Ajuste de Medicação para Insônia em Paciente com Quetiapina XR e Lítio
Reduza a quetiapina XR de 200 mg para 50–100 mg ao deitar e inicie imediatamente Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I), pois a quetiapina em doses elevadas causa sedação prolongada não-reparadora e não é recomendada para tratamento primário de insônia. 1
Problema Principal: Quetiapina Não É Tratamento de Primeira Linha para Insônia
- A American Academy of Sleep Medicine adverte explicitamente contra o uso off-label de quetiapina para insônia devido a evidências fracas de eficácia e riscos significativos incluindo ganho de peso, dismetabolismo, complicações neurológicas e sedação diurna excessiva. 1
- Quetiapina 200 mg está causando sono prolongado não-reparador porque atua como anti-histamínico potente em doses elevadas, produzindo sedação excessiva sem melhorar a arquitetura do sono. 2
- O nível de lítio de 1,12 mmol/L (limite superior terapêutico) pode estar contribuindo para a sedação, mas não deve ser reduzido sem avaliação psiquiátrica, pois está controlando o transtorno bipolar subjacente. 2
Estratégia de Ajuste Recomendada
Passo 1: Reduzir Quetiapina Gradualmente
- Reduza quetiapina XR para 100 mg ao deitar durante 1–2 semanas, depois para 50 mg se tolerado, mantendo a dose mínima eficaz para controle do humor. 2
- A bula da FDA indica que quetiapina pode ser titulada em incrementos de 25–50 mg, permitindo ajustes seguros para baixo. 2
- Monitore sintomas de humor semanalmente durante a redução; se houver desestabilização, mantenha a dose mais baixa que controla o humor. 2
Passo 2: Iniciar TCC-I Imediatamente (Tratamento de Primeira Linha)
- A American Academy of Sleep Medicine e American College of Physicians recomendam TCC-I como tratamento padrão para insônia crônica antes ou junto com qualquer farmacoterapia, pois demonstra eficácia superior a longo prazo com benefícios sustentados após descontinuação. 1
- Componentes essenciais da TCC-I: controle de estímulo (sair da cama se não adormecer em 20 minutos), restrição de sono (tempo na cama = tempo total de sono + 30 min), técnicas de relaxamento e reestruturação cognitiva. 1
- TCC-I pode ser administrada via sessões individuais, grupos, telefone, plataformas web ou livros de autoajuda—todos demonstram eficácia. 1
Passo 3: Adicionar Hipnótico de Primeira Linha Se TCC-I Insuficiente Após 4–8 Semanas
Para dificuldade de iniciar o sono:
- Ramelteon 8 mg 1–2 horas antes de deitar—agonista de receptor de melatonina sem potencial de abuso, não controlado pela DEA, seguro com lítio e lamotrigina. 1, 3
- Zaleplon 10 mg (5 mg se >65 anos) ao deitar—meia-vida muito curta (~1 hora), sedação residual mínima, pode ser usado no meio da noite se ≥4 horas restantes antes de despertar. 1
Para dificuldade de manter o sono:
- Doxepina em baixa dose 3–6 mg ao deitar—reduz despertar após início do sono em 22–23 minutos, efeitos anticolinérgicos mínimos em doses hipnóticas, sem potencial de abuso. 1, 3
- Suvorexant 10 mg—antagonista de receptor de orexina, reduz despertar após início do sono em 16–28 minutos, menor risco de comprometimento cognitivo que benzodiazepínicos. 1
Para ambos (início e manutenção):
- Eszopiclone 2–3 mg ao deitar—aumenta tempo total de sono em 28–57 minutos, melhora moderada a grande na qualidade do sono. 1
- Zolpidem 10 mg (5 mg se >65 anos) ao deitar—reduz latência do sono em ~25 minutos, adiciona ~29 minutos ao tempo total de sono. 1
Medicações a Evitar Explicitamente
- Trazodona: A American Academy of Sleep Medicine recomenda contra seu uso para insônia—redução de apenas 10 minutos na latência do sono, sem melhora na qualidade subjetiva do sono, danos superam benefícios. 1
- Anti-histamínicos OTC (difenidramina): sem dados de eficácia, efeitos anticolinérgicos fortes (confusão, retenção urinária, quedas), tolerância após 3–4 dias. 1
- Benzodiazepínicos tradicionais (lorazepam, clonazepam, diazepam): meia-vida longa causa acúmulo, sedação diurna, maior risco de quedas, comprometimento cognitivo e associações com demência. 1
- Antipsicóticos (olanzapina): evidências fracas para insônia, riscos significativos incluindo ganho de peso, síndrome metabólica, sintomas extrapiramidais. 1
Monitoramento e Segurança
- Reavalie após 1–2 semanas de qualquer hipnótico: avalie latência do sono, tempo total de sono, despertares noturnos, funcionamento diurno e efeitos adversos (sedação matinal, comprometimento cognitivo). 1
- Rastreie comportamentos complexos do sono (dirigir dormindo, caminhar dormindo, comer dormindo) em cada consulta; descontinue imediatamente se ocorrerem. 1
- Use a menor dose eficaz pela menor duração possível—rotulagem da FDA indica hipnóticos para uso de curto prazo (≤4 semanas) para insônia aguda. 1
- Se insônia persistir >7–10 dias apesar do tratamento, avalie distúrbios do sono comórbidos (apneia do sono, síndrome das pernas inquietas, distúrbios do ritmo circadiano). 1
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não iniciar farmacoterapia sem TCC-I—intervenções comportamentais fornecem benefícios mais duráveis que medicação isolada. 1
- Não combinar múltiplos agentes sedativos—aumenta marcadamente o risco de depressão respiratória, comprometimento cognitivo, quedas e comportamentos complexos do sono. 1
- Não continuar farmacoterapia a longo prazo sem reavaliação periódica (a cada 2–4 semanas) para avaliar eficácia, efeitos colaterais e planejar redução gradual. 1
- Não usar doses de adultos em idosos—ajuste de dose por idade (ex: zolpidem ≤5 mg para ≥65 anos) é essencial para reduzir risco de quedas. 1