Lisdexanfetamina Durante a Gravidez
O dimesilato de lisdexanfetamina pode ser continuado durante a gravidez se for necessário para o funcionamento diário da gestante, pois os riscos documentados são muito pequenos e não superam os benefícios do tratamento para TDAH moderado a grave. 1
Justificativa Baseada em Evidências
Perfil de Segurança Geral
As anfetaminas, incluindo lisdexanfetamina, não parecem estar associadas a malformações congênitas maiores, incluindo malformações cardíacas, ou outros desfechos adversos significativos no desenvolvimento. 1
Dados limitados disponíveis na literatura publicada e relatos pós-comercialização sobre o uso de lisdexanfetamina em gestantes não são suficientes para informar um risco associado ao medicamento para defeitos congênitos maiores e aborto espontâneo. 2
Estudos em animais com lisdexanfetamina não mostraram efeitos aparentes no desenvolvimento morfológico embrionário-fetal ou sobrevivência quando administrada a ratas e coelhas grávidas durante o período de organogênese. 2
Riscos Específicos Pequenos mas Documentados
Riscos potenciais que devem ser considerados incluem:
Gastrosquise: Possível risco aumentado (razão de chances ajustada 3.0; IC 95%, 1.2-7.4), embora o risco absoluto permaneça extremamente pequeno dado que a prevalência populacional é de apenas 0.05%. 1, 3
Pré-eclâmpsia: Possível risco aumentado (risco relativo ajustado 1.29; IC 95%, 1.11-1.49), embora outros estudos não tenham encontrado consistentemente essa associação. 1, 3
Parto prematuro: O uso contínuo de estimulantes na segunda metade da gravidez pode estar associado a um pequeno risco aumentado (risco relativo ajustado 1.30; IC 95%, 1.10-1.55). 1, 4
Aborto espontâneo: Possível risco aumentado, embora não se possa descartar confusão por indicação (a própria condição pode aumentar o risco). 1
Riscos de TDAH Não Tratado
Descontinuar a lisdexanfetamina durante a gravidez pode levar a piores desfechos de saúde mental e prejuízos significativos no funcionamento da gestante, o que pode subsequentemente ter impactos negativos no feto em desenvolvimento. 3
O TDAH não tratado em si tem sido associado a riscos aumentados de aborto espontâneo e parto prematuro, o que significa que a própria doença representa riscos independentes da medicação. 3
Cessar dexanfetamina durante a gravidez foi associado a chances aumentadas de ameaça de aborto comparado com continuar o medicamento (OR: 2.28; IC 95%: 1.00,5.15). 5
Recomendações de Manejo Clínico
Algoritmo de Decisão:
Se a paciente requer a medicação para funcionamento diário: Continue a lisdexanfetamina na dose terapêutica atual. 1, 3
Se a paciente pode funcionar adequadamente sem medicação: Considere um período de descontinuação gradual antes da gravidez. 3
Se incapaz de descontinuar: Continue a medicação atual ou reduza para a menor dose eficaz, ou considere uso intermitente. 3
Monitoramento Durante a Gravidez
Monitoramento materno obrigatório:
- Verificações de pressão arterial para pré-eclâmpsia ao longo da gravidez. 3
- Monitoramento de crescimento fetal. 3
- Garantir ganho de peso apropriado. 3
- Monitoramento para sinais de trabalho de parto prematuro. 3
Monitoramento neonatal obrigatório:
- Monitore cuidadosamente os recém-nascidos para irritabilidade, insônia e dificuldades alimentares se a mãe estava tomando anfetaminas durante a gravidez. 1
- Monitore para má adaptação neonatal, incluindo irritabilidade, dificuldades alimentares e necessidade de admissão em UTI neonatal. 3
- Monitore sintomas de abstinência como dificuldades alimentares, irritabilidade, agitação e sonolência excessiva. 2
- Garanta que o bebê está ganhando peso adequadamente e atingindo marcos de desenvolvimento. 3
Considerações Importantes
Mecanismo de Ação e Riscos Teóricos
Lisdexanfetamina é um pró-fármaco que é convertido em dexanfetamina após ingestão. 1
As anfetaminas atravessam a barreira placentária, e essa informação deve ser aplicada ao considerar o uso de lisdexanfetamina na gravidez. 1
Anfetaminas causam vasoconstrição e, portanto, podem diminuir a perfusão placentária; além disso, podem estimular contrações uterinas aumentando o risco de parto prematuro. 2
Limitações da Evidência
Confusão por indicação é uma limitação importante em todos os estudos observacionais—mulheres com TDAH podem ter riscos basais aumentados independentes do uso de medicação. 3
Informações publicadas limitadas existem especificamente sobre o uso de lisdexanfetamina durante a gravidez. 1
As informações fornecidas sobre o uso de anfetaminas durante a gravidez aplicam-se ao uso terapêutico e não se aplicam ao uso não prescrito de anfetaminas em pessoas com transtorno por uso de estimulantes. 1
Amamentação
- A amamentação não é recomendada durante o tratamento com lisdexanfetamina devido ao potencial de reações adversas graves em lactentes, incluindo reações cardiovasculares graves, aumento da pressão arterial e frequência cardíaca, supressão do crescimento e vasculopatia periférica. 2