What postoperative nursing care should be provided for a patient after left total hip arthroplasty?

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Cuidados de Enfermagem Pós-Artroplastia Total da Anca Esquerda

A enfermagem deve implementar um protocolo multimodal de gestão da dor combinado com mobilização precoce estruturada em fases, prevenção de luxação da prótese e vigilância de complicações, priorizando a analgesia com paracetamol e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como base, reservando opioides apenas para resgate.

Gestão da Dor Pós-Operatória

A gestão da dor é fundamental para permitir mobilização precoce e recuperação funcional ideal 1.

Regime Analgésico Base

  • Administrar paracetamol combinado com AINE ou inibidor seletivo da COX-2 iniciado no pré ou intra-operatório e continuado no pós-operatório 1
  • Opioides apenas como analgesia de resgate, não como terapia de rotina 1
  • Monitorizar scores de dor (Escala Visual Analógica) às 6h, 24h e 72h pós-operatório 2

Vigilância de Efeitos Adversos

  • Monitorizar náuseas, vómitos, prurido e sonolência se opioides forem necessários
  • Avaliar função intestinal (risco de obstipação com opioides) 3
  • Vigiar glicemia em diabéticos (dexametasona pode elevar glicose) 1

Armadilha comum: Evitar bloqueios do nervo femoral, bloqueio do plexo lombar e analgesia epidural - os efeitos adversos (fraqueza dos membros inferiores, disfunção vesical, mobilização tardia) superam os benefícios 1.

Mobilização Precoce e Reabilitação Faseada

A reabilitação faseada melhora significativamente a função da anca, reduz complicações e melhora a qualidade de vida 4.

Fase 1 (Primeiras 24-48h): Mobilização Precoce

  • Iniciar estimulação muscular e mobilização passiva imediatamente após recuperação anestésica
  • Documentar tempo até primeira mobilização (objetivo: < 24h) 2
  • Exercícios isométricos do quadricípite e glúteos no leito
  • Transferências leito-cadeira com assistência

Fase 2 (Dias 2-7): Treino de Transição Funcional

  • Progressão para marcha com auxiliares de marcha
  • Treino de transferências independentes
  • Exercícios de amplitude de movimento ativa-assistida
  • Fortalecimento muscular progressivo (flexão, extensão, abdução da anca) 5

Fase 3 (Semanas 2-6): Treino Avançado de Mobilidade

  • Progressão para marcha independente
  • Exercícios de equilíbrio e propriocepção
  • Treino de atividades de vida diária
  • Avaliar amplitude de movimento, força muscular e estabilidade articular 4, 5

Evidência forte: A reabilitação faseada demonstrou redução significativa de complicações (2% vs 16%, P=0.01) e melhoria superior nos scores de Harris Hip Score aos 6 meses 4.

Prevenção de Luxação da Prótese (Anca Esquerda)

Ensinar e reforçar precauções específicas para prevenir luxação - a complicação mais comum evitável.

Precauções Posicionais Críticas

  • Evitar flexão da anca > 90 graus
  • Evitar adução (cruzar a perna esquerda sobre a direita)
  • Evitar rotação interna excessiva da anca esquerda
  • Manter almofada de abdução entre as pernas ao deitar (primeiras 6 semanas)
  • Sentar apenas em cadeiras altas com braços
  • Usar elevador de sanita

Sinais de Alerta de Luxação

Ensinar o doente a reconhecer:

  • Dor súbita e intensa na anca
  • Encurtamento visível do membro inferior esquerdo
  • Rotação anormal do membro
  • Incapacidade de suportar peso

Vigilância de Complicações

Avaliação da Ferida Cirúrgica

  • Inspecionar diariamente: sinais de infeção (rubor, calor, edema, exsudado purulento)
  • Avaliar temperatura corporal (febre pode indicar infeção) 6
  • Documentar características do penso e drenagem (se presente)

Prevenção de Tromboembolismo Venoso

  • Administrar profilaxia anticoagulante conforme prescrito
  • Aplicar meias de compressão graduada
  • Encorajar exercícios de dorsiflexão do tornozelo
  • Avaliar sinais de TVP (dor, edema, calor na panturrilha)

Monitorização Neurovascular

  • Avaliar pulsos distais, temperatura, cor e sensibilidade do membro inferior esquerdo
  • Comparar com membro contralateral
  • Documentar força motora (flexão plantar/dorsal do pé)

Prevenção de Úlceras de Pressão

  • Reposicionamento regular (mínimo 2/2h se acamado)
  • Usar superfícies de alívio de pressão
  • Avaliar zonas de risco (sacro, calcâneos, trocânter direito)

Educação do Doente e Preparação para Alta

Componentes Essenciais da Educação

  • Regime analgésico domiciliário (horários, doses, efeitos adversos)
  • Precauções de luxação (demonstração prática)
  • Progressão de exercícios domiciliários
  • Sinais de complicações que requerem contacto urgente
  • Gestão da obstipação (comum com opioides) 3

Avaliação da Prontidão para Alta

  • Controlo adequado da dor com analgésicos orais
  • Capacidade de transferências independentes ou com assistência mínima
  • Compreensão das precauções de luxação
  • Arranjos domiciliários adequados (equipamento, apoio familiar)
  • Seguimento ambulatório agendado 7

Modelo de continuidade de cuidados: Implementar sistema hospital-domicílio-comunidade com visitas domiciliárias, seguimento telefónico e colaboração multidisciplinar melhora significativamente os resultados de reabilitação 3.

Avaliação de Resultados

Indicadores de Qualidade a Monitorizar

  • Scores de dor (objetivo: EVA < 3/10 às 72h)
  • Tempo até primeira mobilização (objetivo: < 24h)
  • Taxa de complicações (infeção, luxação, TVP)
  • Duração do internamento
  • Amplitude de movimento da anca aos 3 e 6 meses
  • Score de Harris Hip aos 6 meses 4, 2
  • Qualidade de vida (SF-36) 4
  • Satisfação do doente 2, 7

Evidência de alta qualidade: Modelos de enfermagem multidisciplinares baseados em ERAS demonstraram redução significativa da dor pós-operatória, promoção de atividade precoce, redução do internamento e custos, e melhoria da função articular e qualidade de vida 2.

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