Nova Profilaxia para Bronquiolite por VSR: Nirsevimabe
O nirsevimabe (BEYFORTUS) é o novo agente profilático para bronquiolite por vírus sincicial respiratório (VSR) que substitui o palivizumabe como primeira linha de prevenção, oferecendo proteção com dose única para toda a temporada de VSR em vez das 5 doses mensais necessárias com palivizumabe. 1, 2
Vantagens do Nirsevimabe sobre Palivizumabe
O nirsevimabe representa um avanço significativo porque:
- Requer apenas uma dose única para cobrir toda a temporada de VSR (versus 5 doses mensais de palivizumabe) 1, 2, 3
- Possui meia-vida prolongada que mantém níveis protetores por toda a temporada 4, 5
- Demonstrou 79% de eficácia na prevenção de infecção do trato respiratório inferior associada ao VSR em estudos fase 2b e 3 2
- É mais custo-efetivo com estimativa de $102.811 por ano de vida ajustado por qualidade 1
Recomendações de Uso do Nirsevimabe
Para Todos os Lactentes (Primeira Temporada de VSR)
O CDC e a Academia Americana de Pediatria recomendam nirsevimabe para TODOS os lactentes com menos de 8 meses nascidos durante ou entrando na primeira temporada de VSR 1, 2:
- 50 mg para lactentes com peso <5 kg 1, 3
- 100 mg para lactentes com peso ≥5 kg 1, 3
- Administração como injeção intramuscular única 3
Para Crianças de Alto Risco (Segunda Temporada de VSR)
Crianças de 8-19 meses com risco aumentado entrando na segunda temporada de VSR devem receber 200 mg de nirsevimabe (administrado como duas injeções de 100 mg em locais diferentes) 1, 2. Isso inclui:
- Doença pulmonar crônica requerendo terapia médica 2
- Cardiopatia congênita hemodinamicamente significativa 2
- Imunocomprometimento grave 2
- Fibrose cística com manifestações de doença pulmonar grave 2
Momento de Administração
- Iniciar pouco antes ou durante a temporada de VSR (tipicamente outubro a março na maioria dos Estados Unidos) 1
- Para recém-nascidos durante a temporada: administrar a partir do nascimento 3
- Para lactentes nascidos fora da temporada: administrar uma vez antes do início da temporada 3
Considerações Importantes
Não Combinar com Palivizumabe
Palivizumabe não deve ser administrado a lactentes que já receberam nirsevimabe na mesma temporada 3. No entanto, nirsevimabe pode ser administrado a crianças que receberam palivizumabe na temporada anterior 3.
Compatibilidade com Vacinas
Nirsevimabe pode ser administrado concomitantemente com vacinas infantis de rotina, usando seringas separadas em locais de injeção diferentes 2, 3. Não misturar nirsevimabe com vacinas ou medicamentos na mesma seringa 3.
Perfil de Segurança
Os eventos adversos são raros (1,2% dos participantes) e principalmente leves a moderados 1:
- Erupção cutânea em 14 dias: 0,9% (versus 0,6% placebo) 1
- Reações no local de injeção em 7 dias: 0,3% (versus 0% placebo) 1
Situações Especiais
Para crianças submetidas a cirurgia cardíaca com bypass cardiopulmonar, uma dose adicional é recomendada assim que a criança estiver estável após a cirurgia 3:
- Se cirurgia dentro de 90 dias após receber nirsevimabe: dose baseada no peso atual 3
- Se mais de 90 dias desde a dose: 50 mg (primeira temporada) ou 100 mg (segunda temporada) 3
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não administrar palivizumabe após nirsevimabe na mesma temporada 3
- Não atrasar a administração - dar antes ou no início da temporada de VSR 1
- Não negligenciar medidas preventivas gerais: higiene das mãos, evitar exposição ao fumo, evitar aglomerações, vacinação contra influenza 2
- Não usar nirsevimabe para tratamento de infecção ativa por VSR - é apenas profilático 2, 6