Betabloqueadores na Sepse: Não São Recomendados como Terapia Padrão
Os betabloqueadores não são recomendados como terapia padrão no choque séptico; as diretrizes da Surviving Sepsis Campaign focam exclusivamente na norepinefrina como vasopressor de primeira linha, sem incluir betabloqueadores no manejo hemodinâmico. 1
Contraindicações Absolutas ao Uso de Betabloqueadores
- Primeiras 24 horas do choque séptico: O risco de descompensação hemodinâmica é máximo neste período. 1
- Ressuscitação volêmica inadequada: Menos de 30 mL/kg de cristaloides administrados. 1
- PAM < 65 mmHg apesar de vasopressores: Hipotensão persistente é contraindicação absoluta. 1
- Disfunção cardíaca ou baixo débito: Pacientes que necessitam suporte inotrópico não devem receber betabloqueadores. 1
Abordagem Recomendada para Taquicardia Persistente (Sem Betabloqueadores)
Ressuscitação Volêmica Adequada
- Administre no mínimo 30 mL/kg de cristaloides nas primeiras 3 horas e continue enquanto houver melhora hemodinâmica. 1
- Use variáveis dinâmicas (variação de pressão de pulso, variação de volume sistólico) ou estáticas (pressão arterial, frequência cardíaca, débito urinário) para guiar a reposição. 1
Otimização de Vasopressores
- Norepinefrina como primeira linha: Titule para atingir PAM ≥ 65 mmHg. 1
- Adicione vasopressina 0,03 U/min: Quando necessário suporte vasopressor adicional; isso pode reduzir a dose de norepinefrina e a taquicardia associada. 1
- Considere epinefrina: Se norepinefrina + vasopressina forem insuficientes para manter PAM adequada. 1
Suporte Inotrópico Quando Indicado
- Adicione dobutamina (2,5–20 µg/kg/min) para pacientes com hipoperfusão persistente apesar de PAM adequada, especialmente quando há evidência de disfunção miocárdica. 1
Tratamento de Causas Reversíveis
- Trate sistematicamente dor, ansiedade, febre, hipovolemia, anemia e hipóxia como contribuintes para taquicardia. 1
Armadilhas Críticas a Evitar
- Não substitua betabloqueadores por ressuscitação volêmica adequada ou terapia vasopressora apropriada. 1
- Não assuma que taquicardia é prejudicial no choque séptico: Pode ser uma resposta compensatória para manter débito cardíaco. 1
- Não priorize metas de frequência cardíaca sobre endpoints de perfusão: Foque em clearance de lactato, débito urinário, estado mental e enchimento capilar. 1
- Evite dopamina para controle de frequência cardíaca: Está associada a maior mortalidade e mais arritmias comparada à norepinefrina; reserve apenas para pacientes selecionados com bradicardia. 1
Evidência Emergente (Contexto de Pesquisa)
Embora estudos recentes sugiram que betabloqueadores de curta ação possam reduzir mortalidade em 28 dias (RR 0,76; IC 95% 0,62–0,93) e taquiarritmias de novo (RR 0,37; IC 95% 0,18–0,78), essa evidência é de baixa certeza e mostra aumento na duração do uso de vasopressores. 2 Além disso, há incerteza sobre episódios de bradicardia (RR 3,14) e hipotensão (RR 4,74). 2 Portanto, betabloqueadores permanecem experimentais e não devem ser usados fora de protocolos de pesquisa rigorosos.
Manejo em Pacientes com Insuficiência Cardíaca Prévia
Mesmo em pacientes com fração de ejeção reduzida (FE < 40%), a abordagem padrão permanece:
- Aplique o bolus padrão de 30 mL/kg de cristaloides nas primeiras 3 horas. 3
- Inicie norepinefrina como vasopressor de primeira linha para atingir PAM ≥ 65 mmHg. 3
- Adicione dobutamina (até 20 µg/kg/min) quando houver disfunção miocárdica com baixo débito cardíaco persistente apesar de volemia e PAM adequadas. 3
- Reserve dopamina apenas para casos altamente selecionados (pacientes bradicárdicos com baixo risco de taquiarritmias); caso contrário, evite devido a mais eventos cardíacos adversos. 3