Recomendação de Transfusão de Plaquetas para Broncoscopia com Plaquetas de 20.000/μL
Não é necessário transfundir plaquetas profilaticamente para este paciente antes da broncoscopia, pois a evidência demonstra que o procedimento pode ser realizado com segurança mesmo com contagens plaquetárias abaixo de 20 × 10⁹/L.
Evidência Específica para Broncoscopia
A diretriz da American Society of Clinical Oncology (ASCO) de 2018 identificou um estudo observacional de 150 pacientes submetidos à broncoscopia com contagens plaquetárias ≤100 × 10⁹/L, dos quais 78% tinham malignidade subjacente 1
Neste estudo, 72 pacientes tinham contagem <50 × 10⁹/L e 15 pacientes tinham contagem <20 × 10⁹/L no momento da broncoscopia 1
Apenas um paciente apresentou sangramento que necessitou aspiração contínua (mas resolveu espontaneamente), e este ocorreu com contagem de 61 × 10⁹/L - não nos pacientes com contagens mais baixas 1
Os autores concluíram que a broncoscopia pode ser realizada com segurança mesmo em pacientes com trombocitopenia grave 1
Um estudo prospectivo de 2016 confirmou que a incidência extremamente baixa de complicações hemorrágicas da broncoscopia, mesmo em pacientes com contagens ≤30 × 10⁹/L (zero episódios de sangramento clinicamente significativo em 35 pacientes), demonstra que a broncoscopia pode ser realizada com segurança em pacientes com trombocitopenia grave 2
Contexto das Diretrizes Gerais
As diretrizes da AABB de 2025 recomendam transfusão para procedimentos de alto risco quando a contagem é <50 × 10⁹/L 3
No entanto, a broncoscopia não está classificada como procedimento de alto risco nas diretrizes, ao contrário da punção lombar, cirurgia neuraxial ou biópsia hepática 1, 3
Recomendações históricas sugeriam limiares de 20.000-50.000/μL para broncoscopia em receptores de transplante de medula óssea, mas estas eram baseadas em opinião de especialistas, não em evidência 4
Algoritmo de Decisão para Este Paciente
Proceder com a broncoscopia sem transfusão profilática se:
- Contagem plaquetária ≥20 × 10⁹/L 1, 2
- Ausência de sangramento ativo 5
- Ausência de coagulopatia concomitante (especialmente importante em leucemia promielocítica aguda) 5
- Procedimento realizado por operador experiente 2
Considerar transfusão profilática (alvo ≥50 × 10⁹/L) se:
- Presença de febre alta ou sepse 5
- Queda rápida na contagem plaquetária 5
- Coagulopatia documentada (especialmente em LMA evoluindo de SMD) 5
- Planejamento de biópsia transbronquial (procedimento mais invasivo) 1
- Hiperleucocitose 5
Considerações Específicas para SMD/LMA
Pacientes com malignidades hematológicas têm maior risco de sangramento em geral (58% vs. 47% em receptores de transplante autólogo), mas isto não altera o limiar específico para broncoscopia 5
A leucemia promielocítica aguda é uma exceção importante que requer limiares mais altos devido à coagulopatia associada 5
Se houver coagulopatia concomitante (comum em LMA), considere verificar fibrinogênio, TP/TTPa antes do procedimento 6
Armadilhas Comuns a Evitar
Não transfundir rotineiramente baseado apenas em limiares arbitrários sem considerar a evidência específica para broncoscopia 1, 2
Não assumir que todos os procedimentos invasivos requerem o mesmo limiar plaquetário - a broncoscopia tem risco significativamente menor que punção lombar ou biópsia hepática 1, 3
Verificar a precisão de contadores automáticos em contagens extremamente baixas; considere revisão manual se houver dúvida 5, 6
Avaliar aloimunização se o paciente tiver histórico de transfusões plaquetárias prévias com incrementos inadequados 5, 6