Quando Realizar a Análise Morfológica do Cálculo Renal
A análise morfológica do cálculo deve ser realizada pelo menos uma vez em todo paciente que apresenta um cálculo disponível, pois a composição do cálculo identifica anormalidades metabólicas ou genéticas específicas e orienta medidas preventivas direcionadas. 1
Indicações Obrigatórias para Análise
A análise do cálculo é essencial nas seguintes situações:
- Primeiro episódio de litíase: Todo formador de cálculo pela primeira vez deve ter o material analisado quando disponível 1, 2
- Suspeita de composição específica: Cálculos de ácido úrico, cistina ou estruvita implicam anormalidades metabólicas ou genéticas específicas que requerem tratamento direcionado 1
- Após procedimentos cirúrgicos: O material removido durante ureteroscopia, nefrolitotripsia percutânea ou cirurgia aberta/laparoscópica/robótica deve sempre ser enviado para análise 1
Quando a Análise Pode Ser Dispensada
A única exceção aceitável é:
- Paciente com múltiplos cálculos recorrentes previamente documentados como sendo de composição similar, sem evidência clínica ou radiográfica de mudança na composição do cálculo 1
Valor Diagnóstico da Morfologia Específica
A análise morfológica fornece informações diagnósticas cruciais além da composição química:
- Oxalato de cálcio monohidratado (whewellite): Cálculos tipicamente brancos ou amarelo-pálidos com estrutura interna desorganizada (ao invés de marrons com estrutura radiada interna) refletem velocidade rápida de formação e são característicos de hiperoxalúria primária tipo 1 1
- Misturas de oxalato e fosfato de cálcio: Frequentemente encontradas em hiperoxalúria primária tipos 2 e 3, mas não podem ser distinguidas de formadores idiopáticos, tornando o reconhecimento da carga de cálculos e velocidade de recorrência mais úteis 1
Métodos Analíticos Recomendados
Os métodos físicos são superiores aos químicos:
- Espectroscopia infravermelha por transformada de Fourier (FT-IR) ou difração de raios-X (XRD) são os métodos preferidos 2
- Análise química convencional apresenta limitações significativas: não corresponde aos resultados de FT-IR em 56% dos casos, perde o componente principal em 16% e o componente menor em 40% dos casos 2
- A análise química perde completamente estruvita e fosfato de cálcio como componentes principais em todos os casos, resultando em erros clinicamente significativos 2
Complementação com Cristalúria
A análise morfológica do cálculo deve ser complementada com avaliação de cristalúria:
- >200 cristais puros de whewellite por milímetro cúbico no sedimento urinário é altamente sugestivo de hiperoxalúria primária tipo 1, especialmente em crianças 1, 3
- A cristalúria é útil para avaliação diagnóstica e monitoramento da eficácia terapêutica em formadores de cálculos 1
- Após transplante renal em pacientes com hiperoxalúria primária, o objetivo é cristalúria negativa ou volume de cristais de oxalato <100 μm³/mm³ 1, 3
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não confiar exclusivamente em análise química: Este método tem especificidade muito baixa e pode resultar em erros de manejo clínico 2
- Não ignorar a morfologia: A aparência física do cálculo (cor, estrutura interna) fornece pistas diagnósticas importantes sobre a velocidade de formação e etiologia subjacente 1, 4
- Não deixar de quantificar a carga de cálculos: Múltiplos cálculos bilaterais na apresentação inicial colocam o paciente em maior risco de recorrência e podem indicar distúrbio metabólico subjacente 1