Coledocolitíase e Manifestações Clínicas
Não, a coledocolitíase não apresenta icterícia, colúria e acolia apenas em casos complicados. Estes sintomas são manifestações diretas da obstrução biliar e podem ocorrer em qualquer caso de coledocolitíase com obstrução significativa do ducto biliar comum, independentemente de complicações como colangite ou pancreatite. 1
Fisiopatologia da Obstrução Biliar
A presença e intensidade dos sintomas clássicos (icterícia, colúria e acolia) está diretamente relacionada ao grau de obstrução biliar:
Mecanismo: Quando um cálculo obstrui o ducto biliar comum (coledocolitíase), a bile não consegue fluir adequadamente para o duodeno, causando:
- Refluxo de bilirrubina para a corrente sanguínea → icterícia
- Excreção aumentada de bilirrubina pela urina → colúria
- Ausência de pigmentos biliares nas fezes → acolia
Intensidade dos sintomas: Varia conforme o grau de obstrução, podendo ser:
- Leve/intermitente: em obstruções parciais
- Intensa: em obstruções completas
Apresentação Clínica da Coledocolitíase
A coledocolitíase pode se apresentar com um espectro de manifestações clínicas:
Coledocolitíase não complicada:
- Icterícia (de intensidade variável)
- Colúria
- Acolia fecal
- Dor abdominal (geralmente em quadrante superior direito)
- Elevação de enzimas hepáticas (padrão colestático)
Coledocolitíase complicada:
- Todos os sintomas acima, geralmente mais intensos
- Febre (na colangite)
- Calafrios
- Hipotensão (em casos graves de colangite)
- Alteração do estado mental (em colangite grave)
- Sinais de pancreatite (quando há obstrução da ampola)
Diferenças na Apresentação Clínica
Coledocolitíase com múltiplos cálculos: Tende a apresentar início insidioso de icterícia indolor, simulando obstrução biliar maligna 2
Coledocolitíase com cálculos solitários: Geralmente apresenta início abrupto de colangite ou dor 2
Diagnóstico por Imagem
Ultrassonografia abdominal: Primeira linha de investigação, com sensibilidade de 88% e especificidade de 80% para detecção de dilatação biliar, porém limitada para visualização direta de cálculos no ducto biliar comum (sensibilidade de 22,5% a 75%) 3, 1
MRCP (Colangiopancreatografia por Ressonância Magnética): Excelente para detectar coledocolitíase, com sensibilidade de 85-100% e especificidade de 90% 1
TC abdominal: Útil para detectar dilatação ductal e coleções de fluido intra-abdominal 1
Considerações Importantes
- A ausência de icterícia, colúria e acolia não exclui coledocolitíase, especialmente em casos de obstrução parcial ou intermitente
- A presença de múltiplos cálculos pequenos (<5 mm) na vesícula biliar aumenta em 4 vezes o risco de migração destes cálculos para o ducto biliar comum 3
- O calibre normal do ducto biliar comum no ultrassom tem valor preditivo negativo de 95-96% para coledocolitíase 3
A coledocolitíase não tratada pode levar a episódios recorrentes de colangite, com risco aumentado de sepse e disfunção de múltiplos órgãos, destacando a importância da intervenção e tratamento precoces 1.