Transmissão Perinatal do Vírus Zika e Manifestações Pós-Parto
Sim, existem casos documentados de transmissão perinatal do vírus Zika com manifestações clínicas que se desenvolvem após o parto, incluindo microcefalia pós-natal e outros problemas neurológicos em bebês que nasceram aparentemente saudáveis. 1, 2
Evidências de Transmissão Perinatal
A transmissão do vírus Zika de mãe para filho pode ocorrer através de diferentes vias:
- Transmissão transplacentária durante a gestação (20-40% dos casos) 2, 3
- Transmissão durante o parto 1
- Possível transmissão através do leite materno 4
Manifestações Pós-Natais Documentadas
Os estudos mostram que bebês que nascem sem sinais visíveis de infecção congênita por Zika podem desenvolver manifestações clínicas posteriormente:
Microcefalia pós-natal: Documentada em um estudo brasileiro com 13 bebês que nasceram com tamanho normal da cabeça, mas tinham anomalias cerebrais e evidência laboratorial de infecção congênita por Zika. No acompanhamento, todos apresentaram diminuição na taxa de crescimento do perímetro cefálico, com 11 dos 13 bebês desenvolvendo microcefalia até o final do primeiro ano de vida 1
Replicação viral contínua: Estudos mostraram que após a infecção congênita, o vírus Zika pode continuar a se replicar no tecido cerebral dos bebês após o nascimento 1
Alterações oculares: Foram relatadas alterações oculares em bebês sem microcefalia ou outras anomalias cerebrais que nasceram de mães com evidência laboratorial de infecção por Zika 1
Desenvolvimento neurológico anormal: Crianças normocefálicas nascidas de mães com infecção por Zika durante a gravidez, e sem anomalias congênitas observáveis ao nascimento, podem apresentar atraso no desenvolvimento neurológico posteriormente 3
Caso Documentado de Possível Transmissão pelo Leite Materno
Um caso relatado descreve um bebê que nasceu normal e com teste negativo para Zika ao nascimento, mas desenvolveu microcefalia secundária um mês depois. O bebê era exclusivamente amamentado e o vírus Zika foi detectado no leite materno da mãe, sugerindo uma possível transmissão pós-natal através da amamentação 4.
Implicações Clínicas
Estas descobertas têm importantes implicações para o acompanhamento de bebês nascidos de mães com infecção por Zika:
- A ausência de microcefalia ao nascimento não exclui a síndrome congênita do Zika
- É necessário monitoramento a longo prazo de todos os bebês expostos ao Zika durante a gestação, mesmo aqueles que parecem normais ao nascimento
- O acompanhamento deve incluir avaliações regulares do perímetro cefálico, desenvolvimento neurológico e exames oftalmológicos e auditivos 1, 2
Considerações para a Prática Clínica
- O acompanhamento de crianças expostas ao Zika no útero deve ser prolongado, pois algumas manifestações podem aparecer apenas meses após o nascimento
- A microcefalia pós-natal pode ser um sinal de infecção congênita por Zika em bebês que nasceram com perímetro cefálico normal
- É importante considerar a possibilidade de transmissão perinatal do vírus Zika em áreas endêmicas, mesmo em bebês que parecem saudáveis ao nascimento
Estas evidências reforçam a necessidade de vigilância contínua e acompanhamento de longo prazo para bebês nascidos de mães com infecção por Zika durante a gravidez, independentemente de apresentarem ou não anomalias ao nascimento.