Frequência Respiratória e Dispositivos de Oxigênio em Pacientes com DPOC
Frequência Respiratória em Pacientes com DPOC
Pacientes com DPOC em exacerbação aguda frequentemente apresentam taquipneia significativa, com frequência respiratória superior a 30 respirações/minuto indicando gravidade e necessidade de priorização urgente. 1
Valores de Referência Clínica
Frequência respiratória >30 respirações/minuto é um marcador de exacerbação grave que requer ajuste do fluxo de oxigênio nas máscaras Venturi acima da taxa mínima especificada para compensar o aumento do fluxo inspiratório do paciente 1
Frequência respiratória >35 respirações/minuto é considerada taquipneia grave e representa uma indicação para intubação se houver falha da ventilação não invasiva 2
Durante a recuperação de uma exacerbação aguda, a frequência respiratória em repouso pode diminuir, embora exista variação individual considerável dia a dia 3
Implicações Clínicas da Taquipneia
A frequência respiratória elevada em pacientes com DPOC tem várias consequências importantes:
Pacientes com frequência respiratória aumentada tendem a respirar pela boca em vez do nariz, o que paradoxalmente pode aumentar a concentração de oxigênio inspirado quando se utilizam cânulas nasais 1
A taquipneia reduz o tempo expiratório, levando ao aprisionamento de ar e hiperinsuflação dinâmica, especialmente em pacientes ventilados mecanicamente 4
Dispositivos de Administração de Oxigênio (Nomes e Indicações)
1. Máscaras Venturi (Máscaras de Alto Fluxo)
As máscaras Venturi são recomendadas para pacientes com DPOC que necessitam controle preciso da FiO₂, pois fornecem concentrações constantes de oxigênio independentemente do padrão respiratório do paciente. 1
Concentrações Disponíveis e Fluxos:
- Máscara Venturi 24%: 2-3 L/min (fluxo total ~51 L/min) 1
- Máscara Venturi 28%: 4 L/min (fluxo total ~44 L/min) 1
- Máscara Venturi 31%, 35%, 40%, 60%: disponíveis com fluxos variáveis 1
Indicações Específicas:
- Pacientes com risco de insuficiência respiratória hipercápnica 1
- Antes da disponibilidade de gasometria arterial, usar máscara Venturi 24% ou 28% com saturação alvo de 88-92% 1
- Pacientes com frequência respiratória >30/min devem ter o fluxo ajustado acima do mínimo especificado 1
Armadilha comum: Aumentar o fluxo de oxigênio em uma máscara Venturi aumenta o fluxo total de gás, mas não aumenta a concentração de oxigênio fornecida 1
2. Cânulas Nasais (Cateter Nasal)
As cânulas nasais devem ser usadas em vez de máscaras faciais simples na maioria das situações que requerem oxigenoterapia de concentração média, pois são preferidas pelos pacientes por conforto e são menos propensas a serem removidas durante as refeições. 1
Fluxos e Equivalências:
- 1-2 L/min: equivalente aproximado a 24-28% de oxigênio 1
- 2-6 L/min: faixa de ajuste para atingir saturação alvo 1
- 1-4 L/min: efeitos aproximadamente equivalentes a 24-40% de oxigênio das máscaras Venturi 1
Vantagens:
- Conforto superior 1
- Não são removidas para comer ou falar 1
- Menor sensação de claustrofobia 1
- Sem risco de reinalação de dióxido de carbono 1
- Custo menor 1
Desvantagens:
- Podem causar irritação ou ressecamento nasal, especialmente acima de 4 L/min 1
- A concentração real de oxigênio (FiO₂) não pode ser prevista 1
3. Máscara Facial Simples
O fluxo de máscaras faciais simples deve ser ajustado entre 5 e 10 L/min para atingir a saturação alvo desejada; fluxos abaixo de 5 L/min podem causar reinalação de dióxido de carbono e aumento da resistência à inspiração. 1
- Indicada quando a saturação permanece abaixo de 88% apesar da máscara Venturi 28%, usar máscara facial simples a 5 L/min 1
4. Máscara com Reservatório (Máscara de Não-Reinalação)
A máscara com reservatório a 15 L/min é o meio preferido para fornecer oxigênio de alta concentração a pacientes criticamente enfermos até que a oximetria de pulso confiável seja estabelecida. 1
- Fornece concentrações de oxigênio próximas a 100% 1
- Indicada para pacientes críticos com hipoxemia grave 1
5. Cânula Nasal de Alto Fluxo Umidificado (CNAF)
As cânulas nasais de alto fluxo são bem toleradas e podem ser usadas como alternativa em pacientes adultos hipoxêmicos que requerem oxigenoterapia de concentração média a alta e que não estão em risco de hipercapnia. 1
- Fluxo de pelo menos 60 L/min pode ser acomodado 1
- Efeitos terapêuticos incluem aumento da FiO₂, efeito CPAP e maior conforto 1
- Não recomendada como modalidade primária em insuficiência respiratória hipercápnica com acidose, pois não fornece suporte ventilatório 2
Alvos de Saturação de Oxigênio em DPOC
O alvo de saturação de oxigênio para pacientes com DPOC é 88-92%, não 94-98% como na população geral, para evitar piora da hipercapnia. 1, 2, 4
Algoritmo de Titulação:
Se pH e PCO₂ normais após gasometria: alvo de saturação 94-98%, exceto se história de insuficiência respiratória hipercápnica prévia ou saturação habitual <94% (nestes casos, manter 88-92%) 1
Se PCO₂ elevado mas pH ≥7.35: provável hipercapnia crônica; manter alvo de 88-92% 1
Se hipercápnico (PCO₂ >6 kPa ou 45 mmHg) e acidótico (pH <7.35): iniciar ventilação não invasiva com oxigenoterapia titulada se acidose respiratória persistir por mais de 30 minutos 1
Armadilhas Críticas a Evitar:
Evitar oxigênio excessivo: O risco de acidose respiratória aumenta se a PaO₂ estiver acima de 10.0 kPa (75 mmHg) devido ao uso excessivo de oxigênio 1
Nunca cessar oxigênio suplementar abruptamente: A cessação súbita pode causar hipoxemia rebote com risco de vida, com queda rápida da saturação abaixo da saturação inicial antes do início da oxigenoterapia 1
Reavaliar gasometria: Repetir gasometria arterial após 30-60 minutos de qualquer mudança ou se houver deterioração clínica, mesmo se a PCO₂ inicial estava normal 1, 2