Diagnóstico de Infecção Relacionada a Cateter Central
Para confirmar uma infecção relacionada a cateter central, deve-se realizar hemoculturas pareadas (uma colhida do cateter e outra de veia periférica) antes do início da antibioticoterapia, além da cultura da ponta do cateter quando este for removido. 1
Métodos Diagnósticos Recomendados
Hemoculturas Pareadas
- Colher duas amostras de sangue para cultura antes do início da antibioticoterapia 1:
- Uma amostra através do cateter central
- Uma amostra de veia periférica
- As amostras devem ser adequadamente identificadas quanto à origem 1
- Quando não for possível obter amostra de veia periférica, recomenda-se coletar ≥2 amostras através de diferentes lúmens do cateter 1
Diagnóstico Diferencial por Tempo de Positividade (DTP)
- A diferença no tempo de positividade entre as hemoculturas do cateter e periférica é um método confiável:
Cultura da Ponta do Cateter
- Quando o cateter for removido por suspeita de infecção, enviar a ponta para cultura 1
- Utilizar técnica semiquantitativa (roll-plate) para cateteres de curta permanência 1
- Crescimento de >15 UFC em segmento de 5 cm da ponta do cateter pela técnica semiquantitativa ou >10² UFC pela técnica quantitativa (sonicação) indica colonização do cateter 1, 2
Critérios para Diagnóstico Definitivo de Infecção Relacionada ao Cateter
O diagnóstico definitivo requer um dos seguintes critérios 1:
- Mesmo microrganismo isolado em pelo menos uma hemocultura periférica e na cultura da ponta do cateter
- Duas amostras de sangue (uma do hub do cateter e outra de veia periférica) que atendam aos critérios para hemoculturas quantitativas ou DTP
- Duas hemoculturas quantitativas obtidas através de dois lúmens do cateter, onde a contagem de colônias de uma amostra seja pelo menos 3 vezes maior que a outra
Situações Especiais
Infecção Local do Sítio de Inserção
- Se houver exsudato no local de saída do cateter, coletar material para cultura e coloração de Gram 1
- Ultrassonografia pode ser útil para detectar infecção do túnel em cateteres de longa permanência 1
Cateteres de Longa Permanência
- Para portas de acesso subcutâneas (ports), enviar tanto a ponta do cateter quanto o reservatório para cultura qualitativa 1
- Crescimento de <15 UFC/placa do mesmo microrganismo tanto na cultura do local de inserção quanto do hub do cateter sugere fortemente que o cateter não é a fonte de infecção sanguínea 1
Algoritmo para Paciente com Febre e Cateter Central
Avaliação inicial:
- Exame físico completo com inspeção do local de inserção do cateter
- Coleta de hemoculturas pareadas (cateter e periférica)
- Avaliação da gravidade clínica do paciente
Paciente com doença leve a moderada (sem hipotensão ou falência orgânica):
- Considerar antibioticoterapia empírica
- Manter o cateter inicialmente
- Se febre persistir sem outra fonte identificada, remover e cultivar o cateter 1
Paciente gravemente doente (hipotensão, hipoperfusão, sinais de falência orgânica):
- Iniciar antibioticoterapia empírica imediatamente
- Remover o cateter, cultivar a ponta e inserir um novo em local diferente 1
Considerações Importantes
- A cultura qualitativa em caldo da ponta do cateter não é recomendada 1
- Para cateteres venosos centrais, deve-se cultivar a ponta do cateter, não o segmento subcutâneo 1
- A preparação adequada da pele antes da coleta de sangue é fundamental para evitar contaminação, utilizando álcool, tintura de iodo ou clorexidina alcoólica (>0,5%) 1
- Para cateteres com múltiplos lúmens, pode-se coletar amostras separadas de cada lúmen 1
Seguindo este protocolo diagnóstico, é possível confirmar com precisão a presença de infecção relacionada ao cateter central e orientar o tratamento adequado, reduzindo a morbimortalidade associada a esta complicação.