Manifestações Clínicas da Coledocolitíase
Sim, a coledocolitíase tipicamente se manifesta com icterícia, acolia fecal e colúria, formando a tríade clássica da obstrução biliar.
Fisiopatologia da Obstrução Biliar
A coledocolitíase ocorre quando cálculos migram da vesícula biliar para o ducto biliar comum, causando obstrução ao fluxo normal da bile. Esta obstrução leva a uma série de manifestações clínicas características:
Icterícia: Resulta do acúmulo de bilirrubina na circulação sanguínea devido à obstrução do fluxo biliar. A bilirrubina se deposita nos tecidos, causando coloração amarelada da pele e mucosas 1, 2.
Acolia fecal: As fezes tornam-se pálidas ou esbranquiçadas devido à ausência de pigmentos biliares (estercobilina) que normalmente dão a coloração marrom às fezes 1.
Colúria: A urina torna-se escura (cor de chá forte) devido à excreção renal de bilirrubina conjugada 1, 2.
Quadro Clínico Completo
Além da tríade clássica mencionada acima, pacientes com coledocolitíase podem apresentar:
- Dor no quadrante superior direito do abdome
- Prurido (coceira) devido ao acúmulo de sais biliares na pele
- Náuseas e vômitos
- Febre e calafrios (sugestivos de colangite, uma complicação grave) 1
Alterações Laboratoriais
As alterações bioquímicas típicas incluem:
- Elevação da fosfatase alcalina (FA) e gama-glutamil transpeptidase (GGT) - padrão colestático
- Elevação da bilirrubina direta (conjugada)
- Elevações variáveis das aminotransferases (AST/ALT) - geralmente menos proeminentes que as enzimas colestáticas 1
Diagnóstico
O diagnóstico de coledocolitíase baseia-se em:
- Avaliação clínica: Presença dos sinais e sintomas descritos acima
- Exames laboratoriais: Padrão colestático nas provas hepáticas
- Exames de imagem:
- Ultrassonografia abdominal: exame inicial para detectar dilatação das vias biliares (sensibilidade de 88% para dilatação do ducto biliar comum) 2
- Colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM): excelente para detectar cálculos no colédoco (sensibilidade 93%, especificidade 96%) 2
- Ecoendoscopia: alta sensibilidade (95%) e especificidade (97%) 2
- CPRE: padrão-ouro diagnóstico e terapêutico 1, 3
Tratamento
O tratamento definitivo da coledocolitíase envolve:
- CPRE com esfincterotomia e extração dos cálculos: Taxa de sucesso de aproximadamente 90% 1, 3
- Colecistectomia laparoscópica: Necessária para prevenir recorrência em pacientes com vesícula in situ 3, 4
Complicações
Se não tratada, a coledocolitíase pode levar a:
- Colangite aguda (infecção das vias biliares)
- Pancreatite aguda biliar
- Cirrose biliar secundária
- Sepse e falência de múltiplos órgãos 1, 5
Considerações Especiais
É importante diferenciar a coledocolitíase de outras causas de obstrução biliar, como neoplasias das vias biliares (colangiocarcinoma), que podem apresentar quadro clínico semelhante, porém com evolução mais insidiosa 1, 6.
A presença de múltiplos cálculos no colédoco tende a apresentar início mais insidioso de icterícia indolor, enquanto cálculos únicos ou em menor número geralmente causam início mais abrupto de colangite ou dor 6.