Tratamento de Linfadenomegalia Inguinal com Foliculite na Coxa e Febre
O tratamento de primeira linha é doxiciclina 100 mg via oral duas vezes ao dia por 21 dias, que cobre as causas bacterianas mais comuns de linfadenopatia inguinal dolorosa com febre, incluindo linfogranuloma venéreo (LGV) e outras infecções de transmissão sexual. 1, 2
Avaliação Clínica Inicial Crítica
A apresentação clínica determina a abordagem terapêutica:
- Linfonodos dolorosos e móveis com febre indicam etiologia infecciosa (LGV, linfadenite bacteriana ou adenopatia reativa), enquanto linfonodos indolores, fixos ou aderidos sugerem malignidade e requerem biópsia ao invés de antibióticos empíricos 2, 3
- História sexual é essencial: relações desprotegidas recentes, múltiplos parceiros ou homens que fazem sexo com homens aumentam a probabilidade de LGV ou outras ISTs 2
- Envolvimento unilateral é mais comum em LGV 2
- A foliculite pustular inflamada na coxa com linfadenopatia regional dolorosa sugere variante inflamatória de infecção dermatofítica ou infecção bacteriana secundária 4
Esquema Antibiótico Recomendado
Tratamento de Primeira Linha
- Doxiciclina 100 mg via oral duas vezes ao dia por 21 dias é o regime de primeira linha para LGV e outras causas bacterianas de linfadenopatia inguinal 1, 2
- Este regime cobre adequadamente as causas mais comuns de transmissão sexual, incluindo Chlamydia trachomatis (LGV) 1
Regimes Alternativos
- Eritromicina base 500 mg via oral quatro vezes ao dia por 21 dias para mulheres grávidas/lactantes ou pacientes com contraindicações à doxiciclina 1, 2
- Azitromicina 1 g via oral uma vez por semana por 3 semanas é provavelmente eficaz para LGV, embora os dados clínicos sejam limitados 1
Tratamento Concomitante da Foliculite
Para a foliculite pustular na coxa:
- Antibióticos sistêmicos antiestafilocócicos (cloxacilina, cefalexina, eritromicina ou amoxicilina/clavulanato) devem ser adicionados se houver evidência de infecção bacteriana secundária extensa 5
- Clindamicina 300-450 mg via oral a cada 6 horas para infecções mais graves causadas por Staphylococcus aureus 6, 5
- Culturas de pus devem ser obtidas sempre que possível, especialmente em pacientes diabéticos, devido ao risco de infecções atípicas como melioidose 7
Considerações Diagnósticas Importantes
Sinais de Alerta que Requerem Avaliação Urgente
- Linfonodos fixos ou aderidos indicam malignidade avançada e requerem biópsia 3
- Ulceração progressiva indolor requer biópsia para excluir granuloma inguinal 3
- Envolvimento bilateral aumenta a probabilidade de doença metastática 3
Diagnóstico de LGV
- O diagnóstico é principalmente sorológico e por exclusão de outras causas 1, 3
- Títulos de fixação de complemento >1:64 apoiam o diagnóstico 1
- Tratar imediatamente enquanto aguarda confirmação diagnóstica em casos suspeitos 3
Manejo de Complicações
- Bubões podem requerer aspiração através de pele intacta ou incisão e drenagem para prevenir ulcerações inguinais/femorais 1
- Se não houver melhora clínica em 3-7 dias, considere: diagnóstico incorreto, coinfecção com outra IST, infecção por HIV, não adesão ao tratamento ou resistência antimicrobiana 1
Populações Especiais
- Mulheres grávidas e lactantes devem receber regime com eritromicina, pois doxiciclina é contraindicada 1, 2
- Pacientes infectados por HIV devem receber os mesmos regimes, mas podem necessitar de terapia prolongada com resolução tardia dos sintomas 1
- Pacientes diabéticos com abscessos recorrentes requerem investigação ativa para melioidose, especialmente se o isolado mostrar sensibilidade à ceftazidima e resistência à gentamicina 7
Seguimento e Prevenção
- Parceiros sexuais que tiveram contato nos 30 dias antes do início dos sintomas devem ser examinados, testados para infecção por clamídia e tratados 1
- Pacientes devem ser acompanhados clinicamente até que sinais e sintomas tenham resolvido completamente 1
- Abstinência sexual até que paciente e parceiros completem o tratamento e estejam assintomáticos 1
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não confundir kerion (massa inflamatória boggy dolorosa com linfadenopatia regional) com abscesso bacteriano, embora infecção bacteriana secundária não deva ser negligenciada 4
- Não ignorar a possibilidade de infecções atípicas (melioidose, micobactérias) em pacientes imunocomprometidos ou diabéticos com abscessos recorrentes 7, 8
- Laboratórios podem identificar erroneamente Burkholderia pseudomallei como Pseudomonas ou E. coli; suspeitar de melioidose quando isolado mostrar sensibilidade à ceftazidima e resistência à gentamicina 7