Indicações para Antibioticoterapia em Obstrução Intestinal ao Nível de Colostomia no Pós-Operatório
Em um paciente 10 dias após cirurgia com suspeita de obstrução intestinal ao nível da colostomia, antibióticos de amplo espectro devem ser iniciados imediatamente se houver sinais de infecção sistêmica, sepse, isquemia intestinal, ou peritonite, cobrindo gram-negativos e anaeróbios. 1
Indicações Específicas para Antibioticoterapia
Indicações Absolutas (Iniciar Imediatamente)
Sinais de sepse ou choque séptico: febre, hipotensão, taquicardia, alteração do estado mental, lactato elevado - antibióticos devem ser administrados dentro de 1 hora 2, 3
Peritonite difusa: dor abdominal generalizada com defesa ou rigidez abdominal - indica necessidade de antibióticos e intervenção cirúrgica urgente 1, 3
Isquemia ou estrangulamento intestinal: dor desproporcional ao exame físico, acidose metabólica, lactato elevado - o risco de translocação bacteriana é significativamente aumentado 1, 3
Perfuração intestinal: pneumoperitônio na TC ou sinais clínicos de perfuração - antibióticos devem ser iniciados imediatamente 1, 3
Indicações Relativas (Considerar Fortemente)
Obstrução com sinais locais de infecção: leucocitose, PCR elevada, febre baixa sem peritonite difusa - antibióticos profiláticos são recomendados devido ao risco de translocação bacteriana pela lesão mucosa 1
Obstrução prolongada (>24-48 horas): o aumento da permeabilidade mucosa facilita translocação bacteriana mesmo sem sinais sistêmicos evidentes 1
Distensão abdominal severa: pode comprometer perfusão intestinal e aumentar risco de isquemia 1
Quando NÃO Iniciar Antibióticos
Obstrução simples sem sinais de infecção: paciente estável, sem febre, leucócitos normais, sem sinais de peritonite - antibióticos não são necessários inicialmente 1
Íleo paralítico pós-operatório simples: sem evidência de complicação infecciosa 1
Regime Antibiótico Recomendado
Primeira Linha (Paciente Estável)
Piperacilina-tazobactam 4,5g IV a cada 6 horas - cobertura abrangente para gram-negativos, anaeróbios e gram-positivos 4, 1
Alternativa: Ceftriaxona 2g IV a cada 24 horas MAIS metronidazol 500mg IV a cada 6-8 horas 4, 1
Paciente Crítico ou Choque Séptico
Meropenem 1g IV a cada 8 horas ou imipenem-cilastatina 1g IV a cada 8 horas - para cobertura de patógenos resistentes 4
Considerar fatores de risco para bactérias resistentes: uso prévio de antibióticos, hospitalização recente, imunossupressão 3
Alergia a Beta-Lactâmicos
- Ciprofloxacino 400mg IV a cada 8 horas MAIS metronidazol 500mg IV a cada 6 horas 4
Duração do Tratamento
3-5 dias após controle adequado da fonte (cirurgia ou resolução clínica) em pacientes imunocompetentes estáveis 3, 1, 3
Até 7 dias em pacientes imunocomprometidos ou criticamente enfermos 4
Descontinuar antibióticos após 24 horas (ou 3 doses) se usado apenas profilaticamente e não há evidência de infecção estabelecida 1
Monitorização e Reavaliação
Reavaliação diária obrigatória: otimizar eficácia, prevenir resistência, evitar toxicidade 5, 6
Investigação diagnóstica adicional (TC abdominal) se sinais de peritonite ou doença sistêmica persistirem além de 5-7 dias de tratamento antibiótico 3, 1
Monitorar: sinais vitais, leucócitos, PCR, procalcitonina, lactato 4
Desescalonamento: ajustar espectro antibiótico baseado em culturas e sensibilidades quando disponíveis 3, 1
Armadilhas Comuns a Evitar
Nunca atrasar antibióticos aguardando confirmação por imagem ou resultados de cultura quando há suspeita clínica de sepse - iniciar empiricamente 7, 2
Não prolongar antibióticos além de 5 dias quando há controle adequado da fonte - aumenta resistência antimicrobiana sem melhorar desfechos 7, 1
Coletar culturas (sangue e líquido peritoneal se houver intervenção) antes de iniciar antibióticos, mas não atrasar o início da terapia para obtê-las 7, 3
Considerar controle cirúrgico da fonte: antibióticos isoladamente são insuficientes se há perfuração, abscesso não drenado, ou isquemia intestinal 7, 3