Angina Instável: A Condição Sem Curva Positiva de Troponina
A angina instável é a única condição clínica entre as opções listadas que não apresenta curva positiva de troponina, pois por definição representa isquemia miocárdica sem necrose celular detectável. 1
Definição e Fisiopatologia
- A angina instável é definida como isquemia miocárdica sem lesão de cardiomiócitos, distinguindo-se do infarto agudo do miocárdio pela ausência de elevação de troponinas 1
- Tradicionalmente, a angina instável era diagnosticada em aproximadamente 30% dos pacientes com síndrome coronariana aguda usando ensaios convencionais de troponina 2
- Estudos com ensaios ultra-sensíveis de troponina demonstram que 44-82% dos pacientes previamente classificados como "angina instável" na verdade apresentam necrose miocárdica mínima detectável, sugerindo que isquemia com dor em repouso sem lesão celular é rara 2
Por Que as Outras Condições Apresentam Troponina Positiva
Síndrome de Takotsubo
- Causa elevação de troponina através de lesão miocárdica mediada por catecolaminas, representando necrose celular real 1, 3
- A elevação ocorre dentro de 3-4 horas e pode persistir por até 2 semanas 1, 4
Infarto Agudo do Miocárdio por Dissecção Coronariana
- Produz necrose miocárdica por oclusão coronariana, resultando em elevação significativa de troponina 1, 3
- A dissecção coronariana espontânea é uma causa reconhecida de infarto tipo 1 com padrão ascendente/descendente de troponina 1
Injúria Miocárdica Aguda por Choque Séptico
- A sepse causa elevação de troponina através de múltiplos mecanismos: mediadores inflamatórios, isquemia por desequilíbrio oferta-demanda, e lesão miocárdica direta 3
- Representa infarto tipo 2 (desequilíbrio oferta-demanda) com necrose celular real 1, 3
- A elevação de troponina na sepse correlaciona-se com gravidade da doença e tem valor prognóstico 3
Considerações Diagnósticas Importantes
- Qualquer elevação de troponina T ou I cardíaca reflete necrose celular miocárdica irreversível 1, 4
- Uma única medida de troponina na admissão é insuficiente—10-15% dos pacientes podem não apresentar elevação inicial 4, 3
- Recomenda-se medir troponina na admissão e repetir 6-12 horas depois para confirmar ou descartar lesão miocárdica 4
- Com ensaios de alta sensibilidade modernos, a verdadeira "angina instável" (isquemia sem necrose) tornou-se cada vez mais rara 2
Armadilhas Clínicas a Evitar
- Não rotular elevações de troponina em condições não-isquêmicas (miocardite, embolia pulmonar, insuficiência cardíaca) como "falso-positivos"—elas refletem lesão miocárdica real 1, 4
- Não descartar síndrome coronariana aguda com base em um único resultado negativo de troponina se a apresentação clínica for sugestiva 4, 3
- Lembrar que outras condições potencialmente fatais com dor torácica (dissecção aórtica, embolia pulmonar) também podem resultar em troponina elevada 4