Manejo do Linfonodo Sentinela Positivo Após Quimioterapia Neoadjuvante
Na maioria dos casos, a presença de macrometástase (>2mm) no linfonodo sentinela após quimioterapia neoadjuvante requer esvaziamento axilar completo, independentemente do número de linfonodos acometidos.
Cenários Baseados em Evidências
Quando é necessária a linfadenectomia axilar:
- Macrometástase residual (>2mm): Pacientes com qualquer macrometástase residual no linfonodo sentinela após quimioterapia neoadjuvante devem ser submetidos a esvaziamento axilar completo 1
- Doença axilar clinicamente positiva após quimioterapia: Pacientes que permanecem com axila clinicamente positiva após quimioterapia neoadjuvante necessitam de esvaziamento axilar 1
- Falha na identificação do linfonodo sentinela: Quando não é possível identificar o linfonodo sentinela após quimioterapia neoadjuvante, deve-se proceder com o esvaziamento axilar 1
Possíveis exceções (controversas):
- Micrometástase ou células tumorais isoladas: Existe controvérsia sobre a necessidade de esvaziamento axilar quando há apenas micrometástase (<2mm) ou células tumorais isoladas no linfonodo sentinela após quimioterapia neoadjuvante 1
- Pacientes com tumores ER-positivos e baixa carga tumoral residual: Alguns painéis de especialistas consideram a possibilidade de substituir o esvaziamento axilar por radioterapia axilar em casos selecionados com carga tumoral limitada (por exemplo, micrometástase em apenas um de três linfonodos sentinela) 1
Fatores que influenciam a decisão
Extensão da doença residual:
- Macrometástase (>2mm): Esvaziamento axilar recomendado
- Micrometástase (<2mm): Decisão controversa, com maior tendência ao esvaziamento axilar
Número de linfonodos sentinela positivos:
- Múltiplos linfonodos positivos: Maior indicação para esvaziamento axilar
- Apenas um linfonodo com baixa carga tumoral: Possível considerar alternativas em casos selecionados
Subtipo tumoral:
- Tumores triplo-negativos ou HER2-positivos: Maior tendência ao esvaziamento axilar
- Tumores ER-positivos: Possível considerar alternativas em casos selecionados
Considerações importantes
- A taxa de falso-negativo do linfonodo sentinela após quimioterapia neoadjuvante é de aproximadamente 12,6%, conforme demonstrado no estudo Z1071 1
- Pacientes com doença residual nos linfonodos sentinela, incluindo micrometástases, têm risco substancial de metástases adicionais nos linfonodos axilares 1
- Dados do National Cancer Database sugerem menor sobrevida quando se substitui o esvaziamento axilar por biópsia de linfonodo sentinela e radioterapia nodal regional na presença de doença nodal residual, exceto em pacientes selecionados com carga tumoral limitada (apenas um linfonodo positivo) e tumores ER-positivos 1
Algoritmo de decisão
Avaliação pré-cirúrgica:
Durante a cirurgia:
- Biópsia do linfonodo sentinela com exame de congelação
- Remoção de pelo menos 3 linfonodos sentinela quando possível (menor taxa de falso-negativo) 3
Decisão baseada no resultado patológico:
- Macrometástase (>2mm): Proceder com esvaziamento axilar completo
- Micrometástase (<2mm) ou células tumorais isoladas:
- Considerar esvaziamento axilar (abordagem mais segura)
- Em casos selecionados (tumores ER+, baixa carga tumoral), pode-se discutir a possibilidade de radioterapia axilar como alternativa, embora esta abordagem ainda seja controversa e não totalmente validada
Advertências e armadilhas
- Não confiar apenas em métodos de imagem para avaliação da resposta axilar, pois têm sensibilidade limitada (ultrassom: 69,8%, RM: 61%) 1, 2
- Evitar a biópsia de linfonodo sentinela após quimioterapia neoadjuvante em pacientes com câncer de mama inflamatório (taxa de falso-negativo inaceitavelmente alta) 4
- Remover sempre pelo menos 2 linfonodos sentinela, pois a remoção de menos de 2 está associada a maior taxa de falso-negativo 3
- Considerar que micrometástases e células tumorais isoladas encontradas após quimioterapia neoadjuvante são preditores de pior sobrevida 2
A decisão final deve considerar o risco de recorrência local e sistêmica, bem como o impacto na morbidade cirúrgica e na qualidade de vida do paciente.