Tratamento para Esofagite Severa e Gastrite Crônica Inativa com Metaplasia Intestinal
O tratamento recomendado para esofagite severa (classificação Los Angeles A1-A2) é um inibidor da bomba de prótons (IBP) em dose padrão duas vezes ao dia por 8 semanas, com manutenção posterior em dose mínima eficaz para controle dos sintomas e prevenção de recorrência.
Tratamento da Esofagite
Terapia Inicial
- Omeprazol 20 mg duas vezes ao dia (antes das refeições) por 8 semanas 1
- Alternativas: outros IBPs em doses equivalentes (esomeprazol, pantoprazol, lansoprazol)
- Medidas comportamentais complementares:
- Elevação da cabeceira da cama (30 graus)
- Evitar refeições 2-3 horas antes de deitar
- Evitar alimentos que pioram os sintomas (gordurosos, picantes, cítricos)
Avaliação de Resposta
- Se houver resposta inadequada após 8 semanas:
- Considerar endoscopia de controle para avaliar cicatrização 2
- Verificar adesão ao tratamento
- Considerar aumento da dose do IBP
Terapia de Manutenção
- Após cicatrização da esofagite, manter IBP em dose mínima eficaz para controle dos sintomas 3
- A American Gastroenterological Association recomenda manutenção com IBP indefinidamente para casos de esofagite severa devido ao alto risco de recorrência 3
Manejo da Gastrite Crônica com Metaplasia Intestinal
Erradicação do H. pylori
- Embora o paciente tenha resultado negativo para H. pylori, a AGA recomenda fortemente testar e erradicar H. pylori em pacientes com metaplasia intestinal gástrica 2
- Considerar repetir o teste para H. pylori utilizando outro método (teste respiratório com ureia ou sorologia) para confirmar o resultado negativo
Vigilância Endoscópica
A AGA sugere contra vigilância endoscópica de rotina para metaplasia intestinal gástrica (recomendação condicional, evidência muito baixa) 2
No entanto, para pacientes com fatores de risco adicionais como:
- Metaplasia intestinal incompleta (como no caso do paciente)
- História familiar de câncer gástrico
- Extensão significativa da metaplasia
Pode-se considerar vigilância endoscópica a cada 3-5 anos 2
Considerações Especiais
Avaliação de Risco para Progressão
- A metaplasia intestinal é uma condição pré-cancerosa que requer acompanhamento
- Fatores que aumentam o risco de progressão:
Tratamento Endoscópico
- Para áreas com displasia visível (não presente neste caso), considerar ressecção endoscópica da mucosa 2
- Técnicas experimentais como EMR de dois endoscópios têm mostrado resultados promissores para tratamento de metaplasia intestinal extensa, mas ainda não são recomendadas como padrão de tratamento 5, 6
Algoritmo de Tratamento
Fase Aguda (0-8 semanas):
- IBP dose padrão duas vezes ao dia (omeprazol 20mg 2x/dia)
- Modificações comportamentais e dietéticas
- Evitar medicamentos que pioram o refluxo
Avaliação de Resposta (8 semanas):
- Se melhora dos sintomas: passar para fase de manutenção
- Se resposta parcial: estender tratamento por mais 4 semanas
- Se sem resposta: realizar nova endoscopia e considerar outras causas
Fase de Manutenção:
- IBP em dose mínima eficaz para controle dos sintomas
- Manter modificações comportamentais e dietéticas
- Acompanhamento clínico regular
Vigilância da Metaplasia Intestinal:
- Considerar endoscopia de controle em 3 anos devido à presença de metaplasia intestinal incompleta
- Biopsias mapeadas de antro e corpo gástrico em frascos separados
Pontos de Atenção
- A metaplasia intestinal é irreversível, mas seu avanço pode ser prevenido
- A esofagite severa não tratada adequadamente pode levar a complicações como estenose e esôfago de Barrett
- O uso prolongado de IBP pode estar associado a efeitos adversos como deficiência de vitamina B12, magnésio e aumento do risco de fraturas ósseas, mas os benefícios superam os riscos em pacientes com esofagite severa