Mortalidade Hospitalar em IAMCSST
A mortalidade hospitalar geral em pacientes com IAMCSST submetidos à ICP primária varia entre 3,4% e 5,9%, mas aumenta dramaticamente para 15,7% em pacientes tratados conservadoramente e pode exceder 30% em pacientes com choque cardiogênico.
Mortalidade Geral em ICP Primária
- A mortalidade hospitalar em pacientes com IAMCSST tratados com ICP primária é de aproximadamente 4,1% a 5,9% em centros de alto volume 1, 2, 3
- Em contraste, pacientes tratados conservadoramente (sem reperfusão ou apenas com terapia médica) apresentam mortalidade hospitalar de 15,7% 1
- A mortalidade é significativamente menor em hospitais de alto volume (>3 procedimentos/mês) com 3,4% comparado a hospitais de baixo volume (<1 procedimento/mês) com 6,2% 4
Grupos de Alto Risco e Mortalidade Específica
Pacientes com Idade >80 Anos
- Pacientes idosos (>65 anos) apresentam mortalidade hospitalar aproximadamente 2 vezes maior (OR: 2; IC 95%: 1,5-3,2) após ajuste multivariado 1
- Em pacientes >75 anos com choque cardiogênico, 56% sobrevivem à alta hospitalar, e destes, 75% estão vivos em 1 ano 4
- A idade é o preditor independente mais forte de mortalidade em 1 ano (OR: 1; IC 95%: 1,019-1,188) 5
Doença Renal Crônica
- Embora não especificamente quantificada nos estudos fornecidos, a doença renal crônica é reconhecida como fator de risco que aumenta complicações hemorrágicas e mortalidade, exigindo ajustes cuidadosos das doses de terapias antitrombóticas 6
Disfunção Sistólica Grave do Ventrículo Esquerdo (FEVE <35-40%)
- Pacientes com FEVE <35% apresentam mortalidade hospitalar 3,8 vezes maior (OR: 3,8; IC 95%: 2,6-5,4) após ICP primária 1
- A disfunção ventricular esquerda grave é o segundo preditor independente mais forte de mortalidade hospitalar 1, 2
Choque Cardiogênico
- O choque cardiogênico apresenta a maior mortalidade hospitalar, variando entre 18,8% e 32,5% dependendo da estratégia de tratamento 4
- Pacientes com choque tratados apenas com intervenções médicas têm mortalidade de 32,5%, comparado a 18,8% com ICP e 19,2% com cirurgia 4
- A classe Killip II-IV na admissão é o preditor independente mais poderoso de mortalidade hospitalar (OR: 9,2; IC 95%: 6,2-13,6) 1
- A ICP de emergência deve ser realizada imediatamente, independentemente do tempo desde o início dos sintomas, em pacientes com choque cardiogênico 4, 6
Doença Coronariana Multiarterial
- A doença multiarterial é um preditor independente de mortalidade hospitalar 2
- Em pacientes com choque cardiogênico, a ICP multiarterial deve ser fortemente considerada durante o procedimento índice, ao contrário da estratégia padrão de tratar apenas a artéria culpada 4
- Em pacientes estáveis, lesões não-culpadas graves devem ser avaliadas (angiografia ou FFR) e revascularizadas antes da alta hospitalar, seja durante a ICP índice ou em procedimento programado 6
Estratégias de Manejo para Grupos de Alto Risco
Abordagem Temporal Crítica
- A mortalidade aumenta de forma contínua e não-linear com atrasos na reperfusão: 3,0% aos 30 minutos, 3,5% aos 60 minutos, 4,3% aos 90 minutos, 5,6% aos 120 minutos, 7,0% aos 150 minutos e 8,4% aos 180 minutos 4
- O tempo porta-balão deve ser ≤90 minutos em hospitais com capacidade de ICP 4, 6
- Para transferências, o tempo primeiro-contato-médico-até-dispositivo deve ser ≤120 minutos 4, 6
Estratégia de Reperfusão em Alto Risco
- A ICP primária é mandatória independentemente do tempo de atraso para: choque cardiogênico, insuficiência cardíaca aguda grave, contraindicações à fibrinólise, fibrinólise falha, e parada cardíaca ressuscitada com elevação de ST 4, 6
- Em pacientes de alto risco (escore TIMI >4 ou GRACE >140), o benefício de mortalidade da ICP primária é mais pronunciado: 23,7% vs 30,6% com fibrinólise 3
- Para pacientes de baixo risco, a diferença de mortalidade é marginal: 0,3% com ICP vs 0,4% com fibrinólise 3
Suporte Hemodinâmico
- O balão intra-aórtico (BIA) deve ser fortemente considerado para estabilização hemodinâmica em choque cardiogênico 4
- Dispositivos alternativos de assistência ventricular esquerda devem ser considerados para choque cardiogênico refratário 4, 6
- A criação de um "sistema de choque" baseado na experiência dos EUA—com centro hub especializado, algoritmos de transferência específicos, equipes intervencionistas móveis e procedimentos híbridos cirúrgicos—é a próxima etapa para reduzir mortalidade abaixo de 5% 2
Terapia Farmacológica Otimizada
- Terapia antiplaquetária dupla (DAPT) com aspirina mais inibidor P2Y12 potente (prasugrel ou ticagrelor) deve ser mantida por 12 meses 6
- Betabloqueadores devem ser iniciados oralmente em pacientes com insuficiência cardíaca e/ou FEVE <40% 6
- Inibidores da ECA devem ser iniciados em 24 horas em pacientes com insuficiência cardíaca, disfunção sistólica do VE, diabetes ou infarto anterior 6
- Estatinas de alta intensidade devem ser iniciadas o mais precocemente possível 6
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não postergar a ICP para "estabilizar" pacientes com choque cardiogênico—o risco de mortalidade do IAMCSST excede o risco do procedimento 4, 6
- Não aceitar tempos porta-balão de 90 minutos como padrão aceitável—os dados sugerem um padrão "o mais rápido possível" 4
- Não realizar ICP de rotina em artéria relacionada ao infarto ocluída >48 horas após início dos sintomas em pacientes assintomáticos 6
- Não usar fondaparinux para ICP primária—é contraindicado 6
- Não realizar aspiração de trombo de rotina ou stent diferido—ambos são contraindicados 6