Contraindicações e Dificuldades na Colecistectomia Videolaparoscópica
A abordagem laparoscópica deve sempre ser tentada primeiro na colecistectomia para colecistite aguda, exceto em casos de contraindicações anestésicas absolutas e choque séptico. 1
Contraindicações Absolutas
- Choque séptico
- Contraindicações anestésicas absolutas
- Pacientes com cirrose Child C (contraindicação relativa forte)
Contraindicações Relativas
- Cirrose hepática avançada com hipertensão portal grave
- Coagulopatia não corrigida
- Pacientes extremamente frágeis com alto risco cirúrgico (ASA III/IV)
- Performance status 3-4
Situações que Podem Exigir Conversão para Cirurgia Aberta
A conversão para cirurgia aberta não deve ser considerada uma falha, mas uma decisão prudente em certas circunstâncias. As principais situações que podem exigir conversão incluem:
Inflamação local grave - Quando a inflamação é tão intensa que impede a identificação segura das estruturas anatômicas 1
Aderências extensas - Especialmente em pacientes com múltiplos episódios prévios de inflamação ou cirurgias abdominais anteriores 1
Sangramento no triângulo de Calot - Hemorragia que não pode ser controlada por via laparoscópica 1
Suspeita de lesão do ducto biliar - Quando há dúvida sobre a integridade das vias biliares 1
Fatores preditivos de conversão - Febre, leucocitose, bilirrubina sérica elevada e cirurgia abdominal superior extensa prévia 1
Vesícula biliar de difícil abordagem - Casos com anatomia distorcida, vesícula gangrenosa ou inflamação avançada 1
Alternativas à Conversão Total para Cirurgia Aberta
Em casos de dificuldade técnica, antes de converter para cirurgia aberta, considere:
Colecistectomia subtotal laparoscópica - Uma opção válida para inflamação avançada, vesícula gangrenosa e casos onde a anatomia é difícil de ser reconhecida 1
Colecistostomia percutânea - Pode ser considerada em pacientes idosos (>65 anos) com ASA III/IV, performance status 3-4 ou choque séptico, que não são adequados para cirurgia 1
Considerações Especiais para Pacientes Idosos
A idade avançada por si só (>65 anos) não representa uma contraindicação à colecistectomia para colecistite aguda 1
Pacientes idosos têm maior risco de conversão para procedimento aberto devido a:
- Histórico mais longo de episódios de inflamação da vesícula biliar
- Apresentação tardia ao hospital em caso de ataque agudo 1
A abordagem laparoscópica em idosos está associada a:
Considerações para Pacientes com Cirrose
- A colecistectomia laparoscópica é recomendada para pacientes com cirrose Child A e B 1
- Em pacientes com cirrose avançada, podem surgir dificuldades técnicas específicas:
- Presença de cavernoma portal
- Dificuldade na dissecção do triângulo de Calot e do hilo da vesícula biliar
- Presença de aderências e neovascularização
- Dificuldade no controle do sangramento do leito hepático 1
Momento Ideal para Intervenção
A colecistectomia laparoscópica precoce deve ser realizada o mais rápido possível, dentro de 7 dias da admissão hospitalar e dentro de 10 dias do início dos sintomas 1
A cirurgia realizada o mais cedo possível está associada a melhores resultados, especialmente em pacientes idosos com capacidade de reserva reduzida 1
Conclusão
A colecistectomia laparoscópica é o padrão de tratamento para colecistite aguda, com menor morbidade, mortalidade e tempo de internação hospitalar em comparação com a técnica aberta 3, 4, 5. No entanto, a conversão para cirurgia aberta deve ser considerada quando necessário para garantir a segurança do paciente, especialmente em casos de inflamação grave, sangramento incontrolável ou suspeita de lesão do ducto biliar.