Os Critérios de Tokyo são para Colangite E Colecistite Agudas
Os Critérios de Tokyo são diretrizes estabelecidas para o diagnóstico e manejo tanto da colangite aguda quanto da colecistite aguda, fornecendo sistemas de classificação de gravidade e algoritmos de tratamento para ambas as condições. 1
Histórico e Desenvolvimento dos Critérios de Tokyo
Os Critérios de Tokyo foram inicialmente publicados em 2007 (TG07) e posteriormente atualizados em 2013 (TG13) e 2018 (TG18), representando um esforço internacional para padronizar o diagnóstico e tratamento dessas duas condições biliares agudas 2, 3. Estas diretrizes foram desenvolvidas através de consenso entre especialistas mundiais e validadas em múltiplos estudos clínicos.
Componentes dos Critérios de Tokyo para Colangite Aguda
- Diagnóstico: Estabelece critérios diagnósticos com sensibilidade de 86% e especificidade de 63% 1
- Classificação de Gravidade: Divide a colangite em três graus:
- Grau I (Leve)
- Grau II (Moderada)
- Grau III (Grave) 1
- Algoritmos de Tratamento: Recomendações para antibioticoterapia e drenagem biliar baseadas na gravidade 1
Componentes dos Critérios de Tokyo para Colecistite Aguda
- Diagnóstico: Os critérios diagnósticos TG13/TG18 demonstraram sensibilidade de 91,2% e especificidade de 96,9% 4, 5
- Classificação de Gravidade: Também divide a colecistite em três graus (I, II e III) 4, 5
- Algoritmos de Tratamento: Fluxogramas para manejo incluindo colecistectomia laparoscópica e drenagem da vesícula biliar 6
Atualizações Importantes nos Critérios de Tokyo
As atualizações de 2018 (TG18) mantiveram os critérios diagnósticos e de gravidade do TG13 para colecistite aguda, mas introduziram modificações nos algoritmos de tratamento 5. Por exemplo:
- Alguns casos selecionados de colecistite Grau III podem agora ser considerados para colecistectomia laparoscópica em centros avançados 6
- Para colecistite Grau I, recomenda-se colecistectomia laparoscópica precoce em pacientes com Índice de Comorbidade de Charlson ≤5 e ASA-PS ≤2 6
- Para colecistite Grau II com os mesmos critérios, também se recomenda cirurgia precoce por cirurgiões experientes 6
Pontos Importantes na Prática Clínica
- Os critérios diagnósticos para colangite não exigem a presença completa da tríade de Charcot, permitindo o diagnóstico baseado em dados laboratoriais e achados de imagem 1
- A ultrassonografia é a primeira linha de avaliação para ambas as condições, embora tenha sensibilidade limitada (25-63%) para detecção de cálculos no ducto biliar comum 1
- A CPRE com esfincterotomia e extração de cálculos/colocação de stent é o método de drenagem de primeira linha para colangite, com taxa de sucesso superior a 90% 1
Cuidados e Armadilhas a Evitar
- Não confundir os critérios de gravidade entre colangite e colecistite, pois possuem parâmetros diferentes
- Evitar atrasos na administração de antibióticos e na descompressão biliar em casos de colangite, pois isso aumenta a mortalidade 1
- Não utilizar drenagem cirúrgica como primeira linha em colangite grave devido às altas taxas de mortalidade, especialmente em pacientes acima de 80 anos 1
Os Critérios de Tokyo representam uma abordagem padronizada e baseada em evidências para melhorar os resultados clínicos e reduzir a mortalidade em ambas as condições biliares agudas, sendo amplamente adotados em todo o mundo.