Não, essa prescrição está contraindicada e potencialmente perigosa
Cetorolaco é absolutamente contraindicado na gravidez, especialmente após 20 semanas de gestação, devido ao risco de fechamento prematuro do ducto arterioso fetal, oligoidrâmnio e complicações renais fetais. 1 Dipirona (metamizol) não possui dados robustos de segurança na gravidez e não é recomendada nas diretrizes internacionais de tratamento de enxaqueca durante a gestação. 2, 3
Contraindicações Específicas do Cetorolaco na Gravidez
- AINEs como cetorolaco devem ser evitados após 20 semanas de gestação devido ao risco de fechamento prematuro do ducto arterioso fetal, que pode causar hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido. 1
- O uso de AINEs após 30 semanas está associado a oligoidrâmnio (redução do líquido amniótico) e disfunção renal fetal. 4
- A diretriz da American Urological Association afirma explicitamente: "Anti-inflamatórios não esteroides (por exemplo, cetorolaco) são contraindicados na gravidez." 1
Problema com Dipirona (Metamizol)
- Dipirona não aparece em nenhuma diretriz internacional de tratamento de enxaqueca aguda na gravidez (American College of Physicians, American Academy of Family Physicians, Nature Reviews Neurology). 2, 3
- Não há evidência de alta qualidade sobre segurança fetal da dipirona, tornando-a uma escolha inadequada quando existem alternativas com perfil de segurança bem estabelecido. 5, 3
Tratamento Correto para Enxaqueca na Gravidez com Suspeita de Gestação
Primeira Linha: Paracetamol (Acetaminofeno)
- Paracetamol 1000 mg EV é o analgésico de primeira escolha para enxaqueca aguda em qualquer trimestre da gravidez, com perfil de segurança bem estabelecido. 2, 5, 3, 6
- Pode ser administrado como supositório ou via oral se a paciente tolerar. 5, 6
Segunda Linha: Metoclopramida
- Metoclopramida 10 mg EV é segura e eficaz para enxaqueca na gravidez, fornecendo analgesia sinérgica além do efeito antiemético. 2, 7, 8
- Metoclopramida foi usada em 74% das gestantes tratadas para enxaqueca aguda em ambiente hospitalar, com perfil de segurança aceitável. 7
- É particularmente útil quando há fotofobia e náusea associadas. 2, 7
Terceira Linha: Proclorperazina
- Proclorperazina 10 mg EV é uma alternativa segura quando metoclopramida não está disponível ou é contraindicada. 2, 8
- Deve ser administrada com difenidramina para prevenir reações extrapiramidais. 7
Opções Adicionais para Casos Refratários
- Sulfato de magnésio EV pode ser considerado como terapia adjuvante segura na gravidez. 7
- Bloqueios de nervos periféricos (occipital maior) são seguros e podem ser eficazes sem exposição sistêmica a medicamentos. 7
- Sumatriptano subcutâneo 6 mg pode ser usado esporadicamente se outras opções falharem, embora seja classificado como categoria C pela FDA; estudos não demonstraram aumento de malformações congênitas. 5, 3, 6
Algoritmo de Tratamento Recomendado
- Confirmar suspeita de gravidez com teste de β-hCG antes de qualquer medicação.
- Iniciar paracetamol 1000 mg EV como primeira linha.
- Adicionar metoclopramida 10 mg EV se paracetamol isolado for insuficiente após 30-60 minutos.
- Considerar sulfato de magnésio 2-4 g EV em infusão lenta se não houver resposta adequada.
- Evitar absolutamente cetorolaco, dipirona, ergotamina e AINEs após confirmação ou suspeita de gravidez.
Armadilhas Críticas a Evitar
- Nunca prescrever AINEs (incluindo cetorolaco, ibuprofeno, naproxeno) após 20 semanas de gestação devido ao risco de fechamento do ducto arterioso e oligoidrâmnio. 1, 4
- Evitar opioides (codeína, morfina, meperidina) como primeira ou segunda linha, reservando-os apenas para casos refratários graves, pois aumentam risco de dependência e cefaleia rebote. 2, 8
- Não usar ergotamina ou di-hidroergotamina em qualquer trimestre devido à teratogenicidade e risco de vasoconstrição uterina. 5, 6
- Limitar uso de medicações agudas a ≤2 dias por semana para prevenir cefaleia por uso excessivo de medicamentos, mesmo na gravidez. 2