeitos benéficos na pressão arterial durante estresse 3.
Precauções Específicas da Bula FDA
A paroxetina não foi extensivamente avaliada em pacientes com infarto do miocárdio recente ou doença cardíaca instável, pois estes foram excluídos dos estudos pré-comercialização 2. No entanto, os estudos controlados disponíveis não demonstraram alterações cardiovasculares clinicamente significativas 2.
Em pacientes com insuficiência renal grave (clearance de creatinina <30 mL/min) ou insuficiência hepática grave, usar dose inicial mais baixa devido ao aumento das concentrações plasmáticas 2.